segunda-feira, 11 de abril de 2011

Quem é o Filho do Madeira? Quem quer me calar?



Será que “calaram” o Professor Nazareno? 

Filho do Madeira*

Alinhar ao centro

 Não sou do tipo preconceituoso, mas há certo tempo não vejo na mídia eletrônica daqui os textos do referido professor. Não que eu goste deles ou sinta tanta saudade assim. Aliás, odeio a sua escrita. Nunca me identifiquei com qualquer palavra escrita pelo mesmo. Não aprecio suas opiniões. Acho-as retrógradas, provocantes, encrenqueiras e totalmente fora de contexto.
        Admito, no entanto, ter lido algumas de suas provocações. Dei-lhe a oportunidade de ver uns três textos seus. Mas do que isso, poderia me viciar. Poderia me “emputecer”, poderia me sentir humilhado e agredido. Mas nunca lhe fiz este favor. Sua verve nunca me convenceu. Ignorei o óbvio. Prá que dar importância a quem não tem? Jair Bolsonaro cresceu a semana passada justamente por isso. Opiniões ridículas crescem na importância indevida que lhes dão.
    Conheço o dito cujo: pessoa boa, de idéias ruins. Sou rondoniense e refuto suas idéias não por isto, mas porque a indignação burra e míope dos que aqui nasceram deram-lhe o que ele queria e esperava: fama. Ainda que passageira e sem sentido, já que o diabo também tem fama, mas mora no inferno.
Dar-lhe razão não me dói. Sei que inferno é este em que ele me colocou. Num lugar melhor do que este (e há muitos, brasil e mundo afora), sua opinião seria ignorada, suas palavras ácidas e pestilentas seriam descartadas. Fora do brasil, seria simplesmente ignorado. Não teria vez. Seria um São João Batista pregando no deserto. Uma poeira ao vento, e só.
        Nesta rondônia absurda, frágil, contagiada e infestada pela síndrome do vira-latas mais pulguento e sarnento que se conhece, suas idéias prosperaram e incomodaram. Falam da cultura daqui, ele a ataca. Falam dos “zeróis” daqui, ele não os vê. Falam das coisas boas que há aqui. Ele não acredita. O pôr-do-sol que só há aqui, ele nunca viu.
         Do progresso das usinas, ele sempre duvidou. Do comodismo beiradeiro, ele riu e se aproveitou. Da ausência de comida típica, ele tripudiou. Com a falta de amor a uma rondônia casta e pura, ele brincou. Numa porto velho limpa, organizada e sem catinga, ele certamente nunca morou. Colecionou fotos de bichos mortos pelas valas e avenidas.
        Vi que a minha terra não tem importância nenhuma, pois dar importância a quem não tem nos faz também sem importância. Rebater opiniões simplórias e sem sentido, nos faz também assim: ridículos, óbvios e rondonienses. E foi isso que sempre fizemos ao ler um texto assinado pelo “mestre danado”, o “Mainardi Karipuna”.
        Mas matar-lhe fisicamente de nada adiantaria em nosso calvário diário. Tomar-lhe o emprego e nos condenar à dificuldade também de nada adiantará. Ele deve gostar de roberto sobrinho, o prefeito esperto dos viadutos inacabados. Ele deve gostar do confúcio, o governador dos pequenos reajustes. Gosta também da rebelião nas usinas. Calou-se até na chacina de Realengo. O brasil e rondônia estão melhor? Falará nas próximas queimadas por causa da sua assumida rinite alérgica?
As opiniões dele, porto velho e rondônia são o que ele mesmo sempre disse: a excrescência do nada. O que é excrescência? Mas que incomodou cupins, minhocas e toupeiras todos têm certeza. Devia ser-lhe dado espaço na mídia eletrônica mais uma vez. Muitos textos seriam criados para rebater os dele. E todos os leitores ganhariam outro ringue para ver a briga de opiniões. Só mesmo de opiniões. Nunca foi um anjo pornográfico, mas alguém que sente dificuldades de caminhar entre os humanos...
        De Basinho a Sílvio Santos, do meu ex-professor Emanoel a Nelson Townes, de Rubens Nascimento a um tal de Jorge Santos, de Danilo Soares a Costa Brazil e de tantos que pregaram a censura contra ele: será que todos agora estão respirando aliviados? E se a opinião burra, tosca e ultrapassada dele voltar? O que faremos? Como calá-lo? Volte a escrever, professor Nazareno. Quero ver o prazer do seu vômito. Só pelo vômito mesmo. Ouvi dizer que o senhor era um “troll” abusado. Prove.

