
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Quem é o Filho do Madeira? Quem quer me calar?

sexta-feira, 8 de abril de 2011
Somos vira-latas?
O Rondoniense e a Síndrome do Vira-latas
Ricardo Augusto*
Os moradores daqui desenvolveram uma variante pior da supracitada síndrome do underground: temos o terrível complexo de vira-latas, já mencionado pelo Anjo Pornográfico.
Certo dia em conversa com um amigo meu, iniciamos uma discussão acerca de determinada banda musical, sobre seus estilos e a sua evolução ao passar dos anos. Ao final do diálogo, concluímos que o grupo havia se tornado ruim, não por conta da música ter se deteriorado, ou dos novos membros não possuírem o talento necessário; ela havia cometido o pecado mortal de se tornar famosinha, e por conta disso seus novos seguidores não mereciam ouvir tal música.
Pra falar a verdade, provavelmente que todo brasileiro possui um pouco do que costuma se chamar de síndrome do underground. Tudo aquilo que se torna relevante pra um número maior de pessoas acaba incomodando os que originalmente tinham aquilo como algo interessante. O curioso é que esse comportamento social não acontece só no âmbito cultural, e porto velho é a prova cabal de que tal pensamento peculiar é comum também regionalmente falando. Rondônia sempre foi considerada (por seus moradores, claro) a jóia da Amazônia, uma cidade extremamente verde e de exuberância comparável somente aos cenários paradisíacos da nova Zelândia. Os moradores desse pedaço do Brasil costumam dizer que “lugar melhor não há” e, em particular os que moram em porto velho, que “quem bebe das águas do madeira não sai mais daqui”.
Pura tolice. Os moradores daqui desenvolveram uma variante pior da supracitada síndrome do underground: temos o terrível complexo de vira-latas, já mencionado pelo Anjo Pornográfico. Rondônia é bom justamente porque é ruim. Com a vinda das verbas do PAC veio a notoriedade que nós não queríamos; todos (inclusive nós mesmos) veriam nossas ruas esburacadas, os viadutos que não levam a lugar nenhum, que servem apenas como monumentos ao fracasso, e a maior concentração de bizarrices dos três poderes, no âmbito municipal, Estadual e Federal. O anonimato e a irrelevância no cenário nacional nos permitiam esquecer, digamos , do índice de desmatamento, que só em fevereiro de 2011, que atingiu quase 56% de toda a região amazônica.
Agora, com toda a mídia nacional olhando para nossas nucas, temos de agüentar o tempo inteiro os noticiários se horrorizarem com as condições desumanas de trabalho nas Usinas, ouvir especialistas dissertando acerca dos atritos entre os barrageiros e seus empregadores, que causam pesadelos a todo e qualquer analista/assessor de tribunal (que, sejamos francos, que é quem de fato acaba fazendo o trabalho dos juízes, procuradores e conselheiros). O Rondoniense médio se pergunta onde foi parar a beleza do rio madeira, das três caixas d’água e do céu, ‘sempre azul’ como diz nosso hino. Então, olha pra janela e vê que está tudo ali onde sempre esteve.
Natural que a reação de alguns seja “não sabem o que estão falando”, ou “se não gosta daqui vá embora”. Queremos continuar com aquele jeito mambembe de ex-território, sem ninguém falar que o lixo que nos cerca não cheira muito bem. Mal sabemos que quem vem de fora sabe exatamente o que está falando, e só não vai embora porque é mais fácil tirar o dinheiro do rondoniense porque ele se preocupa mais em reclamar. O que importa é que o progresso está chegando às mais longínquas partes do Brasil, e nessa longa estrada esburacada está o nosso estado. Não somos uma metrópole e não podemos pensar que num futuro próximo sejamos. Não sou muito otimista com relação ao progresso da região, por conta do problema que nenhum poder ou investimento pode consertar em curto prazo: o próprio rondoniense.
*bacharel, professor de inglês e matemática, técnico em informática nas horas vagas e adepto da filosofia de que quem faz de tudo um pouco não faz nada direito.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Estão destruindo Porto Velho e não fazemos nada...
Parabéns para nós que não fazemos nada!!
Não podemos aceitar o tratamento desrespeitoso a que está sendo submetida a nossa Capital, Porto Velho.
Nós, comedores de Pimelodus spp, honrosamente chamado de mandi, e farinha, além de tantas outras iguarias portovelhenses, não pactuamos com o estado de coisas que assolam este território do Madeira. Aliás, umas das paisagens mais lindas do Brasil.
