sexta-feira, 8 de abril de 2011

Somos vira-latas?

O Rondoniense e a Síndrome do Vira-latas


Ricardo Augusto*


Os moradores daqui desenvolveram uma variante pior da supracitada síndrome do underground: temos o terrível complexo de vira-latas, já mencionado pelo Anjo Pornográfico.

Certo dia em conversa com um amigo meu, iniciamos uma discussão acerca de determinada banda musical, sobre seus estilos e a sua evolução ao passar dos anos. Ao final do diálogo, concluímos que o grupo havia se tornado ruim, não por conta da música ter se deteriorado, ou dos novos membros não possuírem o talento necessário; ela havia cometido o pecado mortal de se tornar famosinha, e por conta disso seus novos seguidores não mereciam ouvir tal música.

Pra falar a verdade, provavelmente que todo brasileiro possui um pouco do que costuma se chamar de síndrome do underground. Tudo aquilo que se torna relevante pra um número maior de pessoas acaba incomodando os que originalmente tinham aquilo como algo interessante. O curioso é que esse comportamento social não acontece só no âmbito cultural, e porto velho é a prova cabal de que tal pensamento peculiar é comum também regionalmente falando. Rondônia sempre foi considerada (por seus moradores, claro) a jóia da Amazônia, uma cidade extremamente verde e de exuberância comparável somente aos cenários paradisíacos da nova Zelândia. Os moradores desse pedaço do Brasil costumam dizer que “lugar melhor não há” e, em particular os que moram em porto velho, que “quem bebe das águas do madeira não sai mais daqui”.

Pura tolice. Os moradores daqui desenvolveram uma variante pior da supracitada síndrome do underground: temos o terrível complexo de vira-latas, já mencionado pelo Anjo Pornográfico. Rondônia é bom justamente porque é ruim. Com a vinda das verbas do PAC veio a notoriedade que nós não queríamos; todos (inclusive nós mesmos) veriam nossas ruas esburacadas, os viadutos que não levam a lugar nenhum, que servem apenas como monumentos ao fracasso, e a maior concentração de bizarrices dos três poderes, no âmbito municipal, Estadual e Federal. O anonimato e a irrelevância no cenário nacional nos permitiam esquecer, digamos , do índice de desmatamento, que só em fevereiro de 2011, que atingiu quase 56% de toda a região amazônica.

Agora, com toda a mídia nacional olhando para nossas nucas, temos de agüentar o tempo inteiro os noticiários se horrorizarem com as condições desumanas de trabalho nas Usinas, ouvir especialistas dissertando acerca dos atritos entre os barrageiros e seus empregadores, que causam pesadelos a todo e qualquer analista/assessor de tribunal (que, sejamos francos, que é quem de fato acaba fazendo o trabalho dos juízes, procuradores e conselheiros). O Rondoniense médio se pergunta onde foi parar a beleza do rio madeira, das três caixas d’água e do céu, ‘sempre azul’ como diz nosso hino. Então, olha pra janela e vê que está tudo ali onde sempre esteve.

Natural que a reação de alguns seja “não sabem o que estão falando”, ou “se não gosta daqui vá embora”. Queremos continuar com aquele jeito mambembe de ex-território, sem ninguém falar que o lixo que nos cerca não cheira muito bem. Mal sabemos que quem vem de fora sabe exatamente o que está falando, e só não vai embora porque é mais fácil tirar o dinheiro do rondoniense porque ele se preocupa mais em reclamar. O que importa é que o progresso está chegando às mais longínquas partes do Brasil, e nessa longa estrada esburacada está o nosso estado. Não somos uma metrópole e não podemos pensar que num futuro próximo sejamos. Não sou muito otimista com relação ao progresso da região, por conta do problema que nenhum poder ou investimento pode consertar em curto prazo: o próprio rondoniense.



*bacharel, professor de inglês e matemática, técnico em informática nas horas vagas e adepto da filosofia de que quem faz de tudo um pouco não faz nada direito.


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Estão destruindo Porto Velho e não fazemos nada...

Parabéns para nós que não fazemos nada!!

Não podemos aceitar o tratamento desrespeitoso a que está sendo submetida a nossa Capital, Porto Velho.



Hoje, gritamos. Chutamos a inércia. Acordamos para a consciência de que a inércia, às vezes, pode ser um movimento de profunda traição e abandono àquilo que amamos. Então, urge agir. Não podemos aceitar o tratamento desrespeitoso a que está sendo submetida a nossa Capital, Porto Velho.

Nós, comedores de Pimelodus spp, honrosamente chamado de mandi, e farinha, além de tantas outras iguarias portovelhenses, não pactuamos com o estado de coisas que assolam este território do Madeira. Aliás, umas das paisagens mais lindas do Brasil.

Quando visitou Porto Velho, Drummond nos disse que tinha um buraco no meio do caminho e que no meio do caminho tinha um buraco. Na nossa ignorância, não percebemos a mensagem que o Poeta de Itabira havia nos deixado. Só nos lembramos dele quando tivemos o dissabor de arrebentar a junta homocinética nos tantos buracos que estão distribuídos por quase todos as nossas ruas. Assim, vivemos a ironia do homem enganado: pagamos tributos para ter uma rua sem buracos e, por causa de cem buracos na rua, pagamos mais ao consertar nosso transporte.

Mas não vimos para falar apenas dos buracos. Até porque o que é notório não precisa de muitas palavras para ser compreendido: o saudoso Porto do Velho se tornou um manancial de mazelas. Por ora, indagamos por que nossa Capital é forte candidata a ganhar o título de campeã de obras inacabadas.

O trecho entre a Av. Caúla e Av. Guaporé demorou mais de três anos para ser transitável e não vemos nada que possa dizer que algo lá foi feito. Não há placas, não há faixas na rua. O trevo é um monte de terra, mato e um ferro ao centro. A feiúra só não é maior porque Macunaíma já levou essa honraria.