    
    *Leitor assíduo de textos da internet, ex-aluno, rondoniense nativo, beiradeiro, troll, e apreciador das boas coisas da vida.


Texto retirado do site www.rondoniainfoco.com.br

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Somos vira-latas?

O Rondoniense e a Síndrome do Vira-latas


Ricardo Augusto*


Os moradores daqui desenvolveram uma variante pior da supracitada síndrome do underground: temos o terrível complexo de vira-latas, já mencionado pelo Anjo Pornográfico.

Certo dia em conversa com um amigo meu, iniciamos uma discussão acerca de determinada banda musical, sobre seus estilos e a sua evolução ao passar dos anos. Ao final do diálogo, concluímos que o grupo havia se tornado ruim, não por conta da música ter se deteriorado, ou dos novos membros não possuírem o talento necessário; ela havia cometido o pecado mortal de se tornar famosinha, e por conta disso seus novos seguidores não mereciam ouvir tal música.

Pra falar a verdade, provavelmente que todo brasileiro possui um pouco do que costuma se chamar de síndrome do underground. Tudo aquilo que se torna relevante pra um número maior de pessoas acaba incomodando os que originalmente tinham aquilo como algo interessante. O curioso é que esse comportamento social não acontece só no âmbito cultural, e porto velho é a prova cabal de que tal pensamento peculiar é comum também regionalmente falando. Rondônia sempre foi considerada (por seus moradores, claro) a jóia da Amazônia, uma cidade extremamente verde e de exuberância comparável somente aos cenários paradisíacos da nova Zelândia. Os moradores desse pedaço do Brasil costumam dizer que “lugar melhor não há” e, em particular os que moram em porto velho, que “quem bebe das águas do madeira não sai mais daqui”.

Pura tolice. Os moradores daqui desenvolveram uma variante pior da supracitada síndrome do underground: temos o terrível complexo de vira-latas, já mencionado pelo Anjo Pornográfico. Rondônia é bom justamente porque é ruim. Com a vinda das verbas do PAC veio a notoriedade que nós não queríamos; todos (inclusive nós mesmos) veriam nossas ruas esburacadas, os viadutos que não levam a lugar nenhum, que servem apenas como monumentos ao fracasso, e a maior concentração de bizarrices dos três poderes, no âmbito municipal, Estadual e Federal. O anonimato e a irrelevância no cenário nacional nos permitiam esquecer, digamos , do índice de desmatamento, que só em fevereiro de 2011, que atingiu quase 56% de toda a região amazônica.

Agora, com toda a mídia nacional olhando para nossas nucas, temos de agüentar o tempo inteiro os noticiários se horrorizarem com as condições desumanas de trabalho nas Usinas, ouvir especialistas dissertando acerca dos atritos entre os barrageiros e seus empregadores, que causam pesadelos a todo e qualquer analista/assessor de tribunal (que, sejamos francos, que é quem de fato acaba fazendo o trabalho dos juízes, procuradores e conselheiros). O Rondoniense médio se pergunta onde foi parar a beleza do rio madeira, das três caixas d’água e do céu, ‘sempre azul’ como diz nosso hino. Então, olha pra janela e vê que está tudo ali onde sempre esteve.

Natural que a reação de alguns seja “não sabem o que estão falando”, ou “se não gosta daqui vá embora”. Queremos continuar com aquele jeito mambembe de ex-território, sem ninguém falar que o lixo que nos cerca não cheira muito bem. Mal sabemos que quem vem de fora sabe exatamente o que está falando, e só não vai embora porque é mais fácil tirar o dinheiro do rondoniense porque ele se preocupa mais em reclamar. O que importa é que o progresso está chegando às mais longínquas partes do Brasil, e nessa longa estrada esburacada está o nosso estado. Não somos uma metrópole e não podemos pensar que num futuro próximo sejamos. Não sou muito otimista com relação ao progresso da região, por conta do problema que nenhum poder ou investimento pode consertar em curto prazo: o próprio rondoniense.



