terça-feira, 30 de novembro de 2010

E Porto Velho não muda mesmo...


Porto Velho: Modernidade com Velhos Hábitos (02)


Professor Nazareno*


Já ouvi muita gente dizer que Porto Velho não é o fim do mundo. Pode até não ser, mas que por aqui acontecem coisas do "arco da velha", não há dúvidas. Embalada pela construção das duas usinas hidrelétricas para a produção de energia apenas para beneficiar os Estados do Sul do país e sem ganharem absolutamente nada em troca, muitos dos habitantes locais se orgulham deste feito absurdo. Com uma população de aproximadamente 426 mil habitantes, segundo o último censo do IBGE, o fato é que em pleno século vinte e um a capital dos rondonienses ainda é uma cidade brega, mal planejada, suja, cara e que não oferece quase nada de moderno para os seus moradores. Se sair daqui resolvesse algo, acredita-se que muita gente já "tinha picado a mula". Muitas autoridades, filhos daqui mesmo, já moram fora do Estado faz tempo.

Conhecida orgulhosamente como a "Cidade das Hidrelétricas", talvez não haja no país uma capital onde a falta de energia seja uma constante. Todo santo dia praticamente os porto-velhenses têm de conviver com os irritantes apagões. Bairros inteiros ficam às escuras até por mais de 20 horas. Choveu, falta energia. A Ceron (Conseguimos Escurecer Rondônia) mudou de nome, só de nome mesmo. Mas se ligar no 0800, atendem direto do Rio de Janeiro. Não é incrível? E como presente pela incompetência, 10,60% de aumento para nós, otários consumidores. Para os outros, tudo. Para os rondonienses, nada. Apenas a grande e irreversível devastação do nosso já desgastado meio ambiente. Esses péssimos serviços têm como aliados os arroubos telúricos de meia dúzia de tolos que parecem não conhecer lugares mais civilizados.

Em Porto Velho, as transmissões de televisão ainda são feitas do modo tradicional. A maioria das capitais e cidades de grande porte já convive com esta tecnologia há mais de dois anos. TV digital é um mimo inacessível para muitos porto-velhenses. Apenas uma única emissora já se livrou da imagem analógica. Pior: quase toda a programação exibida pelas principais redes de televisão são gravações que os telespectadores vêem uma ou duas horas depois que já passarem no resto do país. Bancos existem na cidade e também há caixas eletrônicos. O gozado é que nos finais de semana eles quase nunca funcionam. A Internet daqui é lenta demais e enquanto muitas cidades já a têm grátis e rápida, aqui se paga uma fortuna. E não presta. Nós estamos acomodados achando que "Em Rondônia é assim mesmo...". E não é. Nós é que deixamos ser.

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos de Porto Velho é uma piada. Geralmente entrega as contas de final de mês com dois, três ou mais dias de atraso. O cidadão de Porto Velho, que paga seus impostos em dia, sofre "o pão que diabo amassou" se não quiser quitar suas contas com juros e correção. Pela Internet é quase impossível: além da lentidão, sempre há cabos de fibra ótica sendo consertados. Nos caixas eletrônicos não há muita condição, pois eles estão sempre fora do ar ou com saques indisponíveis. Nas lotéricas é muito difícil por que há muita falta de energia e também muita gente sempre "fazendo uma fezinha". Não basta ter as coisas que o mundo civilizado tem, é preciso que elas funcionem e dêem garantias ao cidadão. A violência crescente, o alagamento das ruas, o alto preço da carne e uma penitenciária para abrigar os bandidos perigosos do Rio de Janeiro é o que nos fazem semelhantes ao Sul do país.

O Transporte coletivo daqui é um caos completo. Duas horas é o tempo médio de espera em cada parada de ônibus. Isso numa cidade que é do tamanho apenas de um bairro de porte médio de São Paulo. As autoridades tentaram resolver o problema criando o serviço de mototáxi e construindo viadutos que ainda estão inacabados e algumas passarelas que só servem para serem observadas quando os transeuntes passam por baixo delas. Alugar uma casa imunda ou um apartamento sujo por aqui é mais caro do que um flat à beira-mar ou na paradisíaca Serra Gaúcha. O único Shopping Center da cidade ainda tem uma madeireira no pátio e é um lugar moderno, mas que convive com assaltos e até mortes. Esta madeireira é a síntese da Porto Velho atual: a modernidade chegou, está ali bem ao lado, mas tem que conviver com o velho e o ultrapassado. E tudo isto por que disseram que isto aqui ia mudar. Está mudando sim, mas para pior.


