sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Em busca da Covid-19

Em busca da Covid-19

 

Professor Nazareno*

 

          A pandemia de Covid-19 ainda não acabou. A desenvolvida e civilizada Europa está enfrentando mais uma onda devastadora do vírus e hoje já é de novo o epicentro da doença. Os números de mortos e infectados só aumentam no velho continente. Com a chegada do inverno, e consequentemente muito frio, a tendência é que haja um aumento considerável de casos. A Áustria decretou recentemente um novo lockdown e a partir de fevereiro próximo deve tornar obrigatória a vacinação de todos os seus cidadãos. Os casos se multiplicam também na vizinha Alemanha, que segundo a chanceler Ângela Merckel, “estão fugindo do controle das autoridades”. O ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, disse melancolicamente que até o fim do inverno “os alemães estarão vacinados, curados ou até mortos”. O caos só aumenta em outros países do continente.

      O negacionismo tosco e as baixas taxas de vacinados em alguns países europeus podem estar por trás dessa nova e devastadora onda lá na Europa. “Agora é a pandemia dos não vacinados”, afirmam muitos cientistas. Com exceção de Portugal e Espanha, que têm uma taxa de quase 90 por cento de totalmente vacinados, a maioria das nações europeias ainda “patina” com taxas entre 60 e 70 por cento de seus cidadãos completamente imunizados. Essas taxas, no entanto, são até superiores às que se verificam no Brasil no momento, mesmo com uma adesão quase total dos nossos cidadãos à vacinação. A pandemia pode estar ainda muito longe do fim e muitas autoridades do país estão tomando medidas que vão de encontro ao que recomenda a ciência e a própria OMS. Precaução: “é preciso ter muita cautela antes de liberar tudo”.

          O público sem limites praticamente já liberado para os jogos de futebol, as festas de fim de ano, as muitas aglomerações, a liberação de missas e cultos religiosos, a desobrigação do uso de máscaras nas ruas, a proximidade da campanha eleitoral com comícios e mais ajuntamentos e a possível realização do Carnaval em fevereiro de 2022 podem turbinar e muito a presença do vírus entre nós a partir dos próximos meses. E pior: o número de doentes e mortos pode aumentar, pois haverá novos infectados e possivelmente novas variantes podem surgir e colocar todo o custoso processo de vacinação a perder. Em Rondônia, que tem registrado significativo aumento da doença, o número diário de óbitos está aumentando consideravelmente entre os não vacinados. Por isso, é preciso ter cuidado. As pessoas estão brincando, porém o vírus está atento.

Infelizmente as pessoas que morreram ultimamente em Rondônia, a maioria delas não tinha tomado nenhuma vacina ou simplesmente não tinha completado o esquema vacinal como a segunda dose ou a dose de reforço. É triste, mas o que mais se tem observado em Porto Velho, e em muitas outras cidades do país, são pessoas agindo como se nunca tivesse havido a Covid-19. Parece que o Brasil nem perdeu até agora mais de 613 mil pessoas vítimas desta lastimável pandemia. A irresponsabilidade dos governantes e também da grande maioria da população pode fazer tudo voltar à estaca zero. Algo bom: a Banda do Vai Quem Quer de Porto Velho fez a sua primeira coisa louvável na vida: não vai desfilar em 2022 por causa da pandemia. Assim como muitos outros blocos de Carnaval daqui. E em várias outras cidades do país já suspenderam a folia. Parece que em meio a tanto caos, agonia e mortes, ainda há uma tênue esperança.

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho

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