*bacharel, professor de inglês e matemática, técnico em informática nas horas vagas e adepto da filosofia de que quem faz de tudo um pouco não faz nada direito.


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Estão destruindo Porto Velho e não fazemos nada...

Parabéns para nós que não fazemos nada!!

Não podemos aceitar o tratamento desrespeitoso a que está sendo submetida a nossa Capital, Porto Velho.



Hoje, gritamos. Chutamos a inércia. Acordamos para a consciência de que a inércia, às vezes, pode ser um movimento de profunda traição e abandono àquilo que amamos. Então, urge agir. Não podemos aceitar o tratamento desrespeitoso a que está sendo submetida a nossa Capital, Porto Velho.

Nós, comedores de Pimelodus spp, honrosamente chamado de mandi, e farinha, além de tantas outras iguarias portovelhenses, não pactuamos com o estado de coisas que assolam este território do Madeira. Aliás, umas das paisagens mais lindas do Brasil.

Quando visitou Porto Velho, Drummond nos disse que tinha um buraco no meio do caminho e que no meio do caminho tinha um buraco. Na nossa ignorância, não percebemos a mensagem que o Poeta de Itabira havia nos deixado. Só nos lembramos dele quando tivemos o dissabor de arrebentar a junta homocinética nos tantos buracos que estão distribuídos por quase todos as nossas ruas. Assim, vivemos a ironia do homem enganado: pagamos tributos para ter uma rua sem buracos e, por causa de cem buracos na rua, pagamos mais ao consertar nosso transporte.

Mas não vimos para falar apenas dos buracos. Até porque o que é notório não precisa de muitas palavras para ser compreendido: o saudoso Porto do Velho se tornou um manancial de mazelas. Por ora, indagamos por que nossa Capital é forte candidata a ganhar o título de campeã de obras inacabadas.

O trecho entre a Av. Caúla e Av. Guaporé demorou mais de três anos para ser transitável e não vemos nada que possa dizer que algo lá foi feito. Não há placas, não há faixas na rua. O trevo é um monte de terra, mato e um ferro ao centro. A feiúra só não é maior porque Macunaíma já levou essa honraria.

Visitamos a “Praça do Baú”, no coração de Porto Velho, a qual passou mais de ano em reforma, e constatamos que não existe de fato uma praça visitável. O chafariz se tornou uma fonte de lodo e podridão. Apenas um peixe suicida ou condenado à pena de morte seria capaz de lá residir. Como podemos levar os filhos para passear num lugar desses? E a reforma? Será que, quando falou em “reforma”, Lutero pensou em outra coisa que não fosse melhoria de uma situação? Será que reforma agora é fazer uma não-forma-do-mesmo? E essa constante se aplica a todas aos outros locais em que se fizeram reforma nesta paragem Karipuna.

Os viadutos que seriam, sem dúvida, o cartão postal de qualquer cidade, no nosso caso, se tornaram uma máquina de tortura kafkiana. E todo mundo, sem sabe o porquê, é diuturnamente constrangido a ficar por horas preso no trânsito contemplando a causa da tortura: uma obra que aparenta já estar concluída. E vamos para o inexorável: uma obra fundamental para tráfego de Porto Velho que vai ser concluída nas calendas gregas (dia de São Nunca), por si só, demonstra o desrespeito com o cidadão.

De outro lado, não podemos concluir, pelos simples fato de as obras de Porto Velho amarem a inconclusão, que amamos o sofrimento. Toda forma de tortura merece repúdio.

No caso específico dos viadutos, talvez digam que a chuva ou as desapropriações estão atravancando o caminho. Mas há de pensar que a engenharia permite a construção de pontes quilométricas sobre o mar e, nesse processo, em momento algum é preciso secá-lo. Parece óbvio. Por isso cremos que alguém está vendo demais ou somos todos cegos. Quanto às desapropriações, não há dúvida de que o interesse público transcende qualquer interesse individual e que as indenizações pelo Poder Público têm a finalidade de compor eventuais prejuízos. Assim, esses viadutos não podem durar uma existência para serem concluídos. Ou pensam que passaremos a ser passarinhos para trafegar naqueles entroncamentos.

