segunda-feira, 11 de março de 2013

Um Brasil sem Direitos Humanos?



Um Brasil sem Direitos Humanos?


Professor Nazareno*

            A recente eleição do deputado federal pelo Estado de São Paulo, pastor Marco Feliciano, do PSC, Partido Social Cristão, para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados causou irritação em muitos militantes destas causas no país inteiro. É até compreensível que eles, os militantes, se sintam ofendidos, uma vez que o referido pastor declarou recentemente em redes sociais tolices inaceitáveis e absurdas como "os africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé". O deputado disse também ser contra o ato sexual entre pessoas do mesmo sexo, subentendendo certa dose de homofobia. Entretanto, o maior problema é que a maioria da população brasileira comunga perfeitamente com as ideias defendidas pelo religioso. No entanto, é um mal bem menor uma pessoa intolerante presidir essa comissão se observarmos quem comanda hoje o Senado Federal e a Câmara dos Deputados.
Parece até que a classe política ao agir desta maneira, na contramão do politicamente correto, está se vingando de alguém, no caso quem luta pelas causas sociais do Brasil. Mas não é bem assim. Falar de direitos humanos por aqui hoje é comprar briga certa com muitas pessoas incautas, ignorantes e despolitizadas que, muitas vezes, defendem abertamente a volta de práticas sociais e políticas da Idade Média. E neste caso não é só aquele cidadão desprovido de leitura de mundo, não. Veem-se diariamente jornalistas, políticos, religiosos, professores e outros formadores de opinião, conclamarem publicamente a todos, com suas ideias atrasadas e retrógradas, a defenderem o absurdo e a triste volta ao passado. O pastor pode não estar correto, mas a sua indicação, e a consequente eleição, representa uma fatia bastante considerável da opinião pública deste país. E como no caso Renan, seus 212 mil eleitores não serão punidos.           
 Estamos cansados de ouvir nas rádios, do Brasil e de Rondônia, e ler nos jornais e em sites, jornalistas e comentaristas ignorantes e imbecis, além de outros formadores de opinião, serem a favor da censura, por exemplo. Quantos já não tentaram me calar quando escrevo meus textos bobos? Baseados unicamente em seus toscos sentimentos telúricos me propõem apenas o silêncio como solução. Muitos idiotas metidos a intelectuais e jornalistas defendem abertamente a pena de morte, a redução da maioridade penal e outras tolices só como instrumentos de punição. Triste, vejo defenderem sem nenhum argumento a extinção pura e simples da política de direitos humanos e de todas as outras garantias que conquistamos “há pouco tempo e a muito custo”. Esses imbecis parecem desconhecer a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a luta da humanidade contra os delírios de Hitler e de sua camarilha nos campos de extermínio.
Nem precisa se falar aqui dos muitos sermões, dos absurdos e das mentiras “ensinadas” dentro das igrejas do Brasil e da aceitação por parte dos fieis, sem nenhuma discussão ou reflexão do que é ouvido. Como a eleição de Renan Calheiros e de Henrique Eduardo Alves, a escolha de Marco Feliciano representa um pensamento “correto e ético” dentro da lógica deste Brasil de idiotas: se não há política coerente de direitos humanos nem necessidade de sua implantação dentro da nossa sociedade e nem respeito às minorias, por que e para quê se defender o inexistente? Infelizmente, o pastor evangélico, acusado de homofobia, intolerância, racismo e estelionato representa parte do pensamento da sociedade brasileira e por isso vai permanecer em seu cargo assim como os outros já escolhidos e sacramentados. Nessa lógica, torturadores são homenageados e corruptas, como na Câmara de Vereadores de Porto Velho, são agraciadas com títulos beneméritos. E todos nos calamos e diante da desfaçatez, aceitamos.


*É Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Guerreiras, mulheres!