Visitamos a “Praça do Baú”, no coração de Porto Velho, a qual passou mais de ano em reforma, e constatamos que não existe de fato uma praça visitável. O chafariz se tornou uma fonte de lodo e podridão. Apenas um peixe suicida ou condenado à pena de morte seria capaz de lá residir. Como podemos levar os filhos para passear num lugar desses? E a reforma? Será que, quando falou em “reforma”, Lutero pensou em outra coisa que não fosse melhoria de uma situação? Será que reforma agora é fazer uma não-forma-do-mesmo? E essa constante se aplica a todas aos outros locais em que se fizeram reforma nesta paragem Karipuna.

Os viadutos que seriam, sem dúvida, o cartão postal de qualquer cidade, no nosso caso, se tornaram uma máquina de tortura kafkiana. E todo mundo, sem sabe o porquê, é diuturnamente constrangido a ficar por horas preso no trânsito contemplando a causa da tortura: uma obra que aparenta já estar concluída. E vamos para o inexorável: uma obra fundamental para tráfego de Porto Velho que vai ser concluída nas calendas gregas (dia de São Nunca), por si só, demonstra o desrespeito com o cidadão.

De outro lado, não podemos concluir, pelos simples fato de as obras de Porto Velho amarem a inconclusão, que amamos o sofrimento. Toda forma de tortura merece repúdio.

No caso específico dos viadutos, talvez digam que a chuva ou as desapropriações estão atravancando o caminho. Mas há de pensar que a engenharia permite a construção de pontes quilométricas sobre o mar e, nesse processo, em momento algum é preciso secá-lo. Parece óbvio. Por isso cremos que alguém está vendo demais ou somos todos cegos. Quanto às desapropriações, não há dúvida de que o interesse público transcende qualquer interesse individual e que as indenizações pelo Poder Público têm a finalidade de compor eventuais prejuízos. Assim, esses viadutos não podem durar uma existência para serem concluídos. Ou pensam que passaremos a ser passarinhos para trafegar naqueles entroncamentos.

E pior. Talvez passaremos pela vergonhosa situação de ver o Japão (país devastado por inúmeros terremotos, inclusive seguidos de tsunami), em pouco mais de um ano, ser totalmente reconstruído, enquanto isso, na Terra banhada pelo Madeira, algumas poucas obras não conseguem chegar ao término.

Não precisamos, se for o caso, ir longe. Basta olharmos um pouco para a Capital vizinha (Rio Branco) que em pouco mais de um ano construiu uma terceira margem para o tráfego daquela localidade. Uma vasta pista com uma pomposa ponte, digna de foto e tudo mais. Já por estes rincões, a foto no viaduto parece que quer aguardar mais.

Contudo, nós não podemos mais aguardar na dor esse porvir torturante. As obras são inacabadas, além de outros motivos, porque nós nos tornamos meros espectadores do inconcluso e do mal trato com nossa cidade. Porto Velho não podemos mais ficar na inércia a pactuar com o trottoir do descaso que paulatinamente está destruindo esta cidade. Um cenário dantesco que, por mais que se mostre grandioso nos efeitos negativos, jamais será maior que o retumbante amor que temos por esta Capital. E o nosso grito não é para que Porto Velho se torne uma Pasárgada ou uma terra com macieiras da Califórnia. A foz é ontologicamente outra: Porto Velho não pode continuar a ser a capital mais feia do Brasil. Acreditamos que a riqueza humana e material que permeiam esta terra deve refletir umbilicalmente no trato da nossa cidade. E isso é uma função de todos.

Também registramos, de forma contundente, que a nossa única bandeira é Porto Velho, sem qualquer titubeação político-partidária. Por isso, não queremos atirar pedra em nenhuma Geni. A responsabilidade por esta cidade não é do Chapolin ou do Policarpo Quaresma: é nossa.


Queremos Porto Velho melhor para nós e para nossos filhos; e, por isso, lutaremos.

Eis a nossa indignação.

Ação Popular: Respeitem Porto Velho!

Matéria copiada dos sites www.tudorondonia.com.br e www.rondoniaovivo.com.br no dia 04 de abril de 2011.

Dizeres da faixa: "O Japão, após os terremotos, ficará pronto em um ano. E os nossos viadutos? Que vergonha!!!"

terça-feira, 22 de março de 2011

Não leiam queridos alunos, não façam isso! Apenas obedeçam! O conhecimento lhes fará muito MAL.


LER DEVIA SER PROIBIDO


Guiomar de Grammon*


A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.

Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?

Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.

Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.

Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.

Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.

O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?

É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova... Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.

Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos. Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil. Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos... A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida. Ler pode tornar o homem perigosamente humano.


*In: PRADO, J. & CONDINI, P. (Orgs.). A formação do leitor: pontos de vista. RJ: Argus, 1999. p.71-3.

O poder de transformação da leitura (ENEM) - Trecho de uma aula de Redação dada no Terceirão do João Bento.

segunda-feira, 21 de março de 2011

A revolta nas usinas por Júlio Nascimento


A revolta das usinas em Porto Velho


Essa revolta de todos desses operários que trabalham nas construções de ambas as usinas já era esperada desde o momento que foi falado que elas iriam ser construídas, porém a população tanto de Porto Velho quanto de Jaci - Paraná não esperava que isso acontecesse tão cedo assim. Mais a pergunta que a população de ambas as cidades não conseguem uma resposta concerta, é o porquê dessa revolta toda da parte dos operários da usina de Jaci - Paraná? Será que é por motivos salariais ou será apenas uma boba briga entre um motorista e um operário?

Não vou mentir quando digo que sempre fui contra a construção dessas usinas no Estado, porém o que eu sou perante várias pessoas que se dizem importantes perante POLITICA SUJA que ronda o país. Todos temos ciência que tais construções vão trazer certos benefícios para a cidade, porém onde estão as provas de que tais benefícios serão revertidos para o Estado? Creio que quando tal assunto é tocado todos se calam por não possuir uma resposta certa. Tanto a Cachoeira de Santo Antônio quanto a Cachoeira de Teotônio eram pontos turísticos para a nossa cidade e até mesmo para o nosso Estado, porém agora quando você vai atrás dessas belezas no lugar você encontra apenas maquinários, nem ao menos se consegue ouvir aquele barulho de correnteza.

