terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

A felicidade mora é aqui



A felicidade mora é aqui

Professor Nazareno*

            Outro dia ouvi falar que o país mais feliz do mundo é a Dinamarca. Lá, a qualidade de vida é uma das mais altas que se conhece e a desigualdade social é quase inexistente, segundo o Coeficiente de Gini. Os serviços públicos funcionam perfeitamente, quase não há violência entre os dinamarqueses, o sistema de saúde é fenomenal, o sistema de educação, quase toda pública, é um dos melhores do planeta e a grande maioria da população vive feliz. Não conheço a realidade daquele país escandinavo, mas discordo da maioria destes indicadores. O país cuja população é a mais feliz do mundo é o Brasil com toda a certeza. Só o fato de este país ser administrado há quase duas décadas pelo PT, o Partido dos Trabalhadores, e apoiado pelo PMDB, já dá a ideia aproximada do alto nível de felicidade do brasileiro comum.
            É na Dinamarca que existem duas ou três semanas de Carnaval todo ano? Eles têm o Carnaval fora de época? Eles dançam BOI? Lá existem bandas como uma de Porto Velho que coloca “orgulhosamente” quase metade da população de uma capital nas ruas? Neste país de boa qualidade de vida se distribui, como no Brasil, bebida alcoólica e outras drogas para o povo se divertir e ainda chamam esta aberração de cultura? Quantos feriados anualmente, por exemplo, existem nesta tal de Dinamarca? O sistema de saúde deste país escandinavo coloca “açougues” para atender à feliz e alegre população?Algum desinformado e pessimista vai dizer que lá, o sistema político funciona perfeitamente e que todos os políticos do país trabalham em beneficio do povo, que paga altas taxas de imposto. Aqui também se pagam muitos tributos, ora.
            Diferente do dinamarquês, o brasileiro quase sempre só vive rindo. Com sua imunda boca onde “metade dos dentes estão podres e a outra metade fede à bosta”, a maioria dos cidadãos daqui leva uma vida de hiena: comem carniça e riem. Muitos têm a síndrome da galinha choca: bota um ovo enorme, se rasga toda e ainda sai cantando alegre e feliz. No Brasil, povo e político vivem uma eterna simbiose de felicidade: um rouba, o outro é roubado e os dois acham que vivem no paraíso. Existe coisa mais feliz do que o nosso sistema de educação? Os nossos alunos só precisam de meio turno para estudar enquanto lá na “terra da felicidade” os jovens passam o dia na escola e quase não têm tempo para se divertir. Os dinamarqueses já ganharam 15 vezes o Prêmio Nobel e tiveram a maçada de dar entrevistas. Nós nos livramos desta tolice sem lógica.
A ponte do Öresund é linda. Liga o país à Suécia, tem 13 quilômetros, durante a noite é clara feito o dia, mas muitos falam mal dela: é muito difícil se suicidar lá. Como pode um país ser o mais feliz do mundo se os políticos não usam obras inacabadas para se eleger como os viadutos e o Espaço Alternativo de Porto Velho? Não é um horror viver num lugar assim? Dizem que os políticos de lá ganham muito pouco, trabalham feito condenados e vivem uma vida como a de qualquer outro cidadão. Dengue, Zika, Chikungunya e Microcefalia nem existem por lá e por isso mesmo ninguém pode falsificar atestados médicos. Um país onde a violência é quase zero e as cadeias estão sendo fechadas por falta de presidiários pode levar os policiais ao desemprego. Deus me livre morar num lugar onde a corrupção não existe. Vamos assistir a que tipo de noticiário? E como os políticos vão comprar a mídia fascista para se reelegerem? Não!




*É Professor em Porto Velho.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Cadê a escola de verdade?



Cadê a escola de verdade?