Dia Internacional da Francisca


Professor Nazareno*



       Simone de Beauvoir disse: “não se nasce mulher: torna-se”. Por isso, não existe o dia internacional da mulher. Não existe, nem jamais deveria existir. Como é só um dia como outro qualquer, tudo não passa de embromação, enrolação e lorotas do sistema Capitalista, que cria a seu modo e necessidades, dias dedicados às pessoas e personalidades com o objetivo único de aquecer as vendas no comércio. Criar um único dia, dentre os mais de trezentos ao ano, para a mulher é reduzir a sua importância. Ora, todo dia é dia de mulher. Quem tudo faz para conduzir a família, engravida, dá a luz, amamenta, educa, cria, trabalha, opina, decide, ama, não pode e nem deve ter só um único dia. Se Deus existe, é uma mulher, nisso eu sempre acreditei. Como poderia ter criado tudo isto de forma perfeita e harmoniosa sendo um frágil homem? Criados ou evoluídos, somos todos mulheres, já que “o homem é uma mulher que não deu certo”.
Porém, não é apenas a sociedade e as relações humanas machistas que maltratam tanto as mulheres. A natureza também aprontou das suas contra este belo e insuperável ser: deu-lhe “de presente” cinco desgraças que elas têm de carregar por toda a sua existência. Livres destas maldições inexplicáveis, os homens riem por não terem o hímen, que só serve para criar tabus e doer feito a peste. A menstruação é outro terrível incômodo de que os machos da espécie se livraram. A gestação muitas vezes não é apenas motivo de alegria, algo lindo e maravilhoso, é um incômodo e uma vergonha indescritíveis quando, principalmente, acontece de forma indesejada. O parto ou “dor tirana” parece uma vingança que a natureza reservou só para as fêmeas. Deve ser por isso que amo tanto a natureza, que me poupou deste “sofrimento terrível”. E por fim, a menopausa, que chega como uma pancada fatal e final nas pobres coitadas.
            Seres humanos, cujas mentes femininas estão em corpos de homens, ou até os corpos femininos cuja mente é de varão, também merecem o respeito digno da nossa sociedade machista, arrogante e preconceituosa. São todas mulheres, tão guerreiras e abnegadas quanto às “originais”. Dessa maneira, em pleno século vinte e um é muito difícil entender como algumas religiões e sociedades massacram e perseguem tão covardemente o nosso único elo feminino. A mulher deveria estar presente em todas as instituições e organizações sem nenhuma distinção nem preconceito. Embora não seja o usual, na política ela poderia usar o sexto sentido e roubar menos. É muito confortável para nós homens observarmos cada vez mais o aumento da participação delas na administração das sociedades. De Dilma Rousseff, a nossa Presidenta, até as mais notáveis líderes mundiais, tem-se notado essa excelente contribuição feminina.
      Depois da minha Francisca, a “beiradeira” mais charmosa e perfeita que já conheci até ontem, posso dizer que já admirei profundamente várias outras criaturas desse universo encantador: das bravas mulheres de Atenas passando por Joana d’Arc, Florbela Espanca, Clarice Lispector, Rosa Parks e mesmo Margareth Thatcher, Golda Meir, Hillary Clinton, Angela Merkel, Cristina Kirchner ou Michelle Bachelet, dentre tantas outras, não há como não se encantar e se apaixonar perdidamente por esse misterioso e enigmático mundo feminino. É por isso que eu sou um lésbico assumido. Com aproximadamente quatro milhões de neurônios a menos, esses seres conseguem proezas inimagináveis para simples mortais. Fico imaginando se a natureza tivesse-lhes dado o mesmo número de neurônios de nós, homens. Ainda assim, nas próximas encarnações, se houver, quero nascer homem, de novo. Não usaria uma burca nem aceitava desaforos de seres inferiores: os homens.



*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Uma potência fracassada!