E daí que essas usinas vão trazer benefício para a cidade? Na verdade não podemos dizer que é benefício, pois se pararmos para analisar bem a situação e formos falar de uma forma percentual estaremos utilizando apenas de 3% a 7% da energia gerada tanto na usina de Jirau quando na usina de Santo Antônio. Quanto aos outros 97% a 93% vão ser distribuído para um país que nem ao menos sabe que a região Norte também faz parte do país, um país que abre a boca pra falar da região Norte de uma forma que parece que não possui uma população civilizada. Enquanto eles podem dizer de boca cheia que são da região Sul, Sudeste, Centro Oeste e Nordeste e quando chega nessa região Norte falam de uma forma que parecem que não sabem que existem outros estados a não ser o deles, nós podemos dizer de boca cheia que daqui a alguns anos ou até mesmo meses parte da energia que eles usufruem vem da nossa região.

Então quero dizer para as pessoas dessa cidade, vamos parar de pensar um pouco nos benefícios que algo pode trazer para nossa cidade ou até mesmo para o estado e vamos começar a ser um pouquinho mais egoístas e pensarmos em nós mesmos. Pois é por causa disso que hoje estamos passando por esse momento onde não podemos colocar nossas caras para fora de nossas casas sem ter medo de ser assaltado por alguém que diz que veio à cidade em busca de trabalho nas usinas, e o que é pior é que nem ao menos possuímos a certeza de não iremos passar novamente por isso futuramente quando as usinas terminarem de ser construídas.



Júlio Nascimento - Acadêmico do curso de Direito (Uniron)

sexta-feira, 11 de março de 2011

Os haitianos estão chegando...


Brasil e Haiti: Aqui só nos faltam os Terremotos


Professor Nazareno*


A cidade de Porto Príncipe, capital do Haiti, foi sacudida em 2010 por um violento terremoto de magnitude absurda que causou a morte de quase meio milhão de pessoas e provocou prejuízos incalculáveis àquele paupérrimo país caribenho. Disso, muita gente ficou sabendo. Sabemos também que este país é o mais pobre das Américas e um dos mais pobres do mundo. Seu PIB é baixíssimo assim como o seu IDH. Grande parte de sua gente é descendente de escravos e a nação ocupa a porção ocidental de uma ilha. Tem uma população de quase nove milhões de habitantes espremidos numa área territorial pouco maior do que o Estado de Sergipe, o menor entre os estados brasileiros.

O Brasil, desde o ano de 2004, lidera no Haiti vários militares através da Minustah, sigla em francês para Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti. Sem ter muito que fazer em nosso país, as nossas Forças Armadas, por meio do “Governo dos Companheiros”, ainda mantêm cerca de mil e duzentos militares que se revezam periodicamente para ficar no Mar das Antilhas. O que muita gente não sabe é que se for feita uma hipotética comparação entre o Brasil e aquela nação caribenha e que envolva governo, política, cultura, tradição e história, certamente nós vamos perder feio em qualquer um desses itens comparados. Por isso, devemos receber bem os haitianos que chegarem a Porto Velho, pois eles são superiores a nós em quase tudo.

A começar pela língua falada. A maioria dos haitianos se expressa em Francês, língua muito mais importante do que o Português junto à comunidade internacional, e quase todos os habitantes falam Krèyol (Crioulo), a outra língua oficial da nação. O Inglês é cada vez mais falado entre os jovens e no setor empresarial. Devido à proximidade com a República Dominicana, o uso do Espanhol também é muito incentivado. Por isso existe um número cada vez mais crescente de haitianos bilíngües ou trilíngües. No Brasil, mal falamos o Português. Línguas como Inglês, Espanhol ou Francês têm tanta importância entre os brasileiros quanto o idioma Grego na Rússia ou o Húngaro na Austrália. Sempre fomos um país de analfabetos, isso sim.

O Brasil aboliu a Escravidão em 1.888 enquanto no Haiti isso aconteceu quase cem anos antes. A nossa Independência veio em 1.822, dezoito anos após os haitianos se libertarem da França. E nos dois casos, tanto a Abolição como a Independência mostram a superioridade daquele povo sobre nós. Lá os movimentos nasceram no seio do povo como desejo de libertação e de preservação das identidades nacional, lingüística e cultural e da vontade de conquistar a autodeterminação do seu povo. Aqui, quando vem alguma mudança, os movimentos nascem da elite, em gabinetes, e em conluio com interesses espúrios num desejo absurdo de manter os pobres subjugados à vontade dos ricos. Há mais de cinco séculos é assim. Nada muda. Nada parece mudar.

Além do mais, o Haiti é um país renegado pelo mundo. Foi o resultado de intervenções, massacres e ocupações que sempre tentaram calar a primeira república negra do mundo. Os haitianos pagam diariamente por esta ousadia. Por lá cresce diariamente o ódio contra “a intervenção brasileira”. Então, o que o Brasil fez em sete anos de ocupação no país? Absolutamente nada, pois as casas feitas de areia, a falta de hospitais, a falta de escolas, o lixo são problemas corriqueiros agravados com o terremoto e que não foram resolvidos com a presença de milhares de militares estrangeiros. Com tantos “Haitis” por aqui, os nossos militares deviam se acanhar e voltar para casa. Talvez ajudassem a atenuar os nossos problemas: dengue, violência nas ruas, miséria, lixo, corrupção. Porém, receber estrangeiros nem sempre é um bom negócio. Esses imigrantes caribenhos sabem fazer textos críticos? Eu, por exemplo, sou um "estrangeiro" por aqui e muitos rondonienses me odeiam. E se pudesse escolher imigrantes preferiria escoceses, suíços, ingleses, alemães, norte-americanos, holandeses, e escandinavos a haitianos. E se eles não gostarem de dançar "Boi"? Uma tragédia.