*Leciona em Porto Velho.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Guerra no Rio: notoriedade em Rondônia


Drogas: a Guerra que não tem Fim


Professor Nazareno*


A recente guerra deflagrada no Rio de Janeiro entre as forças do Governo do Estado e os traficantes de drogas foi uma das melhores coisas que aconteceram a Rondônia nos últimos tempos. Devido à transferência de alguns bandidos de alta periculosidade para o presídio de segurança máxima de Porto Velho, o nosso Estado e a nossa cidade foram mencionados como nunca em toda a mídia nacional. Só o Jornal Nacional da Rede Globo em uma única edição falou cinco vezes o nome de Rondônia. Claro que houve algum repórter desastrado que confundiu (ainda) Rondônia com Roraima. Isaías do Boréu, Elias Maluco, Marcinho VP dentre outras conhecidas figuras do crime organizado do Rio são, a partir de agora, nossos mais novos hóspedes. E, estranhamente, metem medo também por aqui.

Os rondonienses deveriam se tranqüilizar quanto à presença dessa gente em terras karipunas. Mesmo sendo "da pesada", nenhum deles, por enquanto, desviou um único centavo sequer dos cofres públicos deste Estado. Nunca foram filmados exigindo propina de nenhum governante local, além de não terem praticado qualquer crime que pudesse dar prejuízo aos cidadãos daqui que pagam seus impostos. Mesmo sendo bandidos perigosos, nenhum deles criou o Hospital João Paulo Segundo, que mata e abandona pacientes pelo chão. Qual deles pode ser responsabilizado pela devastação ambiental ou pela morte do nosso lendário rio Madeira? Nunca compraram votos aqui nem desviaram recursos públicos para benefício pessoal. Nem são os responsáveis pela maldita fumaça durante o verão.

Essa guerra nos morros cariocas é um equívoco e não deveria acontecer. O Estado desce ao nível do traficante quando propõe o enfrentamento homem a homem nas favelas. Além do mais, a questão do tráfico de drogas envolve uma cadeia maldita de que participam vários elos: produtor, traficante, transportador, vendedor de armas, consumidor, etc. Grande parte desta droga só pode ser produzida no ar rarefeito dos Andes. Como chega aos grandes centros do Brasil e do mundo é um mistério que envolve dentre outras coisas a incompetência de quem devia fiscalizar corretamente as nossas fronteiras e do próprio Estado que se mostra despreparado para impedir o transporte da droga. Colocar as Forças Armadas para trabalhar pode não adiantar muito, pois como foi visto os bandidos sempre fogem.

O óbvio: se não houver consumo não haverá tráfico nem produção. E as leis do Brasil não punem o elo consumidor. Muitos países já adotam uma legislação em que cada parte desta cadeia é punida com o mesmo rigor. De que adianta pais de família se envolver nesta guerra, perder suas vidas, apenas para livrar os "filhinhos de papai" do vício? O Estado devia proteger todos e não apenas a elite consumidora de drogas. Quem usa substância entorpecente deve saber que alimenta esta violência que presenciamos nos morros do Rio de Janeiro e também em outras cidades do país. Cada carreirinha de coca que se consome mata muitas pessoas e alimenta um círculo vicioso demoníaco. Em vez de balas, é preciso investir mais na conscientização dos nossos jovens. O erro: o Estado pune um elo e libera outro.

E essa estratégia é totalmente inútil: matam-se ou se transferem os líderes do tráfico e outros aparecerão. É apenas uma questão de tempo. Alguém terá que abastecer os viciados. A abstenção dos riquinhos em busca de mais uma cheirada deve ser bem pior do que muitos carros incendiados nas ruas. "O sistema" descrito no filme "Tropa de elite 2" é imbatível e nunca morre. Mas se o fluxo de dinheiro que alimenta os AR-15, bazucas e as metralhadoras do tráfico fosse interrompido, não haveria necessidade dessa guerra urbana nem de mortes que tanto mancham o nome do país que vai sediar a próxima Copa de Mundo e as Olimpíadas de 2016. Soluções há, basta o Estado se fazer mais presente nestas comunidades que o tráfico adotou há tempos. Desvio de recursos públicos, corrupção, roubos, desmandos, enriquecimento ilícito, impunidade, falcatruas, nepotismo são piores do que abrigar temporariamente bandidos de outros Estados. Alguma coisa o Brasil devia mandar para Rondônia em troca da energia que vamos produzir para os Estados do sul do país.


