quinta-feira, 17 de março de 2022

Petrobras para presidente

Petrobras para presidente

 

Professor Nazareno*

 

Este ano de 2022 tem eleições para presidente da República. A disputa é grande e está muito polarizada principalmente entre o atual ocupante do cargo, o presidente Jair Bolsonaro da extrema-direita e o ex-presidente Lula da esquerda, que lideram todas as pesquisas até aqui. Porém, uma terceira via vem se organizando a duras penas para também concorrer ao pleito. O ex-juiz Sergio Moro, a senadora Simone Tebet do Mato Grosso do Sul, o governador paulista João Dória e Eduardo Leite governador gaúcho, dentre tantos outros, são candidatos e também alimentam esperanças de ocupar o palácio do Planalto. No entanto, a principal promessa dessa terceira via é a Petrobrás, a poderosa estatal do petróleo que sempre teve muito poder, manda em tudo sem ser incomodada. Durante o governo do Lula roubaram-na, mas esse escândalo castigou os petistas ladrões.

     E o Bolsonaro corre sérios riscos de não se reeleger nas próximas eleições por causa dos constantes aumentos de preços dos combustíveis. O país inteiro entra em polvorosa quando, por conta própria, a estatal anuncia novos reajustes. E quem determina esses aumentos escorchantes contra todo o povo brasileiro é a própria estatal e não o governo. O “Mito” dos brasileiros já disse publicamente que não manda na Petrobras nem na sua política de preços, embora o Estado seja o maior acionista dela. Assim, é o presidente quem nomeia ou demite o chefe maior daquela repartição. Ou seja, diante da estatal do petróleo, o presidente do país é uma espécie de “Zé Ninguém”, pois está de mão atadas e nada pode fazer. O Conselho de Administração é quem de fato manda. É esse conselho que determina a política de preços no país inteiro. Paga quem pode e ponto final.

      Com tanto poder assim, a Petrobras deveria ter um candidato próprio à Presidência da República. De tão importante que é, ninguém ganharia tantos votos. A estatal, no entanto, vive um drama freudiano: não é totalmente pública nem privada. E parece que ela é uma empresa do primeiro mundo e de países ricos, pois nota-se que ela não se preocupa com o drama dos cidadãos brasileiros mais pobres. Aumenta seus preços sem se incomodar com a inflação nem com a miséria e a fome que advêm para o país. As consequências dos reajustes é problema dos consumidores. Por isso, seus acionistas estão nadando em dinheiro. Só no ano de 2021 os lucros foram de quase 107 bilhões de reais. E como raríssimas autoridades desse país pagam do próprio bolso para abastecer os seus carrões, o martírio deve continuar ainda por muito tempo. Estamos é lascados desse jeito.

         Até os caminhoneiros, que se dizem politizados, são reféns da estatal. Pagam o preço que ela cobra pelos combustíveis e não têm coragem de parar o país. Muitos deles vão parar por que não têm como pagar para abastecer seus caminhões. Ou seja, vão mudar de ramo. As reclamações são feitas só nos dois primeiros dias. Depois vem a aceitação pacata sem nenhum pio. E a lorota de que a elevação dos preços dos combustíveis é por causa do mercado internacional não cola, pois quando o preço do barril de petróleo sobe lá fora, rápido aumentam os preços aqui dentro do país, mas quando esse valor cai, como agora, os preços não diminuem. O próprio presidente Bolsonaro, desolado e triste, disse isso esta semana. A Petrobras manda no presidente, manda no mercado, manda no STF, e até no Ministério Público, que quer indagar o presidente por causa das críticas que ele teria feito à política de preços da estatal. E para presidente, vote na Petrobras, a poderosa!

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

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