quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O nosso nome está mesmo correto?



Siglas e nomes errados em Rondônia


Professor Nazareno*

             
          Já ouvi muita gente de respeito dizer que o Acre, o nosso querido Estado vizinho, não existe e que já deu muito prejuízo ao Brasil, pois fora trocado com os bolivianos por um pangaré reumático e desdentado. Seguindo esta lógica maluca, tenho certeza de que Rondônia também não existe. E se de fato existe, é uma espécie de “segunda pessoa do quase nada” dentro da realidade brasileira. Sou rondoniano há 32 longos anos e tenho observado sem nenhum interesse, apenas pela curiosidade, que coisas muito estranhas acontecem por aqui na hora de se colocar nomes nos lugares, pessoas, eventos ou instituições. Parece que essa falta de lógica é um mal verificado no Brasil inteiro, porém com traços muito característicos nestas terras que muitos insistem em dizer que são de Rondon. Contradições e esquisitices são observadas em quase tudo. Sempre reclamei do nome estranho e às vezes engraçado de muitos dos meus alunos. Alguns parecem que retirados de latas de goiabadas ou mesmo de bulas de remédios.
      Rondônia tem 52 municípios e não 53 como acreditam muitos moradores de Extrema, dois anos após a desnecessária votação para emancipar aquele charmoso distrito. E Cacoal é um deles. Uma linda cidade, mas com um nome errado. Cacaual seria o correto, assim consta em todos os dicionários da Língua Portuguesa. O nome equivocado também está escrito no brasão e na bandeira municipal. “Uma plantação considerável de cacaueiros, dispostos proximamente entre si” não é e nunca foi um Cacoal. Cacau para aqui, cacau para lá e o progressista município é a “Capital do Café”. Cafezal, então. Outro caso bisonho de erro acontece com Candeias do Jamari. Como quase todo mundo sabe Jamari é um rio, só que está a mais de 20 quilômetros distante do centro desta belíssima cidade que é cortada e margeada, aí sim, pelo rio Candeias. Por que Candeias é do Jamari se está ali bem ao lado do formoso rio Candeias? Alguém sabe explicar? Conclusão: essa bela cidade não é do Jamari, mas do Candeias mesmo.
         Na área cultural, também é um desastre quando se deseja nomear algo em Rondônia. A sigla ou o nome da Universidade Federal de Rondônia, única universidade pública do Estado, é ironicamente, Unir. Não aparece a letra “F”, mas é federal, pois todos juram. Naquele ambiente que se diz “superior”, além de faltar uma letra, falta também muita união e competência. Desmandos, sujeiras, lixos, monturos, ratazanas, roubalheiras, brigas e outros afins é tudo o que se observa. Dizem que essa Unir é tão suja que mais se parece com a cidade de Porto Velho. Na (a) Fundação Rio Mar, onde dizem haver muitos “outros tipos” de sujeira, detectamos também sérios problemas com a sigla e o próprio nome desta imponente instituição. Fala-se que o correto é Fundação Rio Madeira. Não entendi mais nada. Por que Rio Mar se este é o apelido do rio Amazonas e não do Madeira? O ideal, para se evitar mais confusão, seria Universidade Federal de Rondônia, UFRO e pronto. E com ou sem sujeira, Fundação Rio Madeira.
         Já a Caerd, que ninguém sabe para que serve, uma vez que em Porto Velho não existe nem água tratada nem esgoto, deveria ser rebatizada para Caero já que a sigla de Rondônia é Ro e não Rd. No comércio da capital a confusão continua: uma  conhecida loja de eletrodomésticos se chama Romera. Nada a ver com romaria nem com Roma. Esse nome também não consta em nenhum dicionário que se conheça. Mas se algum fazendeiro ou agropecuarista quiser comprar algo para a sua fazenda ou o seu rebanho, não adianta ir a uma famosa loja chamada Agroboi. Lá só se vendem materiais de construção. Sem ter um único pé de cacto ou de maracujá na cidade, as duas maiores festas folclóricas daqui foram batizadas com estes nomes exóticos. A Catedral Metropolitana de Porto Velho, que em 2005 encenou o “Terror na Catedral”, se chama Sagrado Coração de Jesus, mas a padroeira é Nossa Senhora Auxiliadora. O marco inicial da cidade de Porto Velho está isolado, quase dentro do mato mesmo, entre um cemitério e uma barragem e num raio de sete quilômetros dele não há cidade alguma.
         Uma das mais importantes ruas da cidade, que foi doada ao Governo Federal, se chama Migrantes, Imigrantes ou Costa e Silva. A atual BR-319 era Avenida Jorge Teixeira e que já foi Avenida Kennedy. Como muitos porto-velhenses têm mania de grandeza, bairro Alphaville tem uns três na cidade, mesmo com muita lama e sujeira. O teatro estadual, que ninguém sabe quando vai terminar, deveria se chamar Rafinha Bastos. Idaron, embora pareça masculino e inicie com a letra "I" é uma agência e está no feminino. A nova sede administrativa do Estado, que tem prédios construídos na forma das letras I e C de Ivo Cassol, o do Império da Roça, duvido que seja chamada de C.P.A.  Aqui ninguém sabe onde começa nem onde termina um bairro. A famosíssima e badalada danceteria Papo de Esquina não se localiza em uma esquina. A bucólica localidade de Calama tem seu nome que ninguém sabe de onde se originou nem o que significa. Deve ser por tudo isso que muitos brasileiros confundem Rondônia com Roraima. E já que o politicamente correto agora é chamar toda e qualquer favela de comunidade, entende-se por que o único nome adequado nesta confusão toda é o da nossa cidade: um porto muito velho mesmo situado num barranco sujo e fedorento que dá nome ao lugar. Estou confuso: será que o meu nome é mesmo Professor Nazareno?





*É Professor em Porto Velho.

sábado, 5 de novembro de 2011

O Brasil potência? Verdade?