Professor Nazareno*

         No Brasil praticamente não existem boas escolas. Em nenhum dos níveis de ensino veem-se estabelecimentos de boa qualidade que mereçam qualquer destaque. Até mesmo no badalado sistema particular as escolas, que geralmente cobram fortunas em mensalidades e são endeusadas como a “Meca do saber”, a escassez de competência é visível. E isto, claro, tem um reflexo doloroso e negativo em toda a sociedade. A educação neste país nunca foi valorizada, ao contrário dos países civilizados do mundo desenvolvido. Para se ter um ideia, os Estados Unidos implantaram o sistema integral de ensino em suas escolas ainda no século dezenove. A maioria dos países da Europa Ocidental e o Japão o fizeram no início dos anos mil e novecentos. Basta olhar para as sociedades nestes países para ver o que estão colhendo com suas “plantações de saber”.
            O nosso país nunca ganhou um Prêmio Nobel, um Oscar, e nunca se destacou dentre as nações do mundo quando o assunto é tecnologia, informações e conhecimento de ponta apesar de há muito tempo figurar entre as dez maiores economias do planeta. Nossas escolas em geral são ridículas, atrasadas, defasadas, anacrônicas e quase sempre não ensinam nada a ninguém. Os governantes não investem o que deveriam no precário sistema de educação e a população também não cobra nada. Aqui, só o futebol e o Carnaval têm a simpatia de grande parte da estúpida população necessitada. A ética nacional tem sido levar vantagem em tudo e na educação, e em outros setores da vida nacional, quase sempre a exceção vira regra. Outro dia, por exemplo, fui perguntado se o Colégio João Bento da Costa, onde leciono há exatos 18 anos, é uma excelente escola.
            Respondi convictamente que não. Uma excelente escola que não tem laboratório de Física, Química, Biologia dentre outras disciplinas? Quase nenhum de seus muitos professores e funcionários tem doutorado, mestrado ou mesmo pós-graduação e por isso são muito mal remunerados, funciona em um mísero turno único, seus banheiros quase sempre estão sujos e imundos, as salas de aula não são confortáveis, seus alunos são obrigados a usar farda como se fosse um quartel e não tem um hospital de primeiros socorros apesar de ter mais de três mil alunos. O colégio João Bento de Porto Velho é uma escola como outra qualquer. O fato de “ano após ano” aprovar muitos alunos em universidades públicas espalhadas pelo país inteiro não justifica o uso do adjetivo EXCELENTE. É obrigação dos professores e alunos buscarem a excelência no ensino.
Ainda assim, a Escola João Bento de Porto Velho é uma exceção e devia ser a regra. Aqui, “não selecionamos nenhum aluno para estudar e temos apenas um único CNPJ”. Um aluno do terceiro ano de uma escola particular em Porto Velho custa hoje mais de dez mil reais por ano, cento e dez vezes mais do que um aluno do João Bento. Mas, apesar dos bons resultados no ENEM, apesar de aprovar só este ano de 2016 quase 500 alunos para várias universidades brasileiras, apesar de ser destaque dentre as escolas públicas locais, seus professores e funcionários ganham a mesma coisa que os professores e funcionários da pior escola de Rondônia. O Poder Público não incentiva a competência e parece que vê na meritocracia um obstáculo. Escola que não tivesse bom desempenho no ENEM, por exemplo, deveria ser chamada à responsabilidade e cobrada pelas autoridades. Fato doído: o JBC não é uma boa escola. Precisa melhorar. E muito.



*É Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Porto Velho “By Night”



Porto Velho “By Night”

Professor Nazareno*

            Paris, a elegante capital da França, recebe por ano mais de dez milhões de turistas. Roma, a cidade eterna, capital dos italianos e sede da Cidade do Vaticano, recebe cerca de sete milhões de pessoas a cada ano. Nova Iorque, Miami, Dallas dentre outras bonitas e importantes cidades do mundo recebem entre quatro e seis milhões de visitantes anualmente cada uma. Porto Velho, a imunda e fedorenta capital de Rondônia não recebe ninguém para lhe visitar. Pelo contrário, o turismo daqui é negativo: todos os anos cerca de 100 mil pessoas somem da cidade e procuram outros destinos turísticos. Mas não devia ser assim. Esta cidade poderia investir nesta área e driblar a crise que se avizinha. Lugares de grande importância para se visitar na “cidade das hidrelétricas” não faltam. Esta capital poderia encantar o mundo com sua rara beleza e seus atrativos.
            Se tivéssemos um ônibus daqueles que fazem “city tour” seria o máximo. O passeio começaria na Praça Madeira Mamoré. Quem não se encantaria ao ver a maior concentração de fezes humanas por metro quadrado? A destruição do acervo cultural pelas caudalosas águas do rio Madeira seria uma atração à parte. “Ainda há restos de lama podre em algumas peças históricas” diria o guia em várias línguas. “Onze milhões de reais foi quanto a administração petista gastou nesta praça para ela ficar desse jeito”. A segunda parada seria o cemitério de locomotivas. “É por causa deste cuidado e deste zelo que algumas autoridades de Porto Velho e de Rondônia pleiteiam a transformação da EFMM em Patrimônio da Humanidade”, diria o sorridente guia. A mãe de Rondônia foi estuprada, violentada, saqueada e abandonada no meio do mato.
            Outra parada fenomenal é a da ponte escura sobre o rio Madeira. “Mais de 200 milhões de reais foram gastos nesta obra que não tem nenhuma serventia. Liga o nada a coisa alguma e só serviu até agora para duas coisas: aumentar o número de suicídios na cidade e para subsidiar a farinha d’água que se produz no Projeto Joana d’Arc”. Se a visita fosse à noite, não haveria deslumbre maior. Difícil seria para os turistas entenderem por que as autoridades rondonienses receberam um serviço inacabado. “É a eficiência do DNIT”, diriam alguns entendidos. O Espaço Alternativo é outro colosso turístico de Porto Velho. “De todas as obras inacabadas desta cidade, esta é a segunda que mais elege políticos, só perdendo mesmo para os viadutos do PT”, diria o otimista guia. E por que o mundo não copia dos políticos este grande exemplo de patriotismo?
            Outra parada estratégica do nosso roteiro turístico poderia ser a hidrelétrica de Santo Antônio. Com sorte, os turistas poderiam ver algumas das rachaduras que dizem já existir naquela “segura” barragem. Um cardume de pacus ou outro peixe esmagado pelas turbinas poderia, para alegria dos visitantes, também ser visto boiando pelo rio. Os banzeiros assassinos seriam mais uma boa atração. Outros pontos de grande visitação pública por aqui seriam o lixo urbano, o açougue João Paulo Segundo, a rodoviária com seus banheiros imundos, o aeroporto internacional que não faz voo para nenhum lugar do mundo, os piscinões da Dengue, Zika e Chikungunya na Avenida Jorge Teixeira, o posto médico administrado por um cavalo e a paradisíaca Zona Leste da cidade. Mas para visitar este romântico bairro com mais segurança, só mesmo à noite. Já pensou tomar vinho Romanée-Conti e cerveja Brewdog na Avenida José Amador dos Reis?