E pior. Talvez passaremos pela vergonhosa situação de ver o Japão (país devastado por inúmeros terremotos, inclusive seguidos de tsunami), em pouco mais de um ano, ser totalmente reconstruído, enquanto isso, na Terra banhada pelo Madeira, algumas poucas obras não conseguem chegar ao término.

Não precisamos, se for o caso, ir longe. Basta olharmos um pouco para a Capital vizinha (Rio Branco) que em pouco mais de um ano construiu uma terceira margem para o tráfego daquela localidade. Uma vasta pista com uma pomposa ponte, digna de foto e tudo mais. Já por estes rincões, a foto no viaduto parece que quer aguardar mais.

Contudo, nós não podemos mais aguardar na dor esse porvir torturante. As obras são inacabadas, além de outros motivos, porque nós nos tornamos meros espectadores do inconcluso e do mal trato com nossa cidade. Porto Velho não podemos mais ficar na inércia a pactuar com o trottoir do descaso que paulatinamente está destruindo esta cidade. Um cenário dantesco que, por mais que se mostre grandioso nos efeitos negativos, jamais será maior que o retumbante amor que temos por esta Capital. E o nosso grito não é para que Porto Velho se torne uma Pasárgada ou uma terra com macieiras da Califórnia. A foz é ontologicamente outra: Porto Velho não pode continuar a ser a capital mais feia do Brasil. Acreditamos que a riqueza humana e material que permeiam esta terra deve refletir umbilicalmente no trato da nossa cidade. E isso é uma função de todos.

Também registramos, de forma contundente, que a nossa única bandeira é Porto Velho, sem qualquer titubeação político-partidária. Por isso, não queremos atirar pedra em nenhuma Geni. A responsabilidade por esta cidade não é do Chapolin ou do Policarpo Quaresma: é nossa.


Queremos Porto Velho melhor para nós e para nossos filhos; e, por isso, lutaremos.

Eis a nossa indignação.

Ação Popular: Respeitem Porto Velho!

Matéria copiada dos sites www.tudorondonia.com.br e www.rondoniaovivo.com.br no dia 04 de abril de 2011.

Dizeres da faixa: "O Japão, após os terremotos, ficará pronto em um ano. E os nossos viadutos? Que vergonha!!!"

terça-feira, 22 de março de 2011

Não leiam queridos alunos, não façam isso! Apenas obedeçam! O conhecimento lhes fará muito MAL.


LER DEVIA SER PROIBIDO


Guiomar de Grammon*


A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.

Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?

Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.

Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.

Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.

Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.

O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?

É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova... Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.

Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos. Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil. Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos... A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida. Ler pode tornar o homem perigosamente humano.


*In: PRADO, J. & CONDINI, P. (Orgs.). A formação do leitor: pontos de vista. RJ: Argus, 1999. p.71-3.

O poder de transformação da leitura (ENEM) - Trecho de uma aula de Redação dada no Terceirão do João Bento.

segunda-feira, 21 de março de 2011

A revolta nas usinas por Júlio Nascimento


A revolta das usinas em Porto Velho


Essa revolta de todos desses operários que trabalham nas construções de ambas as usinas já era esperada desde o momento que foi falado que elas iriam ser construídas, porém a população tanto de Porto Velho quanto de Jaci - Paraná não esperava que isso acontecesse tão cedo assim. Mais a pergunta que a população de ambas as cidades não conseguem uma resposta concerta, é o porquê dessa revolta toda da parte dos operários da usina de Jaci - Paraná? Será que é por motivos salariais ou será apenas uma boba briga entre um motorista e um operário?