Cerca de seis milhões de haitianos vivem na miséria total. No Brasil são quase 50 milhões, ou seja, oito vezes mais. No Haiti isso é normal enquanto aqui devia ser imoral, já que somos a sétima economia do planeta. Déspotas, políticos ladrões, corrupção no Estado, compra de votos, intimidação de opositores, democracia relativa, epidemias, falta de saneamento básico, desmandos, incompetência das autoridades, mentalidade golpista dos militares, burrice institucionalizada, adoração a futilidades e passividade do povo são itens em que só empatamos. Por isso, os haitianos, que já estão chegando aos montes ao Estado de Rondônia, se sentirão em casa em Porto Velho. Devemos, insisto, dar as boas vindas aos nossos irmãos caribenhos e mandá-los para um quartel qualquer, já que o Brasil mandou militares ao país deles para que pudéssemos pleitear uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU e só conseguiu até agora atrair levas de cidadãos desempregados para o nosso país. Outro dia fui abordado por um brasileiro em plena Rua Jatuarana, Zona Sul de Porto Velho, pedindo-me dinheiro para comprar arroz. Entendi por que muitos dizem que o Haiti é aqui mesmo.



*Leciona em Porto Velho

segunda-feira, 7 de março de 2011

Você gosta de Carnaval?


Carnaval Devia Ser Proibido



Professor Nazareno*


           
            A jornalista Rachel Sheherazade, da TV Tambaú de João Pessoa, Paraíba, gerou muita polêmica na internet depois que um comentário seu falando sobre o carnaval foi postado no You Tube. Em apenas cinco dias, mais de 300 mil acessos já haviam sido feitos. Mas infelizmente pouco ou nada adianta tentar "abrir a mente" das pessoas envolvidas com a festa de momo. A imbecilidade reina geral. O país inteiro está ensandecido pela sacanagem, pela apologia às drogas, pela violência sem fim e pela falsa alegria que reina nestes dias de euforia. Por que a nação tem que parar durante quase uma semana apenas para brincar o carnaval? Por que quase ninguém quer trabalhar neste período? Por que ruas inteiras são interditadas? Será que o Estado gasta dinheiro público com a folia? Por que povo e político se juntam animados na festa?
            Em Porto Velho também há carnaval. E dos piores. A festa daqui é uma imitação tosca, ridícula e mal feita dos carnavais de outras praças. É uma espécie de excrescência do nada, uma apologia ao ridículo, ao absurdo. E violento. Muito violento mesmo. O Hospital de Pronto Socorro João Paulo Segundo, por exemplo, em apenas três dias de comemorações e festejos realizou nada menos do que 640 atendimentos, dos quais 99 foram por acidentes de trânsito, 17 acidentes de trabalho, 19 agressões físicas, 04 acidentes domésticos, 45 quedas, 20 ferimentos por armas de fogo, 11 ferimentos por arma branca, uma intoxicação, entre outros. Foram registrados entre sexta-feira à noite e segunda-feira pelo menos oito óbitos e 22 procedimentos cirúrgicos. Gasto evitável do nosso dinheiro. O nosso mais importante "açougue" esteve movimentado ultimamente.
            Estes números tenebrosos podem dobrar visto que ainda faltam quase dois dias de folia. E a maioria dos rondonienses e porto-velhenses não se acanha em sair por aí se drogando e pulando feito macacos no meio da rua. São homens vestidos de mulheres e mulheres quase nuas, a maioria bêbados e drogados. Os babacas se esquecem de que moramos numa cidade suja e imunda, sem saneamento básico, sem água tratada, sem escolas públicas de qualidade, sem hospitais públicos decentes e quase também sem homens públicos honestos. Se apenas dez por cento destes foliões ridículos tivessem massa cinzenta ou fossem minimamente politizados, poderiam exigir das autoridades que estão espertamente presentes também ali no meio da festa, mais ações para resolver os nossos infinitos problemas. Isso é o carnaval: todos juntos na estupidez coletiva
            Quem teve coragem suficiente para ir à Avenida em Porto Velho, não viu muita coisa. Escolas de sambas sem harmonia, sem ritmo, sem adereços, sem temas importantes, com puxadores de samba roucos e desafinados que não sabem cantar direito. Quase todas as escolas estavam atrasadas, sem brincantes, com fantasias feias e derretendo na chuva fina que caía. Nunca entendi porque nossas gordas passistas têm as pernas tortas e cheias de manchas de ferradas de insetos. Nenhuma delas sabe sambar, se vestem mal e estão sempre às voltas com enxames de mosquitos voando por perto. Deve ser por causa do fedor que exala de seus corpos mal feitos e suados. Em suma: o carnaval de Porto Velho é um espetáculo horrendo, maçante, ridículo e sem sentido. Algo que nem devia existir. Os organizadores desta "desorganização absurda" devem sentir muita vergonha quando tudo acaba. Espetáculo de idiotas para idiotas. É isso.
            Se esta porcaria é cultura, dá para entender por que em Porto Velho não existe nenhuma cultura de futuro. Eu até que poderia ter ido a um retiro, mas tenho a certeza de que o diabo, ao sair da Avenida dos Imigrantes, vai dormir nestes retiros que também são freqüentados, em sua maioria, por imbecis e feitos sob medida para otários.  Com todos estes gastos inúteis, seria muito bom que o dinheiro público jamais fosse usado para turbinar estas festas patéticas. Com Manelão ou sem ele, carnaval por aqui sempre foi uma grande farsa, uma mentira para enganar trouxas. A presepada da tal "Banda-do-Vai-Quem-Quer", que a despeito da morte do seu "general", saiu normalmente no sábado de carnaval, sempre foi um engodo que se nunca flertou com o erário público, só serve para ajudar na lotação dos poucos e despreparados hospitais do lugar. Carnaval é a cultura do sangue misturado ao álcool e outras drogas. Por isso, é dever de qualquer um governante sério pôr fim a esta festa mundana e idiota que tantos transtornos traz ao trabalhador brasileiro e que ajuda a propagar a falsa idéia de alegria desse povão broco.



