quinta-feira, 27 de agosto de 2026

A hipócrita Dinastia dos Porcos

                                

A hipócrita Dinastia dos Porcos


Professor Nazareno*


Como na fábula A Revolução dos Bichos de George Orwell, havia inúmeras outras granjas espalhadas pelos territórios subdesenvolvidos e incivilizados do chamado Terceiro Mundo. Numa delas, os porcos também comandavam o destino de todas as criaturas que moravam ali. Cavalos, burros, bestas e antas eram os habitantes mais numerosos. Todos esses incultos moradores obedeciam cegamente ao que todos os espertos patrões determinavam. Praticamente não havia ali um só porco pobre. Todos eram ricos e abastados. Pobreza mesmo somente entre os trabalhadores quase escravos. E todos os suínos mandavam na economia, na saúde, na educação, na Justiça e principalmente na política daquela suja e imunda pocilga. Claro que a porcalhada não trabalhava, apenas explorava o trabalho dos seus dedicados empregados. A classe que sustentava a chácara com o seu trabalho só tinha dificuldades.

Os porcos criaram vilas e cidades e nelas introduziram a política com o voto secreto e universal para diversos cargos criados por eles mesmos, os porcos. Em todas as eleições, os suínos sempre davam um jeito de serem eleitos e de continuarem mandando nos outros, chamados honrosamente de eleitores. Mas na imunda pocilga não havia sequer um bom hospital de pronto-socorro para atender aos muitos doentes daquela localidade. Em todas as eleições, por exemplo, eles prometiam construir vários hospitais decentes. Os suínos até inventaram um que fora chamado pomposamente de “Built to Suit”, mas que nunca saiu do papel. Enquanto isso, cavalos, burros e antas continuaram sofrendo nas muitas filas e nas macas do seu único pronto-socorro, mas com a certeza de que teriam muito em breve um bom estabelecimento de saúde para tratar todos. Uma espécie de Sírio-Libanês da pocilga.

A própria pocilga-mor é uma desgraça a olhos vistos. Dentre todas as pocilgas daquele território, aquela é a pior também em saneamento básico, esgotos, arborização e água tratada. Quando chove alaga tudo. Fala-se até que muitos dos moradores bebem diariamente água de merda. A vida ali para a maioria dos habitantes é um horror, uma calamidade, com exceção dos porcos, que vivem muito bem. Dizem que muitos daqueles suínos até viajam de avião sem ter problemas nenhum com o preço das escassas passagens aéreas. Pouca gente vai visitar a pocilga, pois criaram, não se sabe ainda quem, um tal de pedágio Free Flow que é muito caro e, dessa forma, inviabiliza qualquer aventura para se visitar o promíscuo ambiente dos porcos. Cavalo, égua jumento e anta não têm necessidade de viajar de avião. Essa classe social infelizmente só vive de passar necessidade e de votar, e geralmente nos porcos. 

Em época de eleições quase todos os candidatos são da classe dominante, ou seja, a privilegiada classe dos suínos. Neste período, criado por eles mesmos, muitos prometem que vão fazer e acontecer, mas depois de eleitos, tudo volta a ser como era antes. O pior é que todos os anos eleitorais a bicharada ignorante sempre acredita nessas vãs promessas. Os porcos daquela pocilga sempre estão no poder e para isso colocam seus familiares ou amigos para se candidatarem, não para ajudar os pobres e necessitados, mas para meter a mão no suado dinheiro público dos impostos e continuarem ricos e abastados. Este ano, por exemplo, o partido dos porcos entreguistas pode até ganhar as eleições. E existem muitos outros partidos entre eles: tem o partido dos porcos que trabalham, o partido dos porcos conservadores e o partido dos porcos de Deus. George Orwell ficaria extasiado ao saber que os porcos de hoje têm religião. Ah! Pode-se comer feijoada naquela pocilga. Pode isso?




*Foi Professor em Porto Velho.

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