Não vou mentir quando digo que sempre fui contra a construção dessas usinas no Estado, porém o que eu sou perante várias pessoas que se dizem importantes perante POLITICA SUJA que ronda o país. Todos temos ciência que tais construções vão trazer certos benefícios para a cidade, porém onde estão as provas de que tais benefícios serão revertidos para o Estado? Creio que quando tal assunto é tocado todos se calam por não possuir uma resposta certa. Tanto a Cachoeira de Santo Antônio quanto a Cachoeira de Teotônio eram pontos turísticos para a nossa cidade e até mesmo para o nosso Estado, porém agora quando você vai atrás dessas belezas no lugar você encontra apenas maquinários, nem ao menos se consegue ouvir aquele barulho de correnteza.

E daí que essas usinas vão trazer benefício para a cidade? Na verdade não podemos dizer que é benefício, pois se pararmos para analisar bem a situação e formos falar de uma forma percentual estaremos utilizando apenas de 3% a 7% da energia gerada tanto na usina de Jirau quando na usina de Santo Antônio. Quanto aos outros 97% a 93% vão ser distribuído para um país que nem ao menos sabe que a região Norte também faz parte do país, um país que abre a boca pra falar da região Norte de uma forma que parece que não possui uma população civilizada. Enquanto eles podem dizer de boca cheia que são da região Sul, Sudeste, Centro Oeste e Nordeste e quando chega nessa região Norte falam de uma forma que parecem que não sabem que existem outros estados a não ser o deles, nós podemos dizer de boca cheia que daqui a alguns anos ou até mesmo meses parte da energia que eles usufruem vem da nossa região.

Então quero dizer para as pessoas dessa cidade, vamos parar de pensar um pouco nos benefícios que algo pode trazer para nossa cidade ou até mesmo para o estado e vamos começar a ser um pouquinho mais egoístas e pensarmos em nós mesmos. Pois é por causa disso que hoje estamos passando por esse momento onde não podemos colocar nossas caras para fora de nossas casas sem ter medo de ser assaltado por alguém que diz que veio à cidade em busca de trabalho nas usinas, e o que é pior é que nem ao menos possuímos a certeza de não iremos passar novamente por isso futuramente quando as usinas terminarem de ser construídas.



Júlio Nascimento - Acadêmico do curso de Direito (Uniron)

sexta-feira, 11 de março de 2011

Os haitianos estão chegando...


Brasil e Haiti: Aqui só nos faltam os Terremotos


Professor Nazareno*


A cidade de Porto Príncipe, capital do Haiti, foi sacudida em 2010 por um violento terremoto de magnitude absurda que causou a morte de quase meio milhão de pessoas e provocou prejuízos incalculáveis àquele paupérrimo país caribenho. Disso, muita gente ficou sabendo. Sabemos também que este país é o mais pobre das Américas e um dos mais pobres do mundo. Seu PIB é baixíssimo assim como o seu IDH. Grande parte de sua gente é descendente de escravos e a nação ocupa a porção ocidental de uma ilha. Tem uma população de quase nove milhões de habitantes espremidos numa área territorial pouco maior do que o Estado de Sergipe, o menor entre os estados brasileiros.

O Brasil, desde o ano de 2004, lidera no Haiti vários militares através da Minustah, sigla em francês para Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti. Sem ter muito que fazer em nosso país, as nossas Forças Armadas, por meio do “Governo dos Companheiros”, ainda mantêm cerca de mil e duzentos militares que se revezam periodicamente para ficar no Mar das Antilhas. O que muita gente não sabe é que se for feita uma hipotética comparação entre o Brasil e aquela nação caribenha e que envolva governo, política, cultura, tradição e história, certamente nós vamos perder feio em qualquer um desses itens comparados. Por isso, devemos receber bem os haitianos que chegarem a Porto Velho, pois eles são superiores a nós em quase tudo.

A começar pela língua falada. A maioria dos haitianos se expressa em Francês, língua muito mais importante do que o Português junto à comunidade internacional, e quase todos os habitantes falam Krèyol (Crioulo), a outra língua oficial da nação. O Inglês é cada vez mais falado entre os jovens e no setor empresarial. Devido à proximidade com a República Dominicana, o uso do Espanhol também é muito incentivado. Por isso existe um número cada vez mais crescente de haitianos bilíngües ou trilíngües. No Brasil, mal falamos o Português. Línguas como Inglês, Espanhol ou Francês têm tanta importância entre os brasileiros quanto o idioma Grego na Rússia ou o Húngaro na Austrália. Sempre fomos um país de analfabetos, isso sim.