*Leciona em Porto Velho.

domingo, 21 de novembro de 2010

Porto Velho está se desenvolvendo mesmo?


Porto Velho: Modernidade sem Velhos Hábitos (01)


Professor Nazareno*


Já ouvi muita gente dizer que Porto Velho é o fim do mundo. Quanta injustiça se afirmar isto. É claro que aqui não acontecem coisas do "arco da velha", não há a menor dúvida. Embalada pela construção de duas usinas hidrelétricas para a produção de energia apenas para beneficiar os Estados do sul do país e achando que vão ganhar o paraíso em troca, muitos dos habitantes locais se orgulham deste feito inusitado. Com uma população de aproximadamente 410 mil habitantes, segundo o último censo do IBGE, o fato é que em pleno século vinte e um a capital dos rondonienses já é uma cidade moderna, bem planejada, limpa, sem carestia e que oferece tudo de moderno para os seus moradores. Daqui ninguém quer "picar a mula" e a felicidade é geral. Que bom.

Conhecida orgulhosamente como a "Cidade das Hidrelétricas", a cidade nunca registrou falta de energia. Todo santo dia os porto-velhenses desligam por conta própria seus disjuntores só para conhecer o que é um apagão. E se por um acaso isto acontecer, na primeira reclamação tudo é resolvido na hora. Não é qualquer chuvinha de fim de tarde que faz a Ceron interromper a oferta de luz elétrica. Para os outros, nada. Para os rondonienses, tudo. Ficamos felizes com a grande e irreversível devastação do nosso meio ambiente causada pela construção das usinas do Madeira. O progresso veio para ficar e é nosso amigo. O atendimento nas lojas faz inveja a qualquer um. Nos postos de gasolina, os frentistas correm atrás dos motoristas para poder abastecer mais rápido.

Em Porto Velho, as transmissões de televisão ainda são feitas do modo tradicional. E o povão adora. Enquanto na maioria das capitais e cidades de grande porte do país já se convive com esta tecnologia há mais de dois anos, aqui a televisão digital é um mimo inacessível para muitos moradores. Apenas uma única emissora já se livrou da imagem analógica. Mas ninguém aceita, já que quase toda a programação exibida nas principais redes de televisão são gravações que os telespectadores vêem uma ou duas horas depois que já exibiram no resto do país. Bancos existem na cidade e também têm caixas eletrônicos. O gozado é que sempre nos finais de semana eles nunca funcionam. "Fim de semana é para descansar e não para se preocupar com saques em dinheiro".

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos de Porto Velho é referência. Geralmente entrega as contas de final de mês com dois, três ou mais dias adiantadas. O cidadão de Porto Velho, que paga seus impostos em dia, não sofre "o pão que diabo amassou" se quiser quitar suas contas sem juros e correção. Pela Internet é bem melhor: não há lentidão, e nunca há cabos de fibra ótica sendo consertados. Nos caixas eletrônicos é a opção predileta, pois eles estão sempre disponíveis e funcionando perfeitamente. Nas lotéricas é também muito bom por que não há falta de energia nem muita gente "fazendo uma fezinha". Porto Velho já tem as coisas que o mundo civilizado tem, e aqui elas funcionam muito bem e só dão tranqüilidades ao cidadão.

O Transporte coletivo é uma beleza. Duas horas é o tempo médio de espera numa parada de ônibus. Isso é muito bom para colocar as amizades em dia. Ninguém reclama. As autoridades resolveram o "nó" do trânsito com o serviço de mototáxi e viadutos enquanto as passarelas servem para ser observadas pelos transeuntes que passam por baixo delas. Alugar uma casa limpinha ou um bom apartamento é quase de graça. Nem se compara ao preço de um flat à beira-mar ou na paradisíaca Serra Gaúcha. O único Shopping Center da cidade ainda tem uma madeireira no pátio e é um lugar moderno que não convive com assaltos nem registra violência. Esta madeireira é puro marketing e sinaliza que a modernidade chegou, está ali bem ao lado, mas precisa respirar um passado romântico e saudoso. E disseram que Porto Velho não precisava mudar. Se isto aqui não for um lugar abençoado por Deus, é a morada do Próprio.


*Leciona em Porto Velho.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Quem é rico? Quem é pobre?