Quando visitou Porto Velho, Drummond nos disse que tinha um buraco no meio do caminho e que no meio do caminho tinha um buraco. Na nossa ignorância, não percebemos a mensagem que o Poeta de Itabira havia nos deixado. Só nos lembramos dele quando tivemos o dissabor de arrebentar a junta homocinética nos tantos buracos que estão distribuídos por quase todos as nossas ruas. Assim, vivemos a ironia do homem enganado: pagamos tributos para ter uma rua sem buracos e, por causa de cem buracos na rua, pagamos mais ao consertar nosso transporte.
Mas não vimos para falar apenas dos buracos. Até porque o que é notório não precisa de muitas palavras para ser compreendido: o saudoso Porto do Velho se tornou um manancial de mazelas. Por ora, indagamos por que nossa Capital é forte candidata a ganhar o título de campeã de obras inacabadas.
O trecho entre a Av. Caúla e Av. Guaporé demorou mais de três anos para ser transitável e não vemos nada que possa dizer que algo lá foi feito. Não há placas, não há faixas na rua. O trevo é um monte de terra, mato e um ferro ao centro. A feiúra só não é maior porque Macunaíma já levou essa honraria.
Visitamos a “Praça do Baú”, no coração de Porto Velho, a qual passou mais de ano em reforma, e constatamos que não existe de fato uma praça visitável. O chafariz se tornou uma fonte de lodo e podridão. Apenas um peixe suicida ou condenado à pena de morte seria capaz de lá residir. Como podemos levar os filhos para passear num lugar desses? E a reforma? Será que, quando falou em “reforma”, Lutero pensou em outra coisa que não fosse melhoria de uma situação? Será que reforma agora é fazer uma não-forma-do-mesmo? E essa constante se aplica a todas aos outros locais em que se fizeram reforma nesta paragem Karipuna.
Os viadutos que seriam, sem dúvida, o cartão postal de qualquer cidade, no nosso caso, se tornaram uma máquina de tortura kafkiana. E todo mundo, sem sabe o porquê, é diuturnamente constrangido a ficar por horas preso no trânsito contemplando a causa da tortura: uma obra que aparenta já estar concluída. E vamos para o inexorável: uma obra fundamental para tráfego de Porto Velho que vai ser concluída nas calendas gregas (dia de São Nunca), por si só, demonstra o desrespeito com o cidadão.
De outro lado, não podemos concluir, pelos simples fato de as obras de Porto Velho amarem a inconclusão, que amamos o sofrimento. Toda forma de tortura merece repúdio.
No caso específico dos viadutos, talvez digam que a chuva ou as desapropriações estão atravancando o caminho. Mas há de pensar que a engenharia permite a construção de pontes quilométricas sobre o mar e, nesse processo, em momento algum é preciso secá-lo. Parece óbvio. Por isso cremos que alguém está vendo demais ou somos todos cegos. Quanto às desapropriações, não há dúvida de que o interesse público transcende qualquer interesse individual e que as indenizações pelo Poder Público têm a finalidade de compor eventuais prejuízos. Assim, esses viadutos não podem durar uma existência para serem concluídos. Ou pensam que passaremos a ser passarinhos para trafegar naqueles entroncamentos.
E pior. Talvez passaremos pela vergonhosa situação de ver o Japão (país devastado por inúmeros terremotos, inclusive seguidos de tsunami), em pouco mais de um ano, ser totalmente reconstruído, enquanto isso, na Terra banhada pelo Madeira, algumas poucas obras não conseguem chegar ao término.
Não precisamos, se for o caso, ir longe. Basta olharmos um pouco para a Capital vizinha (Rio Branco) que em pouco mais de um ano construiu uma terceira margem para o tráfego daquela localidade. Uma vasta pista com uma pomposa ponte, digna de foto e tudo mais. Já por estes rincões, a foto no viaduto parece que quer aguardar mais.
Contudo, nós não podemos mais aguardar na dor esse porvir torturante. As obras são inacabadas, além de outros motivos, porque nós nos tornamos meros espectadores do inconcluso e do mal trato com nossa cidade. Porto Velho não podemos mais ficar na inércia a pactuar com o trottoir do descaso que paulatinamente está destruindo esta cidade. Um cenário dantesco que, por mais que se mostre grandioso nos efeitos negativos, jamais será maior que o retumbante amor que temos por esta Capital. E o nosso grito não é para que Porto Velho se torne uma Pasárgada ou uma terra com macieiras da Califórnia. A foz é ontologicamente outra: Porto Velho não pode continuar a ser a capital mais feia do Brasil. Acreditamos que a riqueza humana e material que permeiam esta terra deve refletir umbilicalmente no trato da nossa cidade. E isso é uma função de todos.
Também registramos, de forma contundente, que a nossa única bandeira é Porto Velho, sem qualquer titubeação político-partidária. Por isso, não queremos atirar pedra em nenhuma Geni. A responsabilidade por esta cidade não é do Chapolin ou do Policarpo Quaresma: é nossa.