O Brasil aboliu a Escravidão em 1.888 enquanto no Haiti isso aconteceu quase cem anos antes. A nossa Independência veio em 1.822, dezoito anos após os haitianos se libertarem da França. E nos dois casos, tanto a Abolição como a Independência mostram a superioridade daquele povo sobre nós. Lá os movimentos nasceram no seio do povo como desejo de libertação e de preservação das identidades nacional, lingüística e cultural e da vontade de conquistar a autodeterminação do seu povo. Aqui, quando vem alguma mudança, os movimentos nascem da elite, em gabinetes, e em conluio com interesses espúrios num desejo absurdo de manter os pobres subjugados à vontade dos ricos. Há mais de cinco séculos é assim. Nada muda. Nada parece mudar.

Além do mais, o Haiti é um país renegado pelo mundo. Foi o resultado de intervenções, massacres e ocupações que sempre tentaram calar a primeira república negra do mundo. Os haitianos pagam diariamente por esta ousadia. Por lá cresce diariamente o ódio contra “a intervenção brasileira”. Então, o que o Brasil fez em sete anos de ocupação no país? Absolutamente nada, pois as casas feitas de areia, a falta de hospitais, a falta de escolas, o lixo são problemas corriqueiros agravados com o terremoto e que não foram resolvidos com a presença de milhares de militares estrangeiros. Com tantos “Haitis” por aqui, os nossos militares deviam se acanhar e voltar para casa. Talvez ajudassem a atenuar os nossos problemas: dengue, violência nas ruas, miséria, lixo, corrupção. Porém, receber estrangeiros nem sempre é um bom negócio. Esses imigrantes caribenhos sabem fazer textos críticos? Eu, por exemplo, sou um "estrangeiro" por aqui e muitos rondonienses me odeiam. E se pudesse escolher imigrantes preferiria escoceses, suíços, ingleses, alemães, norte-americanos, holandeses, e escandinavos a haitianos. E se eles não gostarem de dançar "Boi"? Uma tragédia.

Cerca de seis milhões de haitianos vivem na miséria total. No Brasil são quase 50 milhões, ou seja, oito vezes mais. No Haiti isso é normal enquanto aqui devia ser imoral, já que somos a sétima economia do planeta. Déspotas, políticos ladrões, corrupção no Estado, compra de votos, intimidação de opositores, democracia relativa, epidemias, falta de saneamento básico, desmandos, incompetência das autoridades, mentalidade golpista dos militares, burrice institucionalizada, adoração a futilidades e passividade do povo são itens em que só empatamos. Por isso, os haitianos, que já estão chegando aos montes ao Estado de Rondônia, se sentirão em casa em Porto Velho. Devemos, insisto, dar as boas vindas aos nossos irmãos caribenhos e mandá-los para um quartel qualquer, já que o Brasil mandou militares ao país deles para que pudéssemos pleitear uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU e só conseguiu até agora atrair levas de cidadãos desempregados para o nosso país. Outro dia fui abordado por um brasileiro em plena Rua Jatuarana, Zona Sul de Porto Velho, pedindo-me dinheiro para comprar arroz. Entendi por que muitos dizem que o Haiti é aqui mesmo.



*Leciona em Porto Velho

segunda-feira, 7 de março de 2011

Você gosta de Carnaval?