*É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A volta do JK da Amazônia



A volta do JK da Amazônia

Professor Nazareno*

            Ainda não está totalmente definida a sua candidatura à Prefeitura de Porto Velho, mas o PT, Partido dos Trabalhadores, já anunciou o nome de ninguém menos do que Roberto Sobrinho para concorrer como pré-candidato ao posto de onde não deveria jamais ter saído há quase quatro anos. Roberto Sobrinho, o JK da Amazônia, o melhor prefeito que esta cidade já teve em todos os tempos pode ser candidato ao maior cargo da capital dos rondonienses. Outro dia eu disse que o Satanás era o protetor desta cidade e deste povo, mas me equivoquei. Porto Velho é uma cidade abençoada, uma cidade protegida por todos os deuses e divindades do universo. Se sair candidato e com justiça for eleito para nos administrar mais uma vez, o povo ordeiro, pacífico e politizado daqui ganhará um Prêmio Nobel. As academias sueca e norueguesa já podem ficar de olho.
            Para Porto Velho, Roberto Sobrinho não foi um prefeito propriamente dito. Foi um herói. Um ídolo das massas. Uma espécie de pai dos pobres. Um Deus. Um grande administrador, enfim. Foi uma espécie de Pereira Passos para o Rio de Janeiro ou um Jaime Lerner para Curitiba. Sobrinho, com sua administração ímpar, dinamizou a cidade. Pena que só ficou oito anos à frente do destino da “cidade das hidrelétricas”. Antes dele, ninguém sequer tinha ouvido falar na palavra viadutos. Nos últimos anos é impossível falar o nome desta capital sem associá-la a essas grandes obras, à magnífica infraestrutura e à excelente mobilidade urbana, tudo herança de sua inconfundível forma de administração. Nunca entendi por que hoje tanto se fala mal do PT, o seu honrado e dinâmico partido. Pelo amor de Deus, Sobrinho! Vença esta convenção e se candidate!
                Quanto às fofocas e conversas descabidas e sem provas no meio político, pode ficar tranquilo: Porto Velho inteira e os seus fiéis eleitores sabem de sua inocência e por isso jamais abandonariam um estimado líder. Esqueça a Operação Luminus. Aquilo pode ter sido um grande equívoco e como hoje ninguém da referida operação está preso ou devolveu alguma coisa para o Erário, entende-se que toda aquela “pirotecnia” não passou de perseguição política e de uma grande injustiça a quem tanto fez por todos os portovelhenses. As elites nacional e local não se conformam quando alguém sabiamente governa para os mais necessitados. Quem não se lembra de sua coragem ao enfrentar o fascismo da mídia interesseira? Quem não se lembra da arborização da cidade? A Avenida Jorge Teixeira se tornou uma espécie de “Jardins Suspensos da Amazônia”.
Cadê as mais de duas mil mudas de árvores plantadas onde hoje é o Espaço Alternativo? Cadê aquele transporte coletivo de primeiro mundo implantado em sua gestão? A abertura da Pinheiro Machado e da Sete de Setembro rasgando a cidade no sentido Oeste-Leste é uma obra inesquecível. As escrituras do maior programa de regularização fundiária do Brasil e talvez do mundo. Como esquecer? Com pouco dinheiro, os natais por aqui eram bem mais animados e também iluminados. Os funcionários da prefeitura ganhavam super bem naquela época. Mas se sua candidatura florescer mesmo há um pequeno problema: como substituir o “insubstituível” Mauro Nazif com a sua administração também de ouro? Como não é possível uma dobradinha entre vocês, o ideal seria que os conscientes eleitores votassem de uma só vez nos dois maiores ícones da atual política nacional: Eisenhower e Juscelino Kubitschek. Que bom.


*É Professor em Porto Velho.