Brasil: a primeira potência sem futuro


Professor Nazareno*
           
           
Segundo projeções do FMI, Fundo Monetário Internacional, e de várias agências financeiras internacionais, a partir de 2011 a economia do Brasil superará o Reino Unido e colocará o nosso país como a sexta potência econômica do planeta. Devido à prolongada crise financeira na Europa, no final de 2010 já superávamos em números absolutos o PIB da Itália e segundo ainda estes organismos, em menos de três anos superaremos a toda poderosa França. Em 2020, portanto muito próximo já, nenhuma economia da Europa será maior do que a do Brasil e certamente de acordo ainda com as mesmas projeções, estaremos entre as três potências econômicas do mundo ao lado de emergentes como China, Índia, Rússia e México. Claro que é um excelente desempenho para uma nação que sempre viveu dependendo da comunidade financeira mundial.
Só que esses números garbosos de prosperidade param por aí. A ONU divulgou recentemente que em IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, o Brasil ocupa uma posição bastante incômoda: estamos em 84º lugar dentre 180 nações pesquisadas. Uma vergonha para um país que se orgulha de ser uma das maiores potências mundiais. Como nenhum de nós, mortais comuns, consegue enxergar toda esta riqueza significa dizer que a monstruosa desigualdade social responde por quase todas as mazelas nacionais. De que adianta sermos em breve a maior potência econômica do mundo se não conseguimos resolver os nossos mais cruciais problemas internos? Viver no Brasil sempre foi muito ruim, mas para os muitos pobres daqui é pior ainda. Quando se olha para um hospital ou uma escola pública, percebe-se por que a desgraça está à espreita.
O Brasil não investe nem nunca investiu o que devia na educação e na saúde de sua população, itens necessários para se avaliar o índice de IDH. A maioria das nossas escolas públicas está podre, caindo literalmente aos pedaços. A educação que se pratica neste país é ridícula e ultrapassada. O “açougue” João Paulo Segundo de Porto Velho, que muitos insistem em chamar de hospital, é o retrato da saúde pública deste país. Praticamente não há uma única cidade brasileira onde a saúde e mesmo a educação funcionem de forma humana. Em quase todas as áreas culturais somos um fracasso. Nunca ganhamos nenhum prêmio Nobel enquanto países vizinhos nossos já foram agraciados várias vezes. Na área de Cinema nunca ganhamos um Oscar e a nossa melhor universidade, a USP, foi apontada recentemente entre as piores do mundo.
Se a situação cultural do Brasil é ruim, a de Rondônia, periferia da periferia da periferia, é pior ainda. Aqui não há produção intelectual nenhuma. Aliás, neste lugar não existem intelectuais. O rondoniense mais sabido que conheço deixa todo dia pela manhã a sua produção intelectual dentro do vaso sanitário. Após a descarga, acaba-se o pensamento do indivíduo. Muitas vezes o cretino nem se limpa. Feito galo, levanta-se e vai comer de novo para “pensar” na manhã seguinte. Quase todos os comentários dos sites eletrônicos locais estão repletos de erros gramaticais. Parece que a Língua Portuguesa é usada em Rondônia como se fosse um simples dialeto. Aqui a pena de morte e os maus tratos contra presos são defendidos de forma aberta até por alguns políticos. Incrível, mas só humoristas neste pedaço de Brasil é que são levados a sério.
O fracasso de Rondônia e do Brasil não combina com o status de potência mundial. Até no futebol deixamos de ser fortes. Nos últimos jogos Pan-americanos de Guadalajara no México, por exemplo, ficamos com um pífio terceiro lugar no quadro geral de medalhas bem atrás de Cuba. A ilha caribenha tem apenas seis por cento da nossa população e nos ultrapassou. Para nos consolar, colocaram um jogador do Santos, Neymar, para concorrer ao lado dos grandes atletas europeus ao prêmio de melhor do mundo. Vamos perder feio. O Santos vai perder para o Barcelona de Messi. O futebol jogado por Pelé sempre foi muito inferior ao de Maradona e praticamente só os brasileiros mais otimistas vêem o contrário. A maioria das nossas cidades não tem saneamento básico e a violência campeia em todas elas. A corrupção tornou-se endêmica no país inteiro. Na maioria dos casos, a nossa Justiça só funciona para os pobres. Vários Ministros de Estado já caíram em menos de dez meses. O ENEM foi fraudado mais uma vez. Só crescemos por causa do fracasso dos outros. Se tivéssemos vulcões, terremotos, nevascas ou outras catástrofes climáticas seríamos muito pior do que Sudão, Haiti ou Somália. Status de potência só por enquanto. Sem educação de qualidade e sem planejamento como segurar por muito tempo essa passageira euforia?





*É Professor em Porto Velho.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Rondônia voltando a ser Território?



Rondônia devia voltar a ser Território


Professor Nazareno*

            
           No cenário nacional, que já é uma grande porcaria, Rondônia não representa absolutamente nada. Deve constar nesses manuais de turismo que se trata de uma província atrasada, velha e sem futuro. Localiza-se no fim do Cerrado e começo da Amazônia, ou vice-versa, e por isso mesmo não é uma coisa e nem outra, pois está  imprensada entre o Mato Grosso e a Bolívia. E isso é fato, pois com uma área geográfica menor do que três por cento do total do Brasil, com 0,8 por cento da população nacional e menos do que isso de participação na parcela do PIB, muita gente otimista e desinformada ainda insiste em chamar este inútil espaço geográfico de Estado. Antes de ser Território Federal por 38 anos, isso aqui pertencia às terras do Mato Grosso e do Amazonas e sempre para atender às necessidades dos outros, foram redesenhando o lugar conforme gosto e interesses alheios. Primeiro, foi Território do Guaporé, pouco tempo depois Território de Rondônia e por fim, Estado de Rondônia.
            Por conta destes números estatísticos pífios e totalmente desprezíveis, a pomposa transformação do antigo Território de Rondônia em Estado há exatos 30 anos deveria ser repensada. Além de servir como uma espécie de castigo para os rondonienses que lutaram pela emancipação política e que depois não souberam administrar corretamente as suas terras, o fato poderia trazer inúmeros benefícios para todos os habitantes locais. A começar pelo excelente motivo de não termos uma Assembléia Legislativa. Mas que maravilha e quanto dinheiro poupado: nos Territórios não havia Assembléias Legislativas e por isso não tínhamos passado o vexame de ver escândalos divulgados nacionalmente como a Operação Dominó da Polícia Federal. Uma terra sem nenhum Deputado Estadual é o protótipo do paraíso, uma espécie de Éden. Senadores, nenhum. O Brasil jamais saberia que por aqui alguns tipos de políticos ainda defendem de forma medieval o uso de chicotes para punir presos comuns.
            Outra coisa muito boa também seria o fato de não termos o desprazer de possuir uma universidade federal como a Unir. Talvez tivéssemos extensões das boas universidades do país uma vez que lugares exóticos sempre interessam a universitários. Teríamos também bem menos feriados, já que os rondonienses comemoram o dia do seu Estado em duas datas. Em vez de 22 de dezembro e 04 janeiro, apenas o 13 de setembro. Duvido que como um simples Território, o restante do país se interessasse por fazer hidrelétricas para estuprar o nosso já combalido meio ambiente. A capital, infelizmente, seria ainda Porto Velho, que foi apontada recentemente pelo Instituto Trata Brasil como a cidade mais suja e imunda do país com apenas 1,2 por cento de saneamento básico e menos de 3% de água tratada. Com a “elevação” do Estado à condição de Território, o futebol vibrante que tínhamos antigamente voltaria a encantar os torcedores. Com menos gente nas ruas, trânsito caótico e violência, nem existiriam.
            Na onda do politicamente correto de que quanto menor o número de políticos, melhor para todos, só elegeríamos dois Deputados Federais. Nada de aumentar, a contragosto da população e com a estranha conivência do Poder Judiciário, o número de deputados ou vereadores. O Governador, mesmo numa democracia, escolheria o Prefeito da Capital: “Não concluiu todas as obras que prometeu, troca-se por outro que cumpra”. Poderíamos seguir as mesmas leis da Constituição Federal e a TV Allamanda, por exemplo, que não existia na época do Território, não poderia censurar nenhum jornalista apenas por conveniência própria, já que a liberdade de expressão é comum no Brasil inteiro. Talvez nem tivéssemos um Hospital como o João Paulo Segundo com as suas terríveis cenas de filme de terror de quinta categoria. O ruim disso é que nenhuma emissora de televisão de fora poderia noticiar o que todo mundo já sabia. Não teríamos também o arraial Flor do Maracujá nem os malditos carnavais fora de época. Até o salário dos professores era infinitamente maior naquela época e todo mundo sabe disto.
No Território, mesmo com incentivos oficias como na época do saudoso Teixeirão, as queimadas diminuiriam, a poluição seria menor e não haveria tanta ganância por terra e por gado para abastecer de carne boa e barata o restante do país. Poderíamos até pescar Jatuaranas no Cai N’água e com toda a certeza nem presídios federais teríamos. Os piores bandidos do Brasil ficariam por lá mesmo. “Rondônia, uma estrela a menos no azul (ou acinzentado céu) da União” seria o bordão cantado por todos. O hino, embora feio e sem graça, poderia ser o mesmo que sempre se cantou por estas bandas. Ou então adotaríamos “Novos Céus” do professor Carlos Moreira. Seríamos bem mais felizes. Por isso, deveríamos lutar para que Brasília nos adotasse por mais um tempo. Como Território, seria normal que políticos vindos de fora e alheios à nossa realidade nos administrassem. Na próxima reforma da Constituição, os nossos políticos deveriam propor esta mudança para o bem de todos os que nascemos aqui ou adotamos esta maravilhosa terra para viver. “Queremos voltar a ser Território”.