 *É Professor em Porto Velho.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Isto é o Brasil, infelizmente!

Brasil: uma Nação de “Jecas”


Professor Nazareno*


A frase "Le Brésil n’est pas um pays sérieux" (O Brasil não é um país sério) foi atribuída ao presidente francês Charles de Gaulle quando surgiu uma crise política entre Brasil e França, nos anos 60. A apreensão de pesqueiros franceses que capturavam lagostas na costa brasileira teria irritado De Gaulle e o levado a dizer que o Brasil não era um país. Segundo a versão corrente, o então embaixador do Brasil em Paris, Carlos Alves de Souza, teria acrescentado o adjetivo sério, para amenizar a situação. A crise foi resolvida, mas o mal-estar sempre ficou, apesar do general De Gaulle negar até a sua morte ter dito tal frase. Mesmo sem saber, o estadista francês estava certíssimo uma vez que se o mundo fosse um corpo humano, já saberíamos qual a parte que caberia ao Brasil representar. Somos uma nação ridícula no cenário político internacional e ainda queremos participar do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Uma piada infame segundo alguns analistas políticos.

Apesar de ostentar um dos maiores PIB’s do mundo e de ter um mercado consumidor próximo aos 200 milhões de habitantes, o Brasil nunca foi destaque em absolutamente nada desde o seu descobrimento há mais de cinco séculos pelos malditos portugueses. Ainda hoje em pleno século XXI não podemos mostrar nada a ninguém que nos possa trazer orgulho. O maior produto de exportação do país ainda continua sendo bumbum de mulher, perna de jogador e meia dúzia de produtos agropecuários como soja, café, frangos e alguns derivados da carne bovina. Itens estes que não necessitam de absolutamente nenhum conhecimento de ponta para serem produzidos. Aqui não produzimos chips para computadores, armamentos sofisticados, carros, telefonia móvel ou qualquer medicamento para a cura de doenças. Até o nosso programa espacial explodiu e depois que um astronauta brasileiro foi ao espaço, Plutão desapareceu como planeta.

Somos uma nação de medíocres, analfabetos e idiotas em sua grande maioria. Nunca ganhamos um Prêmio Nobel. Nossos filmes jamais ganharam um Oscar. Nunca nos destacamos em tipo nenhum de pesquisa. Não temos a bomba atômica. O fracasso sempre foi a maior conquista desta nação. Nosso sistema educacional está falido faz tempo. A grande maioria dos nossos alunos mal sabe ler e escrever um texto e isto após doze anos de escolaridade, em média. A maioria dos nossos empresários na verdade são sonegadores de impostos que ficaram ricos à base do improviso e com muita sorte. Latifundiários é uma praga que sempre infestou os interiores da nação. Competência nesta terra de ninguém é uma mercadoria escassa e que sempre passou longe das nossas escolas e universidades. Incrível, mas se fosse possível mensurar, a nossa cultura também seria inferior. Nossa civilização é atrasada e decadente. Somos o sinônimo do fracasso, do absurdo, do jeitinho.

Além disso, grande parte dos nossos políticos são uns verdadeiros imbecis e ladrões e a maioria só sabe legislar em causa própria. Tapeiam o povo que dizem representar, e se elegem mesmo sendo comprovadamente mensaleiros, sanguessugas e outros adjetivos pouco cívicos. As Forças Armadas, que são comandadas por um civil, só se destacaram no cenário nacional quando golpearam as instituições democráticas entre 1964 e 1985 e mergulharam o país numa ditadura que manchou o nosso nome no exterior. Nossas fronteiras são extremamente vulneráveis e se parecem um queijo suíço. É por lá que passa a maioria das armas contrabandeadas e quase toda a droga consumida nas grandes cidades. Nossa Justiça é lenta, burocrática e elitista. “De cada dez juízes, sete acreditam que são Deus e os outros três têm certeza”, é uma frase muito comum nos meios jurídicos. O STF não moralizou a política do país quando pôde e o nosso Poder Judiciário é acusado de soltar corruptos toda vez que a Polícia Federal, nas suas incontáveis operações, os prende.

O Poder Legislativo do Brasil é uma piada: são 81 Senadores e pouco mais de quinhentos Deputados Federais que dispensam qualquer comentário. A Federação é composta por 27 unidades (Rondônia só podia ser uma delas). Todas com Justiça, Poder Legislativo, Governadores e gente, muita gente mesmo (ou gentinha). Aqui só se dá valor ao que é de fora. Desigualdade social é regra. O Hino Nacional, cuja letra quase ninguém entende, bem que poderia ser trocado por uma música qualquer, um pagode, por exemplo, que não se notaria a diferença. BBB, novelas, programas policiais e de sacanagens são o ópio do povo. Amor à Pátria por aqui é coisa rara. Então, poderíamos voltar a ser Colônia. Só que desta vez não seria de Portugal, mas dos Estados Unidos, do Japão ou de qualquer outro país europeu que tivesse cultura própria, nacionalismo, gente civilizada e acima de tudo cérebros, cabeças que produzem conhecimentos. Seríamos talvez um lugar muito mais respeitado e melhor do que esta terra de jecas, matutos e gente preguiçosa que nem amor têm a este pedaço de chão. Proíba-se o carnaval, o álcool e o futebol que isso aqui será extinto.


*Leciona em Porto Velho

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Obama em Rondônia?