Queremos Porto Velho melhor para nós e para nossos filhos; e, por isso, lutaremos.
Eis a nossa indignação.
Ação Popular: Respeitem Porto Velho!
Matéria copiada dos sites www.tudorondonia.com.br e www.rondoniaovivo.com.br no dia 04 de abril de 2011.
Dizeres da faixa: "O Japão, após os terremotos, ficará pronto em um ano. E os nossos viadutos? Que vergonha!!!"
terça-feira, 22 de março de 2011
Não leiam queridos alunos, não façam isso! Apenas obedeçam! O conhecimento lhes fará muito MAL.
LER DEVIA SER PROIBIDO
Guiomar de Grammon*
A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova... Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.
Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos. Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil. Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos... A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida. Ler pode tornar o homem perigosamente humano.
*In: PRADO, J. & CONDINI, P. (Orgs.). A formação do leitor: pontos de vista. RJ: Argus, 1999. p.71-3.
O poder de transformação da leitura (ENEM) - Trecho de uma aula de Redação dada no Terceirão do João Bento.
segunda-feira, 21 de março de 2011
A revolta nas usinas por Júlio Nascimento
A revolta das usinas em Porto Velho
Essa revolta de todos desses operários que trabalham nas construções de ambas as usinas já era esperada desde o momento que foi falado que elas iriam ser construídas, porém a população tanto de Porto Velho quanto de Jaci - Paraná não esperava que isso acontecesse tão cedo assim. Mais a pergunta que a população de ambas as cidades não conseguem uma resposta concerta, é o porquê dessa revolta toda da parte dos operários da usina de Jaci - Paraná? Será que é por motivos salariais ou será apenas uma boba briga entre um motorista e um operário?
Não vou mentir quando digo que sempre fui contra a construção dessas usinas no Estado, porém o que eu sou perante várias pessoas que se dizem importantes perante POLITICA SUJA que ronda o país. Todos temos ciência que tais construções vão trazer certos benefícios para a cidade, porém onde estão as provas de que tais benefícios serão revertidos para o Estado? Creio que quando tal assunto é tocado todos se calam por não possuir uma resposta certa. Tanto a Cachoeira de Santo Antônio quanto a Cachoeira de Teotônio eram pontos turísticos para a nossa cidade e até mesmo para o nosso Estado, porém agora quando você vai atrás dessas belezas no lugar você encontra apenas maquinários, nem ao menos se consegue ouvir aquele barulho de correnteza.
E daí que essas usinas vão trazer benefício para a cidade? Na verdade não podemos dizer que é benefício, pois se pararmos para analisar bem a situação e formos falar de uma forma percentual estaremos utilizando apenas de 3% a 7% da energia gerada tanto na usina de Jirau quando na usina de Santo Antônio. Quanto aos outros 97% a 93% vão ser distribuído para um país que nem ao menos sabe que a região Norte também faz parte do país, um país que abre a boca pra falar da região Norte de uma forma que parece que não possui uma população civilizada. Enquanto eles podem dizer de boca cheia que são da região Sul, Sudeste, Centro Oeste e Nordeste e quando chega nessa região Norte falam de uma forma que parecem que não sabem que existem outros estados a não ser o deles, nós podemos dizer de boca cheia que daqui a alguns anos ou até mesmo meses parte da energia que eles usufruem vem da nossa região.
Então quero dizer para as pessoas dessa cidade, vamos parar de pensar um pouco nos benefícios que algo pode trazer para nossa cidade ou até mesmo para o estado e vamos começar a ser um pouquinho mais egoístas e pensarmos em nós mesmos. Pois é por causa disso que hoje estamos passando por esse momento onde não podemos colocar nossas caras para fora de nossas casas sem ter medo de ser assaltado por alguém que diz que veio à cidade em busca de trabalho nas usinas, e o que é pior é que nem ao menos possuímos a certeza de não iremos passar novamente por isso futuramente quando as usinas terminarem de ser construídas.
Júlio Nascimento - Acadêmico do curso de Direito (Uniron)
sexta-feira, 11 de março de 2011
Os haitianos estão chegando...
Brasil e Haiti: Aqui só nos faltam os Terremotos
Professor Nazareno*
A cidade de Porto Príncipe, capital do Haiti, foi sacudida em 2010 por um violento terremoto de magnitude absurda que causou a morte de quase meio milhão de pessoas e provocou prejuízos incalculáveis àquele paupérrimo país caribenho. Disso, muita gente ficou sabendo. Sabemos também que este país é o mais pobre das Américas e um dos mais pobres do mundo. Seu PIB é baixíssimo assim como o seu IDH. Grande parte de sua gente é descendente de escravos e a nação ocupa a porção ocidental de uma ilha. Tem uma população de quase nove milhões de habitantes espremidos numa área territorial pouco maior do que o Estado de Sergipe, o menor entre os estados brasileiros.