*É Professor em Porto Velho

domingo, 23 de outubro de 2011

Quase acerto o tema da Redação do ENEM/2011 (De novo)



O tema que eu propus:

          MSN, Orkut, twitter, blogs, downloads, e-mail, Hotmail: novas formas de comunicações no mundo tecnológico.  As conseqüências para o jovem que usa a internet. Escravidão tecnológica: por que não conseguimos mais viver sem a internet e o telefone celular?


O tema que caiu:

"Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado".

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Por que o Poder é tão cobiçado?




“Todo Poder emana do Açúcar e do Mel...”


Professor Nazareno*


           
Está escrito no Artigo Primeiro, parágrafo único, da nossa Constituição que todo poder emana do povo e em seu nome será exercido. Pode até ser, mas tem-se visto ultimamente, aqui e no mundo inteiro, que se trata de mais uma frase estéril e sem nenhum efeito prático. O poder deve ser muito doce, pois quem chega a ele não quer deixá-lo jamais. O fascínio exercido por ele encanta a quase todos. Saddam Hussein, ex-mandatário do Iraque poderia estar vivo até hoje. Vivo e muito rico vivendo como exilado político em qualquer um dos vários países que lhe propuseram abrigo antes da invasão norte-americana ao seu país em 2003. Claro que teria que deixar o Governo para gozar de todas essas regalias. Muammar Kadafi, ex-ditador da Líbia, morto recentemente, também rejeitou a mesma proposta. Ele, a fortuna que pilhou dos seus cidadãos e toda a sua família poderiam ter ido para o exterior após abdicar o poder. Como Saddam, rejeitou e preferiu lutar até o fim. Foi fuzilado. Saddam, enforcado.
Viver uma vida de nababo em um país distante e com toda a proteção possível deve ser o sonho de qualquer ser humano que tenha um mínimo de bom senso. Saddam e Kadafi, inebriados pelo poder e na ânsia de ganhar sempre mais, trocaram essa maravilhosa idéia pela morte. Morreram como ratos escondidos em buracos. Não estavam satisfeitos com as suas fortunas. Queriam mais poder e mais dinheiro. O ex-ditador iraquiano disse certa vez que só deixaria o cargo depois de um banho de sangue, pois foi isso que fez para ser o dirigente maior do seu povo. Na Líbia, o coronel Kadafi disse que tinha três opções para resolver o problema dos protestos da Primavera Árabe em seu país: “ficar na Líbia, ficar na Líbia e ficar na Líbia”. Para eles, “nem mel, nem cabaça”. No restante do mundo a situação parece não ser muito diferente quando o poder está em jogo. Ninguém quer largá-lo facilmente. No Brasil, por exemplo, a elite mandou durante 502 longos anos. E para ter o poder, “fez acordo até com o diabo”.
          Agora, quem manda no Brasil é o PT, que para conseguir o domínio também fez alianças com tudo e com todos. O escândalo do Mensalão foi uma tática, saída das entranhas do Partido dos Trabalhadores para conseguir mais força. Já faz nove longos anos que a “estrela vermelha” manda em nós e deve continuar assim por mais uns três anos pelo menos. O PMDB, aliado de primeira hora dos petistas e que nunca deixou de ser poder, até durante a Ditadura Militar era quem mandava no Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, através do Chagas Freitas, parece que jamais deixará de mandar no país. É sempre assim: quem chega ao poder, jamais quer sair dele. Em Rondônia não é diferente: no topo, tudo é válido para não largar a “boquinha”. Quando o Governo do Estado anunciou que faria eleições para a escolha dos novos diretores de escolas estaduais, os olhos de muitos professores começaram a brilhar de forma muito estranha. A possibilidade de chegar a mandar, mesmo em escolas sujas, desorganizadas, totalmente desvalorizadas e caindo aos pedaços, encanta a muitos. É a chance do poder.
A recente crise na Unir, Universidade Federal de Rondônia, exemplifica muito bem esta tese. Por que o reitor José Januário não quer deixar o danado do poder? Claro que ele foi eleito democraticamente e pelos meios legais, mas tem muita gente que está muito insatisfeita com a sua desastrada administração. Comenta-se “à boca larga” que há todo tipo de irregularidades e desmandos na única universidade pública de Rondônia. Para o bem de todos e felicidade geral do meio universitário, ele deveria renunciar ao cargo imediatamente. Mas a sede de poder é tamanha que, por enquanto, não está disposto a fazer isso. No Sintero, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Rondônia é a mesmíssima coisa. A atual diretoria está encastelada no poder há mais de vinte anos. Seus membros se revezam na Presidência do Sindicato como se fossem uma dinastia daquelas verificadas no Iraque ou na Líbia. Se pudessem, nem eleições eles permitiam por lá. Aliás, tem muito sindicalista em Rondônia que não sabe o que é trabalho há muito tempo. Perder “a mamata” que o poder proporciona, jamais. Isto está comprovado nas eleições que acontecem. A baixaria é tanta que muitas vezes é a Justiça quem decide o imbróglio. Uma vergonha para quem chegou ao auge defendendo a democracia e a rotatividade de cargos. Não termos fuzilamentos ou forca é muita sorte.





*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Feliz dia de nós! De novo!