As Lições de Rondônia para Obama e os EUA


Professor Nazareno*


    O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve visitar o Brasil no próximo mês de março. Passará apenas dois dias no país e visitará Brasília e o Rio de Janeiro. Mas diante do convite que o Governador Confúcio Moura fez, é possível que esta visita se prolongue por mais tempo. O Departamento de Estado daquele país ficou extremamente entusiasmado com a possibilidade de o seu maior mandatário poder visitar terras Karipunas e aprender conosco algumas das muitas e boas lições para governar melhor o seu povo e consequentemente levar ao mundo a nossa experiência em várias áreas: tecnologia, transportes, política, educação e estratégia militar. O frenesi na Casa Branca era notório diante desta possibilidade já que o povo rondoniense e as autoridades daqui têm muito a ensinar a Obama e a todos os norte-americanos.

        O Congresso Nacional dos Estados Unidos, por exemplo, poderia ter contatos extremamente importantes e produtivos com a nossa "prestigiada" Assembléia Legislativa e aprender dentre outras coisas como se deve devolver o "dinheiro do povo" ao poder Executivo mesmo que haja muitas obras para serem feitas. Os legisladores da maior potência econômica do planeta aprenderiam como se envolver em escândalos escabrosos, esquemas de corrupção, desvios de verbas públicas e ainda assim serem reeleitos, diplomados e exercerem tranqüilamente o mandato como se fossem pessoas probas e honestas. Hillary Clinton, a toda poderosa Secretária de Estado, certamente gostaria de saber como se legisla para que pessoas comuns possam defecar em terminais rodoviários sem precisar ter que pagar por isso. É Rondônia ensinando ao mundo...

    Além do mais, a lição "como enganar o povo com propagandas mentirosas" poderia ser discutida com os legisladores norte-americanos. Se Obama trouxer muitos prefeitos das grandes cidades dos Estados Unidos, o que seria normal, poderia deixá-los sob a orientação de Roberto Sobrinho e seu "staf municipal". Os nossos visitantes teriam muito a aprender: como destruir um partido político de renome nacional, como iniciar obras públicas e não terminá-las, como presentear os outros com ruas e avenidas importantes da cidade, enfim, "como governar tão mal tão bem". A interminável crise nos transportes coletivos e como ser um Robin Hood às avessas (tirar dos pobres e dar aos ricos) poderiam ser também discutidos com os nossos atentos visitantes. A limpeza e a higiene nas ruas de Porto Velho deveriam ser mostradas também aos americanos.

        Na área da saúde pública, os rondonienses são "fora-de-série". Obama, Hillary e toda a comitiva visitando o "açougue" João Paulo Segundo produziriam imagens que correriam o mundo. Já pensou como não seria o espanto do planeta ao saber que uma simples visita de uma emissora de televisão "resolveu" grande parte do problema de saúde do nosso povo mais humilde? Claro que o Presidente da nação mais poderosa da terra gostaria de saber como se faz para governar um povo usando apenas um blog. Nossos militares poderiam ensinar como se faz para guarnecer tão bem as nossas fronteiras. E óbvio que o Pentágono gostaria de fazer intercâmbio com a Brigada para aprender táticas de guerra. Poderíamos até vender nossa tecnologia aos "yankees". Temos muito a ensinar a eles, com certeza. Outra grande lição: usar de forma acintosa o erário público para pagar milionárias pensões e aposentadorias a ex-governadores.

        Preocupado com as devastações em terras do norte, eles poderiam nos perguntar o que fazemos para proteger tão bem as nossas florestas. "Por que não há fumaças durante o verão de vocês?", seriam indagações compreensíveis. Haveria também intercâmbios na área da educação: a Unir, a nossa conceituada universidade pública, poderia ensinar aos americanos, por exemplo, como se faz para organizar de maneira tão eficiente um simples concurso vestibular. Os salários que os educadores recebem aqui serviriam de exemplo para o mundo inteiro, os norte-americanos ficariam entusiasmados. Problema: as autoridades rondonienses teriam tempo de recebê-los? Devido à importância dos dois povos no contexto mundial, eles poderiam nos visitar várias vezes ao ano. Poderiam até vir durante as comemorações do Arraial Flor do Maracujá. O Obama brincando a "Dança do Boi" com os nativos locais seria um espetáculo impagável. Mas há algumas dúvidas: os porto-velhenses criariam uma nova linha de ônibus urbano com o nome de Presidente Obama a exemplo do inexplicável nome da linha Presidente Roosevelt? E que destino daríamos aos espelhos, miçangas e quinquilharias que certamente os nossos visitantes ilustres trariam para nós?


*É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Como estão os nossos revolucionários?


Os Jovens da Praça Tahrir


Professor Nazareno*


A revolução popular que incendeia o Mundo Árabe derruba a ditadura de Hosni Mubarak no Egito e ameaça se expandir pela região. No mês passado, manifestantes depuseram o Governo da Tunísia. A Praça Tahrir, que fica no centro do Cairo, capital do país, foi literalmente tomada por multidões ensandecidas que exigiam mudanças no Governo e na sociedade e só se acalmaram quando finalmente o poder percebeu o óbvio e saiu de cena. Importante observar nas imagens enviadas ao mundo que grande parte destes revolucionários é jovem e certamente muitos deles foram influenciados pela Internet e pelos sites de relacionamentos pessoais. "Havia outras formas de vida além dos muros do fundamentalismo islâmico", perceberam. Ao contrário da fábula "As rãs e o pintassilgo" de Rubem Alves, eles não mataram o pássaro, apenas se uniram a ele.

Munidos de Lap Tops e computadores comuns, os jovens usaram a grande rede para marcar suas reuniões e passeatas. Orkut, Msn, Twitter e simples aparelhos de telefones celulares foram fundamentais para o sucesso do levante. O Governo, ao perceber a manobra, interrompeu totalmente o sinal da Internet. O Cairo, cidade com mais de oito milhões de habitantes, ficou parecendo Porto Velho em dias de apagão digital. Bloquearam também o sinal dos celulares. Tudo em vão. Os sinais vindos das ruas eram claros: ou Mubarak deixava o poder e se iniciavam rapidamente as mudanças sociais, políticas e econômicas ou ninguém deixaria a Praça Tahrir. Essa revolução em terras muçulmanas se não nos trouxer algum ensinamento, certamente nos dará excelentes lições de como, no Brasil, devemos agir para mudar o caos em que vivemos.