Brasil, uma potência que nunca foi

 

 

Professor Nazareno*

 

         

      No ranking das maiores economias do planeta, o Brasil vinha nos últimos anos, disparando para ocupar as primeiras posições. Chegamos ao sexto lugar e quase ultrapassamos a poderosa França. Países tradicionais como Reino Unido, Itália, Espanha, Canadá, Coreia do Sul e Austrália foram, um a um, tendo suas economias superadas pelo gigante e emergente país tropical. Só que agora, com a divulgação do desempenho pífio da nossa economia em 2012, a situação mundial tende a “voltar ao normal” e colocar as coisas no seu devido lugar: já perdemos a posição que havíamos tomado da Inglaterra e com o crescimento insignificante do ano passado, descemos de forma mais do que justa, para a sétima posição entre os países mais ricos do mundo. E mesmo com a crise econômica e social que se abate sobre os países da União Europeia, as perspectivas são sombrias para o Brasil, que nunca foi potência de nada.

        Somos eternamente o país do carnaval e do futebol. Apenas isso. E justamente por causa deste deprimente fato, nunca deixamos de ser a “porcaria” que sempre fomos. Hoje há até dúvidas se somos mesmo um país de futebol.  Mas como o mundo dito civilizado não aprecia muito a dança das mulatas seminuas e da sacanagem geral, metade deste título ficará conosco ainda por um bom tempo. É muita petulância para um país tipicamente agrário e detentor apenas de recursos naturais querer ultrapassar e ser melhor do que economias prósperas em nações que têm na tecnologia e no conhecimento as bases para o seu progresso e desenvolvimento. O setor primário da produção aliado a uma natureza abundante, que em muitos casos dispensa a criação do pensamento científico mais bem elaborado, nos transformou num dos maiores produtores de commodities do mundo. E sem essa tecnologia da criação, ganhamos os mercados mundiais.

       Uma potência de fato se conhece principalmente pelo IDH de seus habitantes e também pela sua alta escolaridade. Chega a ser ridículo uma sociedade como a nossa, sem nenhuma qualidade de vida, querer suplantar países infinitamente superiores a nós nesse aspecto. É só comparar o Brasil com países cujas economias são bem menores do que a nossa. Noruega, Holanda, Bélgica, Suécia, dentre outros, têm sociedades que se comparadas aos nossos fedidos, esfarrapados, famintos, desdentados, violentos e analfabetos habitantes faz-nos parecer Sudão do Sul, Burkina Fasso, Somália ou Etiópia. Difícil encontrar prosperidade em qualquer setor da nossa sociedade. A Educação é uma desgraça que não funciona, a Saúde Pública não existe, o setor de transportes é ridículo, nossas Forças Armadas perderiam uma guerra até para a Bolívia, o saneamento básico nosso parece que foi feito para porcos e caranguejos. Só temos problemas.

        Fora o Carnaval, apenas somos bons em corrupção e roubalheiras. A maioria dos nossos políticos, por exemplo, como se já não bastasse a sua notória incompetência e falta de caráter, são os melhores do mundo para roubar verbas públicas e dilapidar o Erário. Com isso, criamos o maior câncer que se conhece no mundo moderno: a desigualdade social e com ela, os ricos manipulam os pobres dando-lhes migalhas travestidas de ajuda como as malditas e eleitoreiras bolsas “isto e aquilo” do Governo Federal. E sem condições de protestar, aceita-se tudo de bom grado. Investir em Educação de qualidade, punir exemplarmente os “ladrões de gravata”, criar políticas macroeconômicas de inclusão social, além de lutar por uma sociedade mais justa e mais humana seriam talvez os primeiros passos para que pudéssemos nos orgulhar de estar entre as dez maiores e melhores economias do mundo. E isto sem precisar exportar “pernas de jogador” ou “bumbum de mulatas”. Para ser grande e ter uma excelente qualidade de vida, uma sociedade não pode contar apenas com as benesses da mãe natureza. Precisa de conhecimento.

 

 

 

 

*É Professor em Porto Velho.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

FICA, RENAN!



Em respeito ao povo, fica Renan!