O Rico e o Pobre no Brasil


Professor Nazareno*


O Brasil é um país pobre, já os Estados Unidos são um país rico. A Europa tem vários países ricos e nenhum pobre. Antes, nós éramos do Terceiro Mundo, hoje somos emergentes, mas ainda pobres ou com muitos pobres. Quase todo mundo sabe as principais diferenças entre pobres e ricos. Rondônia, por exemplo, é um estado pobre, já São Paulo é um estado rico. Existem muitos estados ricos no Brasil. Mas as diferenças entre pobres e ricos em nosso país são bem maiores do que pensamos. Pobre quase sempre é analfabeto e geralmente estuda em escola pública. Ao contrário do rico, que tem à disposição a escola particular. Pobre paga para estudar em faculdade, rico estuda em Universidade Federal. Cursos de pobre geralmente são aqueles que oferecem muitas vagas e poucas oportunidades no mercado de trabalho. Curso de rico é aquele cujo mercado ainda não está saturado e paga muito bem ao profissional recém formado. Rico fala Inglês ou Espanhol, pobre nem o Português sabe falar direito. Rico dança ballet, pobre dança "Boi" e ainda acha que é cultura.

Pobre sonha com a casa própria, rico mora em flat e paga condomínio. Cozinha de pobre tem liquidificador com saia bordada, cachorro de louça na porta (ou verdadeiro no quintal) e paredes decoradas com pássaros, também de louça, grandes, médios e pequenos. Rico tem computador de última geração, televisão de plasma ou LED e carro importado, já o miserável do pobre anda de ônibus e vai à Lan House se não quiser ser chamado de excluído digital. Pobre vota no Governo, rico faz oposição. Rico tem leitura de mundo, pobre nem ler sabe. É óbvio que pobre vai ao Arraial Flor do Maracujá, Expovel e carnaval fora de época, rico vai ao teatro e ganha dinheiro com a Expovel. Avião é transporte de rico enquanto ônibus serve aos sem dinheiro. Ricos são eleitos e pobres são eleitores. A democracia, quando convém, é defendida pelos ricos enquanto os pobres “choram um olho e lagrimam o outro” por uma ditadura. Resumindo: pobre é ditador, rico é democrata. Rico vota por ter consciência política, pobre vota por uma cesta básica.

Rico é ateu, judeu ou católico, já pobre é macumbeiro ou segue a religião dos outros. Música clássica é ouvida pelo rico enquanto pagode, pelo pobre. O SBT é uma emissora de televisão direcionada aos pobres enquanto a Discovey Channel, CNN e Globo News satisfazem o telespectador endinheirado. Pobre vai à feira de bairro, rico ao Shopping Center. Claro que se entende por que Orkut, MSN, Lap Top, Twitter e Blog são palavras comuns a quem tem posses enquanto o favelado nem tem palavras para designar estas coisas. Rico consome droga que geralmente é vendida pelo pobre. Doença de pobre é dengue, diarréia, curuba ou malária. Rico pega gripe suína (Influenza H1n1) quando está de férias em Buenos Aires ou na Europa e procura tratamento nos hospitais conveniados com os mais caros planos de saúde ou mesmo fora do Estado. Pobre vai ao Hospital de Base ou João Paulo Segundo e ainda fica feliz se consegue uma ficha para ser atendido dois meses depois num posto de saúde da Prefeitura ou do Governo do Estado.

O rico quando entra na política é para triplicar a sua fortuna. Pobre nem político consegue ser. Acredita-se que mais de 80 por cento dos eleitores brasileiros são pobres e por isso mesmo mantêm os outros 20 por cento como reféns de suas estúpidas escolhas. Enquanto o rico é sempre bem votado, o pobre nem votar sabe. Na atual conjuntura da nossa política, precisa dizer quem é ficha limpa e quem é ficha suja? Bairro ou prédio de rico tem nome em francês: "maison". Pobre mora em estância, invasão ou favela. Cidadão rico com muitos filhos é excêntrico, pobre é idiota mesmo. Tênis é o esporte favorito da elite. Pobre pratica esporte? Por isto o nosso país é o que é. Enquanto o Brasil for povoado por esta gentinha “chinfrim” e sem nenhum “pedegree”, seremos a escória do mundo, a terra onde tudo é possível, a nação do absurdo. Um país periférico e habitado por “jecas”. No entanto, eu já vi muitos pobres que agem como se ricos fossem e muitos ricos que têm a mania de agir como pobres. Já me disseram que eu sou da classe média, casta social aonde muitos pobres querem chegar e de onde muitos ricos não deveriam ter saído.