Ser Professor: mais do que um Sacerdócio


Professor Nazareno*

            
            Eu sou professor e disso quase todo mundo sabe. O que muita gente ainda não sabe é que estou ministrando aulas há mais de 35 anos ininterruptos e que, por incrível que possa parecer, sou muito feliz com a profissão que escolhi. As razões são as mais variadas possíveis. A começar pelo alto salário que recebo pela minha faina diária. Confesso que às vezes, no final do mês, nem sei o que fazer com tanto dinheiro em minha conta corrente. Já pensei em fazer aplicações na Bolsa de Valores, investir pesado na compra de imóveis, adquirir fazendas, iates de luxo, carros importados, ações e outros mimos oferecidos pelo Capitalismo. A valorização do professor hoje é uma realidade no Brasil. Profissão amplamente reconhecida pelos mais variados setores da nossa sociedade, estar dentro de uma sala de aula é algo extremamente recompensador para quem não escolheu ainda uma boa profissão para seguir. Deve ser por isso que nos vestibulares há uma concorrência muito grande para os cursos da área do Magistério.
            Ser professor não é só ensinar aos outros e todo mundo sabe disto. Como dizia o mestre Paulo Freire: “aprendemos muitas coisas diariamente com os nossos alunos”. Zelosos, higiênicos, compreensivos, dedicados, inteligentes e sempre muito bem educados, os meninos, cujos nomes de muitos parecem ser retirados de latas de goiabada, sempre estão prontos para cooperar conosco. O respeito é fundamental e por isso a obediência é um destaque. É uma profissão que não apresenta ossos do ofício, por incrível que pareça. Outro fator muito importante na nossa labuta é a cooperação dos pais. “Com pais tão dedicados e participativos assim e também altamente interessados pela educação dos filhos, trabalhar nas escolas públicas do Brasil se tornou uma agradável rotina” comentou outro dia um professor que não conseguia esconder o largo sorriso de tanta felicidade. Porém, só presidiário mesmo é que gosta de professor. Político também, mas só no dia 15 de outubro para tecer loas hipócritas “aos mestres”.
            Dar aulas no Brasil é uma dádiva dos céus e em Rondônia é melhor ainda. Aqui temos um Sindicato, o Sintero, que dispensa quaisquer comentários. Com dirigentes muito bons, probos e competentes (eles competem todas as vezes em que há eleições, no Sindicato e fora dele) os mestres rondonienses se sentem no paraíso. Esses dirigentes são tão bons e politizados que até já se tornaram, por conta própria, amigos do patrão, o Governo do Estado. Para eles, continuísmo é renovação: afirmam que mudarão o sindicato e sempre são candidatos. As escolas de Porto Velho, por exemplo, são limpas, asseadas e todas muito bem organizadas. É uma segunda casa para nós professores. Só para ampliar ainda mais o já concorrido mercado de trabalho, muitos professores trabalham na escola pública e matriculam seus filhos nas escolas particulares. Além do mais, os mestres se esmeram em fazer amizades e incentivar uns aos outros quando o assunto é melhoria na qualidade da Educação. São tão bons que muitos serão candidatos a Diretor das escolas só para ganhar mais experiências em seus currículos. Que bom!
            O bom professor, agora transformado em profissional da educação, ou seja, mais um proletário, sabe muito bem o que fazer para manter suas qualidades: não fala mal da profissão na frente dos alunos, incentiva todos eles a seguir a nobre carreira, evita ir à sala de professores para não se contaminar com pessimismos, não come a merenda servida pelo Estado, elogia sempre o Governo de plantão, cumpre suas tarefas, jamais leva trabalhos para corrigir em casa, obedece ao Diretor, mantém sempre os diários atualizados e tem um bom humor que ninguém sabe de onde vem. Professor também sabe como comemorar a sua data: sempre que pode, antecipa em um dia ou dois as homenagens só para não ter que trabalhar. Estudar para outros concursos durante as aulas, jamais. Nenhum professor faz isso. Assim como também não junta as salas para liberar os alunos mais cedo, não adianta aulas, chega sempre dez minutos antes dos alunos e só os libera depois de tocar o sinal e tem total controle sobre as suas turmas. Somos uns “zeróis”. Ser professor é tão bom e prazeroso que qualquer técnico de futebol hoje em dia faz questão de ser chamado também de professor. Como no Japão, devíamos receber reverência das nossas autoridades. O Governo faz zelosamente a sua parte “incentivando a profissão e valorizando a Educação”. As autoridades, espertas, sempre fizeram esta ação no Brasil. Por isso, pelo menos hoje, parabéns para todos nós.






*É Professor em Porto Velho.

sábado, 8 de outubro de 2011

Cuidado: a censura pode estar de volta!



“Censura: Ovo de Serpente em Ninho de Aves”