Professor Nazareno*
           

          De tempos em tempos, acontecem no Brasil e em Rondônia, manifestações em defesa de causas perdidas e que geralmente não dão em nada. Parte da sociedade brasileira é tomada por arroubos estéreis e muitas vezes direcionados por manifestantes eufóricos com o objetivo de apenas aparecer diante dos holofotes. Foi assim contra a aposentadoria vitalícia dos ex-governadores, pela adoção da lei do ficha limpa, pelo fim da corrupção em nosso país, por mais ética na política, pela punição deste ou daquele político ladrão, dentre outras inúmeras mobilizações. Aqui, pessoas se mobilizaram até pela emancipação do charmoso distrito de Extrema, pertencente ainda, mais de três anos após um patético plebiscito, ao município de Porto Velho e localizado nos confins da Amazônia. Nenhum problema em se manifestar, afinal vivemos em uma sociedade democrática e a pluralidade de opiniões é extremamente salutar.
Eis que desta vez, surge com força razoável em vários recantos deste país e até em algumas cidades do mundo, mais outra lorota tipicamente nacional: a saída do senador Renan Calheiros da Presidência do Senado, cargo que ele conquistou no voto de seus pares e de forma indiscutivelmente democrática. De quebra, alguns manifestantes gostariam também que o Deputado Federal potiguar Henrique Eduardo Alves, do mesmo partido do Renan, também deixasse o cargo que conquistou de forma lícita para presidir a Câmara dos Deputados. Nas manifestações organizadas com este propósito, há sempre uma expectativa de que “multidões” compareçam. Porém, tudo não passa de mais um sonho inatingível. Como encher as ruas de “manifestantes politizados” se não distribuem drogas nem cachaça para os participantes? Nem abadás há, muito menos bandas de músicas para divertir a alegre rapaziada.
Não se discute aqui a vida pública do político alagoano, que a exemplo de muitos de seus pares, não é nada abonadora. Renan está envolvido até o pescoço em muitas maracutaias. As acusações contra ele são diversas e todo mundo sabe disto. De tão sujo e enrolado, ele se parece até com político de Rondônia. Henrique Alves também é detentor da mesma biografia. Mas se grande parte da opinião pública brasileira sabia disto, por que mais de 800 mil alagoanos o reelegeram para o Senado em 2010? Renan pediu para ser eleito e a população prontamente o atendeu. Logo, quem deveria ser consultado sobre a saída dele da Presidência do Senado seria o eleitor que o reconduziu para Brasília dando-lhe de forma honesta mais um mandato. Tirar-lhe o cargo sem fazer esta consulta naquele estado nordestino, seria como “estuprar” a nossa já frágil democracia. Não é no regime democrático que o povo deve ser sempre ouvido?
Tirar somente Renan Calheiros do cargo que ocupa seria uma grande injustiça, já que  quase todos os políticos que estão em Brasília, e por aqui também, são muito mais sujos do que ele e vão permanecer em seus respectivos cargos. Nossos representantes são como “pau de galinheiro”. O povo devia fazer uma faxina geral na política. Mas haveria um problema: ficaríamos sem representantes legais uma vez que como povo, também somos sujos, ladrões e ordinários. Se os políticos são corruptos, sacanas e desonestos é por que representam um povo de igual índole e que a cada eleição os presenteia com cargos públicos para que nos administrem. Renan, Sarney, Roberto Sobrinho, Lula e mais uma infinidade de cidadãos desta estirpe é fruto do povo. Então quem tem que ser punido é o povo enquanto eleitor. Como tirar a razão do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio de Mello: “A sociedade não é vítima, mas autora. Somos responsáveis por todos os homens públicos que aí estão”. Assim, não se veem muitas diferenças entre político e povo. Pelo menos no Brasil.