*Leciona em Porto Velho.

domingo, 14 de novembro de 2010

Rondônia, uma nação livre e independente?


E se Rondônia fosse um País Soberano?


Professor Nazareno*


Se o Estado de Rondônia fosse um país independente teria, de acordo com o seu PIB, uma classificação muito modesta em relação às outras nações do mundo. Dentre os 180 países pesquisados, nós ficaríamos na incômoda 152ª posição. Mais ou menos junto ao Haiti, Burkina Fasso (país miserável da África sub-saariana) e Papua Nova Guiné, (República de economia desprezível da Ásia/Oceania) países que dispensam maiores comentários. Isso mesmo. Com um Produto Interno Bruto um pouco inferior a cinco bilhões de dólares, representamos dentro da federação apenas meio por cento dos recursos nacionais. Uma posição pífia e pra lá de ridícula. Seríamos apenas os campeões em devastação ambiental, desrespeitos à natureza, e em produção de energia elétrica para outras nações (Estados). O palhaço Bozo seria herói nacional e certamente o FMI copiaria daqui inteligentes lições de como se administrar um banco estadual.

Se na economia os números de Rondônia são desastrosos, na política também não há notícias animadoras. O nosso “presidente” seria João Cahulla, já em fim de mandato. Ivo Cassol, um pseudo-estadista, mandatário-mor do "Império da Roça" seria a sua eminência parda, mas que enfrenta alguns problemas internos. Existem relatos de que a maior autoridade do fictício país tropeça até na própria língua oficial da nação e só foi eleito senador por ter anteriormente afagado alguns servidores públicos demitidos na gestão anterior. O nosso Congresso Nacional seria a respeitada Assembléia Legislativa do Estado (pasmem), cuja nova sede está sendo construída onde antes funcionava um circo. Essa casa de leis já prestou 'relevantes serviços' à nação e qualquer semelhança com o legislativo dos países acima citados seria uma mera coincidência. Já o hino nacional seria uma toada (música de Boi) e a comida típica, peixe com farinha.

Para se ter um país soberano, deveria haver também a questão relacionada à segurança externa. Temos uma Base Aérea e meia dúzia de aviões (na verdade “teco-tecos” enferrujados, sobras da Segunda Guerra) para nos defender. Faríamos fronteira com a Bolívia e o Brasil, a oitava economia do planeta. Deste, por razões óbvias, jamais sofreríamos qualquer ataque. O perigo estaria nos ‘hermanos’ do outro lado do rio Guaporé. A nossa infantaria teria condições de repelir um ataque dos bolivianos? Talvez sim, pois já demonstrou “muita bravura” ao invadir há tempos um terreno destinado à construção de um teatro em pleno centro da capital do país. À marinha, caberia a difícil missão de medir diariamente o nível do rio Madeira e de explicar por que os barcos de passageiros saem quase vazios do porto e chegam cheios de gente aos seus destinos... O novo país teria várias datas nacionais: 4 de janeiro, 13 de setembro, 22 de dezembro...

País soberano, imprensa livre. É o que reza qualquer manual. Mas grande parte da imprensa da nação é composta de jornalistas sem formação acadêmica e a serviço de algum político de plantão. Existem jornalistas que adoram hinos, os que acham que escrevem sobre a cultura do país e até comentaristas políticos que não entendem nada de política. Aqui seria um dos únicos países do mundo cuja imprensa teria cor: seria marrom. Os jornais só funcionariam de segunda a sexta e os programas policiais seriam os de maior audiência. Mas em compensação temos institutos de pesquisas altamente confiáveis: como exemplo um tal de Instituto Phoenix que desbanca qualquer similar de outros países. A nossa Federação de Futebol é a mais organizada e bem estruturada que se conhece, dizem, embora não exista futebol de verdade. Aqui se torce só por times de fora e os "estádios" são os bares das esquinas que sempre ficam cheios aos domingos.