O Brasil não é o Egito nem o Mundo Árabe, mas vivemos uma revolução sem precedentes na nossa História. Muito antes dos militares usurparem o poder em 1964 e estuprarem a ordem democrática vigente, que se iniciou uma revolução silenciosa em nossa pátria e que se perpetua até hoje. É a revolução da imbecilidade geral, da estupidez coletiva, do enaltecimento do senso-comum. É a revolução que emudece vozes destoantes e cala os que ousam pensar de modo diferente. Nossos jovens, alienados em sua maioria, e muito diferentes dos egípcios, enchem os shopping centers e espalham a semente da burrice institucionalizada. Usam a grande rede para disseminar tolices e navegar pelos sites de inutilidade geral. Fazem uma revolução às avessas e se melhorarem e evoluírem chegarão ao fundo do poço, já que estão muito abaixo dele.

A burrice dos nossos jovens e da maioria do povo brasileiro de um modo geral beira a insensatez. Basta olhar os sites de relacionamento pessoal deles. Vi uma jovem dizer que "ao espirrar na frente do ventilador, ele lhe jogou água". Outro jovem se disse amante de música "MPB internacional". As comunidades que eles criam são de fazer inveja a um débil mental ou idiota. Os tópicos e os comentários, além de agredirem gratuitamente a Gramática Normativa da Língua Portuguesa, têm conteúdo de psicopatas e de pessoas complemente alienadas. Nossos jovens, em sua maioria, são filhos da Globo e do BBB. Estão fazendo uma revolução para ver quem chega primeiro à terra dos otários. Curtem carnaval fora de época, se drogam estupidamente, desprezam os estudos e a boa leitura e abrem mão da verdadeira música. Uns imbecis modernos.

Os poucos que se salvam desta maré de estupidez, deste oceano de mediocridade, estão fazendo a verdadeira revolução, a sua, pois crêem que mudando as suas vidas praticando a leitura crítica, ouvindo a boa música e investindo no seu futuro, mudam a triste realidade em que se vive. O Brasil moderno é isso: sanguessugas, mensaleiros, fichas sujas, corruptos e ladrões se dizem autoridades, ganham milhares e milhões de votos da massa ignara, participam de governos, vêem na Rede Globo a salvação nacional e enquanto surrupiam o nosso dinheiro e os nossos sonhos nos fazem acreditar que nos ajudam. Os jovens da Praça Tahrir no Egito derrubaram um governo de 30 anos movidos pela vontade de mudar, de conhecer o novo, de acreditar em dias melhores. Aqui os nossos jovens não derrubam nem Roberto Sobrinho, votam no Tiririca e filosofam espirrando em frente a ventiladores. E pensar que muitos deles são o futuro deste país. O Egito de hoje é a França de 1968, o Irã de 1980, a Palestina de sempre e o Brasil de nunca. Quando me aposentar, saio daqui. Vou morar na Bolívia.


*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Falaram mal de Rondônia. Pode?



Por que falam mal de Rondônia?

 

Professor Nazareno*

 

    A atriz e cantora global Angélica em uma recente entrevista que deu à revista Veja falou muito mal da cidade de Ariquemes. Disse que o lugar fica situado no "fim do mundo à esquerda". Uma aberração, um acinte, uma declaração absurda que além de preconceituosa, demonstra o quanto muitas pessoas do Sul do país vêem de forma equivocada a nossa querida Rondônia. Por isso, de maneira bastante pertinente, todos nós que amamos esta terra devemos defender o nosso chão e dizer para essas figuras desinformadas os nossos reais valores. Devemos fazer uma corrente cívica e mostrar aos quatro cantos do Brasil toda a nossa pujança, todas as nossas qualidades, pois se falaram mal de Ariquemes, vão querer também falar mal de Porto Velho e do Estado como um todo. Por isso devemos ficar em alerta máximo e rebater qualquer crítica injusta.

    Fiquem sabendo, senhores habitantes do Sul maravilha, que somos uma potência em expansão. Somos orgulhosamente a capital mais suja do Brasil. Em qual cidade deste país se encontram tantos cachorros e bichos mortos apodrecendo nas ruas? Qual é a capital deste país cujos habitantes conseguem sobreviver tranquilamente com apenas três por cento de saneamento básico e menos de 20 por cento de água encanada? Só nós. Falem qual é, dentre as capitais nacionais, aquela que tem mais viadutos e obras inacabadas. Batemos o recorde de construções abandonadas pelo poder público, esta é a grande verdade. Vocês estão com inveja de Porto Velho, isso sim. Além do mais temos uma das melhores coletas de lixo do Brasil. Somos certamente uma das cidades mais arborizadas do mundo. Acreditem: se Deus não for brasileiro, é rondoniense.

    O nosso trânsito faz inveja a Rio de Janeiro ou São Paulo de tão organizado que é. Raciocinem com a razão, senhores habitantes do Sul maravilha, e respondam: qual a cidade da região de vocês que tem um Hospital como o João Paulo Segundo? A própria Rede Globo veio aqui e mostrou como os rondonienses sabem tratar a saúde pública. Vocês, em vez de falarem mal de nós, deviam copiar os nossos exemplos. Qual, dentre os Estados do Brasil, o que tem uma Assembléia Legislativa tão atuante quanto a nossa? Os nossos políticos são os melhores e mais honestos do mundo. Aqui não se elegem fichas sujas, incompetentes nem sanguessugas. Nós devíamos era servir de exemplo para o país inteiro. Nós pagamos sem problemas 15 aposentadorias e pensões a ex-governadores e gastamos 300 mil reais por mês. Nenhum Estado deste país faz isso.