*É Professor em Porto Velho.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Carnaval no Buraco Quente



Carnaval no Buraco Quente - Jorge Santos Quintela

Já se ouviu falar de um buraco muito fundo, escuro, úmido, quente e que todos os seus moradores insistiam em chamá-lo de cidade. Não se sabe ao certo como pessoas, seres humanos de verdade, conseguiram chegar até ele e ainda por cima habitá-lo como um lugar qualquer.
Sem história, sem heróis, sem pessoas importantes, esquecido, abandonado, perdido no tempo e sem líderes que pudessem lhe governar satisfatoriamente, esse buraco vivia a sua vida como se fosse um lugar civilizado. A maioria de seus habitantes não conhecia outros lugares, ou buracos, e muitos até acreditavam que era o único lugar habitável do mundo.
Não se conheciam ali outras realidades, só a daquele buraco quente mesmo. Notícias do mundo “lá fora”, quando havia, eram raridades, excentricidades muito difíceis de serem acreditadas. Porém, a duras penas, as pessoas tentavam levar a sua vidinha vazia, sem sentido, oca, inútil, tosca, ignorante e desprovida de qualquer resquício de inteligência e civilidade.
Ainda assim, muitas pessoas, não se sabe como, se divertiam naquele inóspito território. Copiaram, também não se sabe de onde, mais uma excentricidade e batizaram-na de Carnaval. Inventaram também uma brincadeira meio estúpida, mas que fazia um sucesso enorme entre os buraquenses: pessoas que acreditavam serem normais corriam atrás de carros enfeitados para conseguir o maior número de garrafas de cachaça ou de outras drogas e faziam uso ali mesmo no meio da multidão. Para delírio dos presentes, até as autoridades, tentando fazer média entre os estúpidos e dominados habitantes locais, se drogavam também na frente de todos.
“Isso é coisa de abestados e alienados”, diziam alguns moradores que não gostavam da estúpida brincadeira e que, por isso mesmo, preferiam sair e se isolar no matagal, numa mistura devassa e promíscua entre homens e mulheres, para adorar seus deuses inventados e fictícios. O fato é que os criadores desta brincadeira alienante, que só faz apologia às drogas e à inutilidade geral e aonde “vai quem quer” são idolatrados como heróis e salvadores da Pátria.
Buraco Quente é administrado somente por médicos de fora. Corruptos, todos muito incompetentes e cuja massa cinzenta se assemelha à de toupeiras cegas. Nunca se entendeu por que seus moradores gostam tanto destes profissionais se o único hospital que há no lugar é um verdadeiro campo de concentração. Deve ser por isso mesmo, já que uma das características desse povo é se divertir com o próprio sofrimento. “Comem carne podre todo dia e ainda riem felizes como hienas”, afirmaram alguns antropólogos que estudaram esta sinistra sociedade.
Sem conhecer muita coisa além do que veem no próprio buraco, alguns buraquenses querendo homenagear os desconhecidos forâneos criaram até um bloco chamado “os de fora” (US DY PHORA, no dialeto local) apenas para aumentar o consumo de drogas e álcool e vender a falsa impressão de alegria e felicidade que não têm e que muitos afirmam que jamais terão.
Como há muitos blocos no buraco, acredita-se que seja para esconder a própria realidade infecta e suja onde vivem. Justiça, dizem que há naquele cacimbão nojento, mas todos os que roubaram e ainda roubam dinheiro alheio e público estão soltos e rindo das autoridades, que nada fazem nem podem, ou não querem, fazer. Mas, iludidos, dizem que vão fazer...
Para esquecer as agruras terríveis de se morar naquele lugar cheio de lodo, catinga e lama e sublimar a sensação de que estão sendo roubadas pelos seus representantes, as pessoas caem na folia e, embriagadas ou drogadas, parecem esquecer suas desgraças cotidianas.
Na outra historinha, a de Rubem Alves, as rãs mataram o pintassilgo, mas nesta os buraquenses se acasalam com quem cai no seu buraco profundo e não dão chances a ninguém para sair daquele ambiente promíscuo sem antes deixar uma penca de descendentes idiotas e imbecis que para viver em paz, começam a amar o carnaval e as suas consequências nefastas.


Jorge Santos Quintela é filho de Porto Velho e acredita que nunca morou em buraco algum.