Carnaval Devia Ser Proibido



Professor Nazareno*


           
            A jornalista Rachel Sheherazade, da TV Tambaú de João Pessoa, Paraíba, gerou muita polêmica na internet depois que um comentário seu falando sobre o carnaval foi postado no You Tube. Em apenas cinco dias, mais de 300 mil acessos já haviam sido feitos. Mas infelizmente pouco ou nada adianta tentar "abrir a mente" das pessoas envolvidas com a festa de momo. A imbecilidade reina geral. O país inteiro está ensandecido pela sacanagem, pela apologia às drogas, pela violência sem fim e pela falsa alegria que reina nestes dias de euforia. Por que a nação tem que parar durante quase uma semana apenas para brincar o carnaval? Por que quase ninguém quer trabalhar neste período? Por que ruas inteiras são interditadas? Será que o Estado gasta dinheiro público com a folia? Por que povo e político se juntam animados na festa?
            Em Porto Velho também há carnaval. E dos piores. A festa daqui é uma imitação tosca, ridícula e mal feita dos carnavais de outras praças. É uma espécie de excrescência do nada, uma apologia ao ridículo, ao absurdo. E violento. Muito violento mesmo. O Hospital de Pronto Socorro João Paulo Segundo, por exemplo, em apenas três dias de comemorações e festejos realizou nada menos do que 640 atendimentos, dos quais 99 foram por acidentes de trânsito, 17 acidentes de trabalho, 19 agressões físicas, 04 acidentes domésticos, 45 quedas, 20 ferimentos por armas de fogo, 11 ferimentos por arma branca, uma intoxicação, entre outros. Foram registrados entre sexta-feira à noite e segunda-feira pelo menos oito óbitos e 22 procedimentos cirúrgicos. Gasto evitável do nosso dinheiro. O nosso mais importante "açougue" esteve movimentado ultimamente.
            Estes números tenebrosos podem dobrar visto que ainda faltam quase dois dias de folia. E a maioria dos rondonienses e porto-velhenses não se acanha em sair por aí se drogando e pulando feito macacos no meio da rua. São homens vestidos de mulheres e mulheres quase nuas, a maioria bêbados e drogados. Os babacas se esquecem de que moramos numa cidade suja e imunda, sem saneamento básico, sem água tratada, sem escolas públicas de qualidade, sem hospitais públicos decentes e quase também sem homens públicos honestos. Se apenas dez por cento destes foliões ridículos tivessem massa cinzenta ou fossem minimamente politizados, poderiam exigir das autoridades que estão espertamente presentes também ali no meio da festa, mais ações para resolver os nossos infinitos problemas. Isso é o carnaval: todos juntos na estupidez coletiva
            Quem teve coragem suficiente para ir à Avenida em Porto Velho, não viu muita coisa. Escolas de sambas sem harmonia, sem ritmo, sem adereços, sem temas importantes, com puxadores de samba roucos e desafinados que não sabem cantar direito. Quase todas as escolas estavam atrasadas, sem brincantes, com fantasias feias e derretendo na chuva fina que caía. Nunca entendi porque nossas gordas passistas têm as pernas tortas e cheias de manchas de ferradas de insetos. Nenhuma delas sabe sambar, se vestem mal e estão sempre às voltas com enxames de mosquitos voando por perto. Deve ser por causa do fedor que exala de seus corpos mal feitos e suados. Em suma: o carnaval de Porto Velho é um espetáculo horrendo, maçante, ridículo e sem sentido. Algo que nem devia existir. Os organizadores desta "desorganização absurda" devem sentir muita vergonha quando tudo acaba. Espetáculo de idiotas para idiotas. É isso.
            Se esta porcaria é cultura, dá para entender por que em Porto Velho não existe nenhuma cultura de futuro. Eu até que poderia ter ido a um retiro, mas tenho a certeza de que o diabo, ao sair da Avenida dos Imigrantes, vai dormir nestes retiros que também são freqüentados, em sua maioria, por imbecis e feitos sob medida para otários.  Com todos estes gastos inúteis, seria muito bom que o dinheiro público jamais fosse usado para turbinar estas festas patéticas. Com Manelão ou sem ele, carnaval por aqui sempre foi uma grande farsa, uma mentira para enganar trouxas. A presepada da tal "Banda-do-Vai-Quem-Quer", que a despeito da morte do seu "general", saiu normalmente no sábado de carnaval, sempre foi um engodo que se nunca flertou com o erário público, só serve para ajudar na lotação dos poucos e despreparados hospitais do lugar. Carnaval é a cultura do sangue misturado ao álcool e outras drogas. Por isso, é dever de qualquer um governante sério pôr fim a esta festa mundana e idiota que tantos transtornos traz ao trabalhador brasileiro e que ajuda a propagar a falsa idéia de alegria desse povão broco.



 *É Professor em Porto Velho.