O Brasil, desde o ano de 2004, lidera no Haiti vários militares através da Minustah, sigla em francês para Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti. Sem ter muito que fazer em nosso país, as nossas Forças Armadas, por meio do “Governo dos Companheiros”, ainda mantêm cerca de mil e duzentos militares que se revezam periodicamente para ficar no Mar das Antilhas. O que muita gente não sabe é que se for feita uma hipotética comparação entre o Brasil e aquela nação caribenha e que envolva governo, política, cultura, tradição e história, certamente nós vamos perder feio em qualquer um desses itens comparados. Por isso, devemos receber bem os haitianos que chegarem a Porto Velho, pois eles são superiores a nós em quase tudo.
A começar pela língua falada. A maioria dos haitianos se expressa em Francês, língua muito mais importante do que o Português junto à comunidade internacional, e quase todos os habitantes falam Krèyol (Crioulo), a outra língua oficial da nação. O Inglês é cada vez mais falado entre os jovens e no setor empresarial. Devido à proximidade com a República Dominicana, o uso do Espanhol também é muito incentivado. Por isso existe um número cada vez mais crescente de haitianos bilíngües ou trilíngües. No Brasil, mal falamos o Português. Línguas como Inglês, Espanhol ou Francês têm tanta importância entre os brasileiros quanto o idioma Grego na Rússia ou o Húngaro na Austrália. Sempre fomos um país de analfabetos, isso sim.
O Brasil aboliu a Escravidão em 1.888 enquanto no Haiti isso aconteceu quase cem anos antes. A nossa Independência veio em 1.822, dezoito anos após os haitianos se libertarem da França. E nos dois casos, tanto a Abolição como a Independência mostram a superioridade daquele povo sobre nós. Lá os movimentos nasceram no seio do povo como desejo de libertação e de preservação das identidades nacional, lingüística e cultural e da vontade de conquistar a autodeterminação do seu povo. Aqui, quando vem alguma mudança, os movimentos nascem da elite, em gabinetes, e em conluio com interesses espúrios num desejo absurdo de manter os pobres subjugados à vontade dos ricos. Há mais de cinco séculos é assim. Nada muda. Nada parece mudar.
Além do mais, o Haiti é um país renegado pelo mundo. Foi o resultado de intervenções, massacres e ocupações que sempre tentaram calar a primeira república negra do mundo. Os haitianos pagam diariamente por esta ousadia. Por lá cresce diariamente o ódio contra “a intervenção brasileira”. Então, o que o Brasil fez em sete anos de ocupação no país? Absolutamente nada, pois as casas feitas de areia, a falta de hospitais, a falta de escolas, o lixo são problemas corriqueiros agravados com o terremoto e que não foram resolvidos com a presença de milhares de militares estrangeiros. Com tantos “Haitis” por aqui, os nossos militares deviam se acanhar e voltar para casa. Talvez ajudassem a atenuar os nossos problemas: dengue, violência nas ruas, miséria, lixo, corrupção. Porém, receber estrangeiros nem sempre é um bom negócio. Esses imigrantes caribenhos sabem fazer textos críticos? Eu, por exemplo, sou um "estrangeiro" por aqui e muitos rondonienses me odeiam. E se pudesse escolher imigrantes preferiria escoceses, suíços, ingleses, alemães, norte-americanos, holandeses, e escandinavos a haitianos. E se eles não gostarem de dançar "Boi"? Uma tragédia.
Cerca de seis milhões de haitianos vivem na miséria total. No Brasil são quase 50 milhões, ou seja, oito vezes mais. No Haiti isso é normal enquanto aqui devia ser imoral, já que somos a sétima economia do planeta. Déspotas, políticos ladrões, corrupção no Estado, compra de votos, intimidação de opositores, democracia relativa, epidemias, falta de saneamento básico, desmandos, incompetência das autoridades, mentalidade golpista dos militares, burrice institucionalizada, adoração a futilidades e passividade do povo são itens em que só empatamos. Por isso, os haitianos, que já estão chegando aos montes ao Estado de Rondônia, se sentirão em casa em Porto Velho. Devemos, insisto, dar as boas vindas aos nossos irmãos caribenhos e mandá-los para um quartel qualquer, já que o Brasil mandou militares ao país deles para que pudéssemos pleitear uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU e só conseguiu até agora atrair levas de cidadãos desempregados para o nosso país. Outro dia fui abordado por um brasileiro em plena Rua Jatuarana, Zona Sul de Porto Velho, pedindo-me dinheiro para comprar arroz. Entendi por que muitos dizem que o Haiti é aqui mesmo.
*Leciona em Porto Velho

