quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

O Brasil só olha para cima


O Brasil só olha para cima

 

Professor Nazareno*

 

        Quase todas as pessoas no Brasil gostam de olhar para cima, pois além de ver um Deus inventado, veem também todas as soluções para os seus infinitos problemas. Em 2018, por exemplo, todos viram lá nas alturas, Jair Bolsonaro conversando com alguma divindade sobre o que fazer para “salvar” os brasileiros. E não tiveram nenhuma dúvida: ele, o “Mito”, deveria ser o escolhido para nos próximos quatro anos trazer bonanças aos sofridos habitantes do país. Em Porto Velho, muitas pessoas também têm este curioso hábito. Nos “céus de Rondônia”, muitos incautos viram o coronel Marcos Rocha lhes acenando como um anjo e não hesitaram em elevá-lo logo ao poder maior no Estado. “Este querubim abençoado vai construir um novo hospital de pronto socorro na capital e vai acabar com a pobreza neste lugar”, era a cantilena que todos repetiam.

      Durante a pandemia do Coronavírus, Jair Bolsonaro em Brasília e Marcos Rocha em Rondônia toda vez que olhavam para cima só viam caixas de Ivermectina e de Cloroquina para combater o maldito vírus. Parece que eles nunca viram uma vacina. E podem até não ter acabado com a doença, mas conseguiram distribuir gratuitamente toneladas desses medicamentos que não servem para evitar a Covid-19. Muitos políticos brasileiros também não viram nenhuma gravidade na pandemia mortífera. Para eles, os quase 620 mil mortos até agora e mais de 22 milhões de infectados não passam de invenção da mídia alarmista e antigoverno. Esses senhores só olhavam para cima à espera de dinheiro público para desviar. Até as terríveis enchentes causadas pelas chuvas no sul da Bahia não eram vistas. Nem das paradisíacas praias de Santa Catarina.

        Em Porto Velho, olhar para cima sempre foi também uma coisa normal. Isso devido a pouca ou nenhuma capacidade de raciocínio de seus acomodados moradores. “É que fazendo isso não vemos a sujeira nem a imundície que existem pelas ruas e avenidas da cidade”, disse um “esperto e politizado” eleitor de Hildon Chaves, o atual prefeito, que segundo alguns articulistas mais bem informados, “pode dar voos mais altos em Rondônia”. Assim, além de uma rodoviária nova, a capital brasileira da fedentina terá em breve cem por cento de saneamento básico, de água tratada e de mobilidade urbana. Viena, Zurique e Auckland na Nova Zelândia que se cuidem, pois vão em breve perder o posto de cidades mais limpas e organizadas do planeta. A ficção da política porto-velhense encanta a todos além de não permitir olhares mais criteriosos.

         A partir de 2022, o Brasil, Rondônia e Porto Velho certamente vão continuar a olhar para cima. É certo que não virá nenhum cometa para exterminar ninguém, mas certamente se viesse, somente os cidadãos evangélicos, os eleitores direitistas e os bolsonaristas e negacionistas seriam salvos da catástrofe anunciada. Porém, algumas pessoas dizem que em vez de um cometa descontrolado pode vir possivelmente em outubro próximo uma “estrela vermelha” de cunho socialista para derrotar todos os fascistas. E se este astro realmente cair em terras tupiniquins, de uma calamidade poucos se salvarão por aqui. O Ano Novo se aproxima e com ele vêm as eleições com as promessas nojentas de sempre. Mas o cometa destruidor já está por aqui há tempos e todos já conhecem muito bem o seu DNA: ou é mais fascismo e ameaças à nossa jovem democracia ou é a eterna roubalheira. Não olhe para cima, a mediocridade nos espreita.

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.


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