Professor Nazareno*

                
                Estou com medo: o espectro da censura volta a rondar perigosamente o país. Mesmo não sendo algo oficial e que por isso não goza de nenhum respaldo moral uma vez que a própria Constituição Brasileira, no seu artigo quinto, não permite, há várias escaramuças nesse sentido vindo exatamente das entranhas do próprio Governo do PT e de parte de uma opinião pública alienada e manipulada por interesses escusos. Como se não bastasse a absurda tentativa de se criar uma espécie de Conselho Regulatório da Imprensa, idéia acalentada pelo ex-presidente Lula, eis que agora surge com mais força ainda o desejo de calar à força as poucas vozes destoantes numa democracia que foi conquistada no Brasil “há pouco tempo e a muito custo”. A volta da censura só interessa a dois tipos de pessoas: logicamente para aqueles que se beneficiam dela e os ingênuos, a grande maioria dos brasileiros, que ainda acreditam que o Estado só a usaria para alguns poucos fins. Vários casos, no entanto, foram verificados no país inteiro nas duas últimas semanas e que justificam o presente temor.
                A Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, órgão do Governo Federal, enviou há poucos dias uma carta de apoio ao Sindicato dos Metroviários de São Paulo, que pediu que a TV Globo tirasse do ar o quadro “Metrô Zorra Brasil”. A mesma Secretaria, da Ministra Iriny Lopes, anteriormente pedira a suspensão de um comercial em que Gisele Bundchen aparece de lingerie. O sinistro documento “parabeniza a iniciativa e endossa a necessidade de ações como estas que visam desconstruir discursos de uma cultura que, até camuflada no humor, perpetua a violência simbólica contra as mulheres”. Por sua vez, os metroviários paulistas acusam o programa humorístico de incentivar o assédio sexual nos vagões de trens paulistanos e por isso o país inteiro ficaria proibido de ver o quadro de humor exibido pela emissora. O que chama a atenção em ambos os casos é que é uma ínfima parcela da população que quer decidir o que a maioria deve ou não assistir na televisão. Censura pura e simples sem maiores delongas. Será que eles sabem para que foram inventados os controles remotos?
                Ainda no Século Dezoito, Voltaire, famoso iluminista francês, deu uma lição sobre Liberdade de Expressão que, parece, não foi aprendida por muitos brasileiros deste século. Ainda vivemos num tempo bem anterior ao Iluminismo. O episódio Rafinha Bastos demonstra muito bem a questão. Nunca assisti ao programa CQC, nem iria a nenhum show protagonizado pelos seus apresentadores, mas jamais, por questões éticas, censuraria o programa. Num dos textos mais lúcidos sobre o assunto, o jornalista rondoniense Sérgio Pires comentou: “A censura ao humorista colocou, no seio da coletividade brasileira, o ovo da serpente. A semente da censura. Porque quando ela emana das ditaduras, até se compreende. Os ditadores a usam como primeira arma para calar os seus opositores. Mas quando ela nasce entre as pessoas comuns, aí sim, o risco é enorme. Porque a pressão para calar na marra um humorista, por pior que seja sua piada, é um caminho tortuoso para se pensar em censurar tudo: o filme que pareceu agressivo; a novela com cenas picantes; o político que faz oposição; o texto que critica desmandos de autoridades. Começa-se aceitando, como sociedade, que um dos seus membros seja censurado, seja calado. Depois, não há mais como conter as conseqüências desse ato”.
                Porém, muitos rondonienses e brasileiros torcem para que ela volte. Até jornalistas parecem gostar dela: oito imbecis metidos a jornalistas, contados a dedo, já propuseram censura a meus textos bobos. Eu os chamo simplesmente de “jornalistas capitão-do-mato”, aqueles negros que eram pagos para assassinar outros negros no tempo da escravidão. Não se pode usar o argumento tolo de que “nasci nesta terra e ninguém pode falar mal dela” para se defender a excrescência, a imoralidade, o cerceamento ao direito de se falar. Se minhas palavras atingirem a honra de alguém, que se busquem na Justiça, como manda a lei, os reparos, mas garanta a qualquer um o direito de se expressar.  Jornalista que defende a censura não é jornalista, é picareta que nunca estudou jornalismo numa faculdade de renome. A censura no Brasil nunca acabou, esta é a grande verdade. Por que em alguns sites eletrônicos de Porto Velho, por exemplo, não se vêem notícias contra a administração de Roberto Sobrinho à frente da Prefeitura? Lisura, mau jornalismo ou simples "cala-boca" mesmo? Por que a bancada de evangélicos no Congresso Nacional foi contra a distribuição do Kit anti-homofobia e censurou a sua distribuição nas escolas públicas do país? Por que muitos comentaristas se insurgem contra as piadas sem graça do Rafinha Bastos e lhe propõem apenas o silenciamento? Por que alguns religiosos ainda hoje defendem o índex?
                É como diz Sérgio Pires no seu texto: “... as piadas do Rafinha Bastos são horríveis, mas pior do que elas é a tentativa de censurá-lo...” . Para muita gente, a Ditadura Militar foi uma dádiva dos céus e que devia retornar à sociedade brasileira. Por isso não é de se estranhar quando senadores da República, desconhecendo que o Brasil é signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos ainda defendem publicamente chicotadas e todo tipo de maus-tratos para presos comuns e recebem aplausos ao proporem este e outros retrocessos medievais. Engraçado nisso tudo é que a grande maioria dos brasileiros acha o Estado incompetente, mas defende a pena de morte, a censura e o controle estatal sobre as pessoas como se verifica nas sociedades mais atrasadas e anacrônicas do mundo. “Ninguém precisa nos dizer o que devemos ou não assistir ou ouvir”. Tenho medo da censura porque com ela serei obrigado a achar as Três Caixas d’Água, o horroroso símbolo de Porto Velho, bonitas. À força, terei que admitir que Porto Velho é uma cidade limpa, organizada e cheirosa e que o Carnaval é uma invenção divina e todos ganham com ele. Para não morrer sob torturas direi também que todo político é honesto, não rouba e que trabalha sempre em benefício do povo. Na marra, vou deixar de produzir meus textos por causa de meia dúzia de otários que dizem não gostar deles, mas sempre os lêem. Tenham santa paciência. 





*É Professor em Porto Velho.

sábado, 1 de outubro de 2011

Parabéns, querida Porto Velho pelos 97 anos!




Porto Velho, 97 anos: o Paraíso Existe


Professor Nazareno*
           

      Dos 192 milhões de brasileiros, uma pequena parte de aproximadamente 400 mil habitantes tem a extrema e suprema sorte de morar no melhor lugar do país: a cidade de Porto Velho, capital do Estado de Rondônia. Com 97 anos muito bem completados neste dia dois de outubro, o lugar acaba de ganhar o seu melhor presente de aniversário. O Instituto Trata Brasil informa a todo o país as razões por que os porto-velhenses devem se orgulhar de morar nesta magnífica cidade. Dona de um excelente padrão de vida, a capital de Rondônia é um verdadeiro jardim a céu aberto. Uma espécie de paraíso inatingível. Onde quer que se vá, a inconfundível fragrância de perfume francês delicia as pessoas. Praças, muitas árvores, lugares de lazer, tudo isto é comum por aqui. Até o clima de Alpes suíços que a cidade possui, contribui para o aumento do já alto IDH. Apesar de ser ainda muito jovem, as experiências urbanas copiadas por várias outras capitais do Brasil, têm entusiasmado e é o orgulho de todos os moradores locais.
Não há um único item que não seja destaque em Porto Velho. O sistema de transporte coletivo, por exemplo, é perfeito. Ônibus sempre limpos, climatizados e com um dos menores preços tarifários do país, circulam pelas largas e arborizadas ruas. As paradas, também com alto padrão de eficiência, têm até cronômetros para marcar o horário dos coletivos que jamais atrasaram. Como nunca houve assaltos dentro dos veículos, as câmaras ali existentes foram retiradas para dar mais conforto aos usuários. No cais do Porto, a limpeza é o destaque principal. O luxo visto por lá é de “colocar no chinelo” a infra-estrutura de qualquer cidade da Escandinávia ou mesmo outro lugar da Europa e do mundo. Barcos sempre limpos, cheirosos e pontuais cortam o imponente rio Madeira fazendo o tradicional banzeiro para delírio dos muitos turistas. Em qualquer horário do dia ou da noite, para o passageiro é possível desembarcar nas imediações sem ser importunado por ninguém. Tudo é muito bem iluminado e a segurança é total.
Na área da política, a felicidade reina na capital dos rondonienses. Recentemente o número de vereadores da cidade foi aumentado em cinco cadeiras. Claro que o povo, extremamente satisfeito por mais este ato cívico vindo dos políticos, aplaudiu o aumento de quase 30 por cento verificados na Câmara de Vereadores. E o raciocínio é simples: aumentará também, na mesma proporção ou mais, o trabalho dos legisladores municipais em benefício de todos nós. A cidade é um verdadeiro canteiro de obras. O prefeito petista, Roberto Sobrinho, imprimiu uma rotina de trabalho jamais vista por estas bandas. Até o Major Fernando Guapindaia, primeiro mandatário da cidade, ficaria espantando e feliz com tanto zelo da atual administração municipal. “Desde 1914, nunca houve ninguém que se preocupasse tanto com a imagem desta capital como a administração petista”, comentam “à boca larga” os moradores que não conseguem esconder o sorriso de tão satisfeitos e felizes. E completam: “Sobrinho é o nosso herói”.
Morar em Porto Velho é como morar no céu. Talvez por isso o número de pretensos candidatos a prefeito no próximo ano não para de crescer. De político aposentado a vendedor de carros, passando por comunista enrustido e todo tipo de gente querendo “uma boquinha”, a lista é muito grande. Violência, a cidade quase não tem. O trânsito é de encantar qualquer um de tanta organização. O cidadão típico da cidade é intelectual, muito educado e boa gente. Alguns jornalistas locais (muitos formados em beira de barranco) adoram a liberdade de expressão, sempre rejeitaram a censura e falam sobre os mais variados temas. O símbolo da cidade são as Três Caixas D’água, ou Três Marias, um monumento de rara beleza que devia estar sendo exposto em algum museu da Europa e que muitos porto-velhenses juram, por causa da época, ter sido Rodin, escultor francês, o seu criador. A rodoviária é um esmero de limpeza e comodidade e seus limpos e asseados banheiros são referência nacional. Parece um Shopping Center de Milão ou Geneve de tão limpa. É cortada por um igarapé de águas cristalinas onde é comum se observar crianças acompanhadas de seus pais matando a sede em seu límpido líquido que mais se parece néctar. Flores abundam por todos os cantos da cidade. A felicidade mora na capital dos rondonienses. Parabéns, querida Porto Velho, pelos seus 97 anos tão bem vividos. Viva bem mais. Somos muito felizes.