    Parem de falar mal de Rondônia, seus invejosos. Aqui é o verdadeiro paraíso na terra. A nossa Internet é de primeira qualidade e já estamos pensando em terabites e cabos de fibra ótica. Nem em São Paulo a grande rede é tão eficiente como em Porto Velho. A nossa energia é boa e barata e nunca nos falta. Os preços dos aluguéis aqui são de fazer inveja a qualquer lugar do planeta de tão baratos que são. Saibam vocês que já podemos ser comparados a São Paulo e para isso basta uma simples chuvinha de verão. Os mais perigosos bandidos e traficantes do país estão em nossas cadeias. O nosso futebol é um dos melhores do país. Onde se torce sentado em bares? A nossa cultura é ímpar. Nada se copia por estas terras. Curitiba, por exemplo, se orgulha de ser "isso e aquilo", mas copiou o nosso sistema de transporte coletivo, um dos melhores que há.

    A imagem da nossa televisão em HD é a melhor do país, seus bobos. Os nossos jornalistas são os mais respeitados que se conhecem. Aqui há os que defendem Papai Noel, os que adoram hinos e aqueles que jamais se vendem a qualquer Governo. Dengue, Leptospirose e Malária são patologias quase extintas por aqui. Pode existir Aftosa, mas é no gado apenas. A nossa Universidade Federal, a Unir, vai ganhar um prêmio da UNICEF pela sua grande competência em organizar concursos vestibulares e é conhecida no mundo inteiro como "um ninho de intelectuais". Em todo o Brasil, seus tolos do Sul, não existe ensino superior melhor do que o nosso. Além do mais, Rondônia é a Meca dos eleitores conscientes já que reconhecemos "o grande trabalho" e reelegemos quase toda a atual bancada na Assembléia Legislativa. Por isso, parem de falar mal de nós. Vocês não têm moral para isso e inveja mata. Podíamos, por causa disso, boicotar a Globo e decretar a falência total dessa emissora. Gostaria de saber qual é o lugar que fica no fim do mundo à direita. Seria a nossa querida Porto Velho ou Jaru?

 

É Professor em Porto Velho.


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O João Bento da Costa dispara em 2010


Projeto Terceirão do Colégio João Bento: só neste ano, quase 200 alunos aprovados em várias universidades do país


Suamy V.Lacerda de Abreu, ex-Diretor da Escola João Bento da Costa, em mais um ano se diz satisfeito com as aprovações de aproximadamente 65% de seus alunos do Projeto Terceirão de 2010 na primeira chamada da UNIR, SISU e PROUNI no JBC. Acredita que, com o decorrer dos dias e nas próximas chamadas tanto das Universidades Federais quanto do PROUNI e SISU, esse número aumentará e poderá chegar aos 80 ou 90% de aprovações. Até o momento, já foram contabilizadas pelo menos 176 aprovações em vários vestibulares no Brasil. "Há alunos do João Bento aprovados nos mais variados cursos superiores", informa o ex-diretor daquela escola pública.

Juntamente com a ex-Diretora Elba Cerquinha parabenizam aos Educadores de sua equipe e, em especial aos Professores do Projeto Terceirão - José Arimatéia, José do Nazareno, Walfredo Tadeu, Mônica, Soniamar, Carlos Moreira, Décio, Serginho, Geane, Russymeire, Adriana, Betãnia, Ariadne e Doralice que estiveram à frente no dia a dia com estes alunos. Agradece também aos educadores que ajudaram com aulas extras, supervisores, orientadores e psicólogos que colaboraram nesse desenvolvimento, e claro, PARABENIZA os alunos, quase duas centenas só neste concurso vestibular da Unir e outras universidades do Brasil, pois eles eram a meta e o objetivo principal, mostrar a cada um que quando se tem um objetivo, pode-se alcançar com muita garra.

Os números do Colégio João Bento são grandiosos. Em Administração são nove os aprovados. Um em Artes Visuais, dois em Agronomia, quatro em Arqueologia, seis em Ciências Biológicas, três em Direito, oito em Enfermagem, três em Engenharia Civil, um em Engenharia Civil na Universidade de Tecnologia Federal do Paraná, cinco em Engenharia Florestal sendo um na UFAC e outro na UFMT, uma aluna foi aprovada na Universidade Federal do Rio Grande do Sul em Engenharia Agroindustrial Agroquímica, dois alunos aprovados em Engenharia Elétrica, um em Engenharia de Alimentos, pelo menos 11 alunos do João Bento vão cursar, este ano, Educação Física na Universidade Federal de Rondônia. Há alunos aprovados em Informática, pelo menos doze deles e também em História com uma dúzia também. Um aluno foi aprovado em Medicina Veterinária na UFAC e pelo menos cinco alunos foram aprovados em Medicina sendo que dois ex-alunos foram aprovados na Unir, dois na Facimed em Cacoal e um na Faculdade São Lucas. Oito alunos foram aproados em Fisioterapia na São Lucas, três em Psicologia e muitos outros alunos conseguiram a sua tão sonhada aprovação em vários outros cursos como Teatro, Pedagogia, Música, Licenciatura em Química, em Física, Saúde Coletiva, Fonoaudiologia, Direito na FARO, Nutrição, Gestão Pública,Marketing e Odontologia. Quase impossível citar todos os alunos aprovados neste ano no Colégio JBC.

Por tudo isso, a ex-Direção do Colégio João Bento já enfatizou em várias ocasiões que o "dever estar cumprido", e espera que esta excelência em aprovações possa continuar nos próximos anos letivos. "As notícias ruins de Rondônia são manchetes no Brasil inteiro, mas temos notícias boas, só que não são tão divulgadas assim", enfatizou o ex-diretor daquela instituição de ensino. "Há a necessidade de se apoiar projetos vitoriosos como este e, por isso, a comunidade não pode medir esforços para ajudar também já que o Projeto Terceirão do Colégio João Bento da Costa não é uma iniciativa de governos: nasceu dos professores, alunos e da comunidade há quase uma década e hoje já se pode dizer que já é um Projeto de Estado", enfatizou o Diretor Suamy. Ele informou também que durante toda a sua gestão pelo menos mil alunos foram "mandados" para o Ensino Superior nos mais variados cursos e Universidades.