*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Porto Velho: sinônimo de sujeira e podridão






Vigilância Sanitária devia interditar Porto Velho


Professor Nazareno*
           

Agentes da Vigilância Sanitária Municipal de Porto Velho interditaram no início da semana o supermercado atacadista Makro, na BR – 364, por tempo indeterminado, sob a alegação de terem encontrado sujeiras, toneladas de produtos alimentícios com o prazo de validade vencido e principalmente muitos ratos dentro daquele estabelecimento comercial. Há denúncias de que, mesmo depois de os responsáveis serem avisados, “havia uma verdadeira praga de roedores” infestando as dependências do lugar, fato ainda verificado após terem sido feitas várias desratizações. Até aí, tudo bem. Nada de anormal em se tratando de funcionários públicos zelosos com a sua função e a preocupação do Poder Público em cuidar da saúde preventiva da população. O problema é que estamos em Porto Velho, comprovada a capital mais suja e imunda do Brasil e que, diante de tanta porcaria, faz o episódio do Makro parecer micro. Se esta discussão não foi motivada pela “guerra da concorrência”, há muito que esclarecer uma vez que ninguém de bom senso coloca de propósito ratos dentro do próprio local de trabalho.
A ação da Vigilância Sanitária devia não causar mais nenhum espanto a nós moradores porto-velhenses, já que sujeira e todo tipo de “seboseira” sempre foram itens mais do que comuns em nossas vidas. Devíamos já estar acostumados com este oceano de podridão que sempre caracterizou a nossa cidade. Sem nenhuma arborização, embora situada em plena floresta Amazônica, com ridículos três por cento de água tratada e com menos do que isso de saneamento básico, a capital dos rondonienses é um paraíso de valas contaminadas enfeitando a paisagem, esgotos a céu aberto e principalmente bichos mortos deixados pelas fedorentas ruas exalando o seu odor característico. O site Rondoniaovivo tem publicado quase diariamente fotos e reportagens denunciando a total falta de zelo e limpeza de nós moradores da cidade. Dos bairros mais periféricos até os mais elitizados e próximos à área central, o que se vê é lixo esparramado pelo chão, restos de comida, carniça, e toda a sorte de podridão e sujeira. Emporcalhamos as ruas e cobramos empenho das autoridades. Devíamos era tomar vergonha na cara.
Já que é tão zelosa e competente, a Vigilância Sanitária deveria inquirir as autoridades do município para saber o porquê deste “lixaral” e também interditar a cidade toda. No inverno vivemos com a lama imunda a nos incomodar, no verão é a poeira misturada a fezes que inalamos diariamente. Grande parte da cidade é abastecida por água captada em poços imundos geralmente cavados ao lado de fossas sépticas. Hepatite por aqui é como gripe, quase todo mundo tem ou já teve. Até fossa já estourou em plena sala de cirurgia do Hospital João Paulo Segundo onde o mau cheiro de sangue pisado e de carne crua e insossa é muito comum. O nosso único Pronto-Socorro dispensa qualquer comentário em matéria de higiene e limpeza. O porto que dá nome à cidade é um barranco feio, sujo e cheio de lixo. Até o outrora e imponente rio Madeira tem boiando em suas águas todo tipo de cacarecos: de absorventes femininos usados até garrafas pet e fraldas descartáveis ainda repletas com o seu fétido conteúdo. Essa cidade é uma grande fossa a céu aberto e segundo o Instituto Trata Brasil, em limpeza e esgoto, estamos em último lugar dentre as capitais. Somos campeões em podridão. Vergonha!
Porto Velho além de não ter aterro sanitário, também não tem coleta seletiva de lixo. Nunca teve. A desculpa de que é uma cidade nova e que os incomodados devem se mudar não cola, já que há cidades bem mais recentes e que são exemplos de limpeza e de excelente planejamento urbano. Além do mais, várias pessoas já saíram daqui e nada foi resolvido. Os arraiais que são feitos para divertir o povão broco geralmente são montados em lugares ermos, sujos e sem ventilação nem higiene. A comida é servida em meio à catinga e sem nenhuma instalação decente. O único Shopping Center daqui tem uma madeireira no pátio e que quando vende a madeira “louro-bosta” exala um fedor horrível. Caminhar no Espaço Alternativo ou “Buchódromo” é ter a certeza de encontrar milhares de preservativos masculinos usados. Uma nojeira. Até a Unir fez greve por questões de limpeza e higiene no Campus. Por que essa tal de Vigilância Sanitária não vê tudo isso? Interditar um supermercado por causa de simples e inofensivos ratinhos é um exagero sem tamanho. Será que ela já foi até a Assembléia Legislativa do Estado ou mesmo até a Câmara Municipal? Sujeira é o que não falta nestes ambientes. Deve ser por isso que uma das comidas típicas desta região é o Mandi, uma espécie de pequeno bagre que se alimenta de fezes humanas e é uma iguaria muito apreciada. Aqui só falta chover dejetos humanos, mas antes disso acontecer, as autoridades deveriam colocar uma placa na entrada da cidade avisando do problema ou então erguer uma enorme estátua do Cascão ou do Sugismundo para combinar melhor com essa caótica situação de sujeira em que estamos todos atolados.






É Professor em Porto Velho

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Unir: Greve! Greve! Greve!



Greve na Unir: a Culpa não é só do Reitor


Professor Nazareno*

             
             A Unir, Universidade Federal de Rondônia, está em greve mais uma vez. E muito diferente de outras paralisações anteriores, esta não é por melhores salários para os professores ou funcionários da Instituição: é por melhores condições de trabalho nas dependências dos vários campi espalhados pelo Estado. A discussão que devia existir no ambiente universitário envolvendo melhorias no Ensino, Pesquisa e Extensão cedeu vergonhosamente o lugar para debates mais rasteiros e de importância menos nobre para um centro que se diz de Ensino Superior. Falta de papel higiênico nas imundas privadas daquele Estabelecimento de Ensino, cadeiras quebradas, sujeira abundante por todo o campus, lixo espalhado pelos departamentos, prédios e salas de aula, falta de água, de restaurante universitário dentre outras mazelas fazem a pauta de reivindicação dos grevistas. O descaso, a falta de respeito e a pouca valorização da Educação itens tão comuns na maioria das escolas públicas do Brasil chegam, enfim, à universidade. O Campus José Ribeiro é a imagem de Porto Velho: sujeira, imundície, fedor e lixo.
            Não tenho procuração para defender ninguém nem jamais, talvez, o fizesse, mas culpar apenas uma única entidade por todo este estado de coisas é no mínimo uma injustiça que pode demonstrar a falta de uma visão “macro” daqueles militantes mais exaltados. O Magnífico é, logicamente, parte do problema que afeta esta Instituição de Ensino Superior. Mas há muitos outros culpados por mais esta vergonha. A culpa pode ser também nossa enquanto sociedade, enquanto povo. Nunca fomos ensinados a cobrar nada de ninguém. Os verdadeiros responsáveis somos todos nós brasileiros, alunos ou não, professores ou não, autoridades ou não, que nunca demos o verdadeiro valor que a Educação deste país merece. Os médicos formados nesta universidade vão cuidar da saúde dos meus netos, vão prescrever remédios para o povo, os professores vão ensinar às futuras gerações de rondonienses, os engenheiros vão assinar plantas de edifícios onde meus netinhos vão morar, enquanto muitos outros acadêmicos entrarão na política ou outras atividades afins para futuramente governar os destinos deste Estado.
            E qual o nível de participação do povo e da sociedade neste movimento, já que deviam ser os maiores interessados? Qual o nível de participação do Poder Público? Alguém já procurou saber como funcionam as relações da Unir com a Fundação Rio-Mar? Infelizmente o que se observa também nesta greve é que apenas alguns setores da própria universidade mais interessados e diretamente envolvidos como professores, alunos e funcionários participam da paralisação, ainda assim de forma muito restrita. Lamentavelmente a falência também do Ensino Público Superior no país evidencia uma tendência nacional. A Educação, de um modo geral, não interessa a quase ninguém. Os ensinos Fundamental e Médio públicos já decretaram a sua falência faz tempo. Os vergonhosos resultados do ENEM 2010 são a prova deste gravíssimo fato. Greve de professores nunca causou maiores impactos em nossa sociedade. E os políticos sabem perfeitamente disto e providenciam shows e espetáculos para distrair a massa ignara. É festa: Reginaldo Rossi e a Banda “Calixo” são as mais novas atrações de Porto Velho.
            A desvalorização da Educação e do ensino de um modo geral também é incentivada entre os próprios alunos: como entender por que cursos como Medicina, por exemplo, têm muitas vezes uma concorrência trinta, quarenta ou cinqüenta vezes maior do que Letras/Português, de longe o curso mais importante em qualquer faculdade brasileira? A desorganização crônica observada na única universidade pública de Rondônia também devia ser um problema do povo. A organização de um simples concurso vestibular sempre foi um obstáculo intransponível dentro da Unir. E este ano não foi diferente. Há mais de vinte anos trabalho na preparação de alunos para ingressar no Ensino Superior deste Estado e nunca vi nada que justificasse a árdua tarefa dos futuros acadêmicos de Rondônia. Se não for o desejo de privatização do Ensino Superior público do Brasil que está por trás destas mazelas ou mesmo a incompetência do atual reitor em administrar “as polpudas verbas” que afirmam virem do MEC, fica muito difícil perceber a real dimensão ou a causa deste problema. “Será que esta greve absurda e extemporânea não vai prejudicar a minha viagem de férias no final do ano às praias nordestinas ou atrapalhar a minha ida ao Rock in Rio ainda neste mês?”






*É Professor em Porto Velho.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A resposta do JBC à inveja e à trairagem de idiotas: competência!





“Porquê  a Escola João Bento dar Certo?”


Professor Nazareno*


     A divulgação dos resultados do ENEM, Exame Nacional do Ensino Médio, provou mais uma vez o que o país inteiro já sabe há anos: o nosso sistema de educação está completamente falido. Apesar de existirem algumas falhas estruturais, esse processo avaliativo é um dos mais perfeitos do mundo e a escola que obtém bons resultados nele pode ser considerada sim, ao contrário do que muitos afirmam, um ótimo lugar para se estudar. Embora não seja o único item para se avaliar a competência de uma escola, o ENEM é um excelente balizador do desempenho de qualquer estabelecimento de ensino. Porém, numa escala que vai até quase mil pontos, a escola melhor colocada no Brasil chegou a marcar setenta e seis por cento. O fosso entre os sistemas público e privado de ensino no país só aumenta e requer urgentes providências.
Em Rondônia, apenas foi confirmada a tendência nacional. No entanto, o destaque foi a Escola Professor João Bento da Costa de Porto Velho. Dentre as escolas públicas estaduais, o JBC despontou como a melhor do Estado com uma nota de 575 pontos, onze a mais do que o ano anterior e muito à frente de muitas escolas públicas tradicionais da Capital. O sucesso desta escola se dá principalmente por que participou da avaliação com um número de alunos (440) superior à soma das dez primeiras escolas classificadas de Rondônia no ENEM, incluindo nesse item as públicas e as particulares. Escola pública à nossa frente só a Marcelo Cândia (95 alunos), que é conveniada com o Estado e muito bem administrada pelas irmãs Marcelinas e o Colégio Agrícola de Colorado do Oeste (73 alunos) que é um estabelecimento Federal.
Além do mais, o JBC participou do ENEM 2010 com muitos alunos do EJA, Educação de Jovens e Adultos, fato que notoriamente faz diminuir o índice final obtido pelas escolas. Conhecidos popularmente como “Eu Jamais Aprenderei”, os participantes dessa modalidade de ensino têm-se esforçado muito para contribuir na elevação dos índices de qualquer colégio. A nota obtida pelo JBC, no entanto, ficou acima das médias nacional e estadual e a apenas 186 pontos da média da melhor escola do Brasil, o Colégio São Bento do Rio de Janeiro que obteve 761 pontos e 84 pontos menos do que o Colégio Classe A, de Porto Velho, apontada pelo ENEM como a melhor escola do Estado de Rondônia já há uma década e que somou 659. Ainda assim, esses números podem revelar uma tragédia anunciada no nosso sistema de educação.
O que não se entende é por que a Escola João Bento da Costa ultimamente tem sido alvo freqüente de pessoas que querem, por motivos desconhecidos, destruir o Projeto Terceirão na escola pública. Uma experiência que sempre deu certo não pode jamais sucumbir à inveja. Diante destes números garbosos, os críticos do JBC deveriam dar um tiro no coco ou mesmo tomar cicuta. “Árvore que não dá frutos não recebe pedradas”, ensina um velho ditado popular. Porém, os ventos soprados pelo ENEM indicam que mudanças precisam ser feitas e urgentemente. A sociedade precisa entender que educação de qualidade é um direito seu e por isso deve cobrar mais das autoridades. Se além de participar de Marchas para Jesus, Passeatas do Orgulho Gay, carnaval fora de época e Banda do vai quem quer o povo exigisse seus direitos, o nosso Estado seria outro. Em vez da “Banda Calixo” e do “Chibiu” da Joelma, precisamos é de boa cultura.
Sem Educação de qualidade não há progresso nem desenvolvimento todo mundo sabe disto, mas pouco se faz para que haja mudanças reais. E infelizmente o que se observa é um festival de erros e ignorância sem precedentes no país inteiro. Nos comentários que se postam em textos na internet a Língua Portuguesa é assassinada a cada palavra escrita. O nível intelectual da maioria dos brasileiros não faz inveja a nenhum jumento. Será que algum leitor, por exemplo, perceberia os erros gramaticais no título deste artigo? A própria SEDUC, Secretaria de Estado da Educação, recentemente grafou errado no muro da escola o nome do João Bento. Em vez de Professor (Prof.) escreveu Professoro (Profº). Além do ENEM, os alunos do JBC são preparados também para a vida. Mais de mil cidadãos de todos os cantos de Rondônia estão hoje cursando uma universidade ou já estão formados exercendo dignamente suas profissões. O sucesso deste Projeto deveria ser copiado pelas escolas públicas do Estado. O Exame Nacional do Ensino Médio funciona apenas como um bom termômetro que indica a febre do paciente. Cabe aos “médicos” de plantão prescrever os remédios certos para o mal ser curado definitivamente. De qualquer forma, parabéns a todos os alunos da Escola João Bento da Costa do ano de 2010. Sucesso a todos vocês.



*É Professor em Porto Velho.

sábado, 10 de setembro de 2011

Onze de Setembro: os Estados Unidos são inocentes?




Onze de Setembro: Uma Década sem Arrogância


Professor Nazareno*
           

Pode até parecer ironia, mas o mundo ficou infinitamente melhor depois dos ataques às torres gêmeas nos Estados Unidos há exatos dez anos. Única superpotência do planeta após o fim da Guerra Fria, os norte-americanos mereceram todo o sofrimento imposto pelo fundamentalismo islâmico naquele fatídico dia: “quem semeia ventos, colhe tempestades”. As autoridades, a sociedade e os Governos daquele país, durante toda a História, nunca colocaram em prática uma política externa que não fosse apenas para defender os seus próprios interesses. Ficaram ricos, muito ricos mesmo impondo sofrimento aos quatro cantos do mundo. Praticamente não há um único país ou região do planeta que não tenha sido vítima do tacão desse maldito povo a exemplo das duas Guerras Mundiais, a Guerra Fria, a Guerra da Coréia, a Guerra do Vietnã dentre outras.
Nestes dez anos, no mundo inteiro há muito que se comemorar. A arrogância e a prepotência, tão comuns entre os nossos “primos do norte”, praticamente caíram por terra. Além do mais, a reação aos acontecimentos serviu para dar um empurrãozinho a mais na derrocada do país. Hoje os Estados Unidos não são nem a sombra daquela poderosa nação do final do século passado. Falaram que gastariam “apenas” 50 bilhões de dólares para vencer o terror. A conta já chega a quase quatro trilhões de dólares, ou seja, 80 vezes mais ou duas vezes e meia todo o PIB do Brasil. Invadiram o Afeganistão e o Iraque, mataram até agora cerca de 900 mil pessoas, mais de 300 vezes os mortos dos ataques de 2001, estão metidos em dois atoleiros sem fim na Ásia, envolveram outros países e podem ser responsabilizados também pelos ataques a Madri e Londres.
A cantilena dos muitos idiotas que defendem com unhas e dentes que os Estados Unidos foram as grandes vítimas do Onze de Setembro, uma vez que morreram quase três mil inocentes, cai totalmente por terra quando se observam as atrocidades cometidas pelas Forças Armadas norte-americanas em países pobres que foram injustamente invadidos e tiveram parte de suas populações morta e dilacerada pelos bombardeios da mais poderosa máquina de guerra do planeta. O massacre sistemático de pessoas inocentes em vilarejos perdidos, a arrogância na prisão de Abu Ghraib no Iraque e o desrespeito a toda e qualquer forma de direitos humanos aos presos de Guantánamo dão a exata dimensão da maldade e da crueldade que o Governo e os militares norte-americanos impuseram a pessoas que apenas julgavam serem culpadas.
Mas a opinião pública ocidental, controlada pelos interesses capitalistas dos Estados Unidos, assegura de forma convicta e tenta inclusive incutir a idéia de que o World Trade Center foi uma grande covardia, uma espécie de Pearl Habor moderno e que o mundo inteiro deveria prestar condolências aos norte-americanos. Tolice, eles apenas colheram o que plantaram durante muitos anos no mundo inteiro. Essa sua colheita maldita é resultado de suas próprias ações e eles deviam saber disto quando se envolveram, treinaram, armaram e foram os responsáveis diretos pela criação de gente da espécie de um Saddam Hussein ou de um Osama Bin Laden. Quando foi interessante, usaram essas pessoas a seu bel prazer para apenas satisfazer suas vontades. Por isso, não podem reclamar: “quem dorme com cachorros, amanhece com pulgas”.
As emissoras de televisão, assim como grande parte da mídia, criam noticiários tendenciosos, inventam mini-séries, fazem programas sensacionalistas, entrevistam pessoas e autoridades, divulgam depoimentos, deslocam seus correspondentes, festejam a data e espalham a idéia equivocada de que o povo norte-americano é de índole boa e que foi a grande vítima do fundamentalismo terrorista. Claro que a verdade não é esta. Nunca foi. Durante a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, eles pressionaram o Japão até a exaustão e não deram outra opção aos japoneses senão atacar as ilhas havaianas e depois venderam ao mundo a falsa idéia de que eram as vítimas. Mataram covardemente mais de duzentas mil pessoas com os ataques nucleares a Hiroxima e Nagasaki e declararam cinicamente que fizeram isso para evitar a morte de pessoas. Como precisavam do petróleo do Mundo Árabe e não mantinham boas relações com alguns países da região, criaram as guerras contra o terror apenas para justificar a odiosa permanência no Oriente Médio e movimentar a sua poderosa indústria bélica. Por tudo isso, o Onze de Setembro veio numa boa hora e pode ser um marco positivo na nossa História: o começo do fim de mais um império. A serpente do mal teve uma de suas cabeças arrancadas e o ódio antiamericano no mundo pode criar outras datas como esta.




*É Professor em Porto Velho.