Entretanto, como país soberano Rondônia não teria a bomba atômica, exemplo às avessas da Coréia do Norte e do seu ditador King Jong Il. Rondônia, dentro da realidade atual, seria a bomba atômica. Mesmo assim, temos uma universidade livre, a Unir, onde um voto é representado por seis ou sete pessoas. Talvez o símbolo maior do país fossem as incontáveis obras inacabadas de sua capital. Com um Legislativo inoperante e folclórico, forças armadas adormecidas, problemas ambientais em todas as frentes, muita fumaça no verão, uma população sem nenhuma identidade cultural e apátrida, uma capital suja, sem esgotos e fedorenta, este fictício país estaria fadado ao desaparecimento. Não seríamos uma reles republiqueta de bananas ou um dos incontáveis países miseráveis dos continentes africano e asiático, mas uma nação sem nenhum prestígio dentro do contexto do mundo globalizado. Seríamos, na verdade, algo bem pior: uma segunda pessoa do “quase nada”. Qual líder daqui discursaria na ONU?


*É professor em Porto Velho

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Existe Oposição no Brasil?



Oposição no Brasil: o Retrato do Fracasso


Professor Nazareno*


As eleições no Brasil têm funcionado como os jogos do Brasil em Copa do Mundo: na derrota do primeiro jogo eliminatório, este ano foi contra a Holanda, o time sai de campo com a cabeça baixa, desolado, triste, irreconhecível, o técnico é demitido e começa a preparação para a próxima competição sempre insistindo que não se repetirão os erros. Passada a festa democrática das urnas, os perdedores também abandonam o "campo de jogo" e se recolhem para juntar os cacos da desilusão. Cai-lhes o mundo sobre as costas e as lamentações passam a fazer parte do cotidiano. Mas está tudo errado. Oposição tem uma função muito importante no jogo democrático. Quem ganha, lógico que governa, mas quem perde deveria fiscalizar de perto o governante como acontece nas principais democracias do mundo, onde líder oposicionista é carismático.

Quem será o líder da oposição ao Governo de Dilma? José Serra, dizem, morreu politicamente. Aécio Neves já disse que não quer. No âmbito da própria política, via Legislativo, deveria haver uma maior resistência às investidas equivocadas do Poder, mas o próximo Congresso Nacional tem maioria governista. Nos Estados a situação é pior ainda. Em Rondônia, por exemplo, a oposição é uma mulher e se chama abstenção: 35,8% não foram votar, votaram em branco ou anularam o voto e o "Império da Roça" de Cassol e Cahulla caiu por terra. Chapéu agora só no Senado. Além do mais, a oposição foi simplória e não soube pedir voto. Acusou a candidata Dilma de tantas tolices e se esqueceu do principal. "Dilma permitirá casamentos entre homossexuais", disseram. Outra tolice: "ela é favorável ao aborto". Mais: "vai implantar uma ditadura", "não acredita em Deus" ou "ela foi uma guerrilheira e nunca entrará nos EUA".

Claro que havia temas mais importantes para serem discutidos em vez de se falar abobrinhas. Mas a elite brasileira é mesmo burra e tosca. Parece até a ACLER, a Academia de Letras de Rondônia: dá a impressão de que é um "ninho de intelectuais" e que presta relevantes serviços à cultura e ao povo. Tudo lorota. A oposição brasileira e a de Rondônia também dizem usar o lema "Non Vi, sede virtute", (não pela força, mas pela qualidade). Isso é outra mentira: assim como os "imorríveis" rondonienses, elas não têm força nenhuma muito menos qualidade. A questão das privatizações de FHC poderia ter sido discutida. Aqui, a eterna dívida do Beron deveria ter vindo à baila. Quanto pagamos? Por que pagamos? Por que o Governo Federal dispensou a dívida do Haiti, Moçambique, Nicarágua, Bolívia, Cabo Verde, Gabão e a do Beron, não?

Neste contexto, para o Governo brasileiro os rondonienses são piores do que os haitianos ou os bolivianos. Já pensou o que não teria acontecido a Rondônia se não aceitasse a construção das hidrelétricas para abastecer de energia boa e barata os Estados do sul? Além de não ter banco, ainda temos que pagar uma fortuna pelo que nos tiraram. Devíamos criar agora o "Roban", Rondônia Banco, onde poderíamos ter uma conta corrente e guardar as nossas poupanças diárias. As Assembléias Legislativas estaduais até que poderiam fazer oposição de verdade e sem precisar ser filmada. A daqui é uma piada e não consegue criar leis mais importantes do que "defecar em privadas de rodoviárias". Pela pouca ou nenhuma importância, deveria ter o número de seus membros reduzido. Ora, o STF tem onze ministros, que são dez, e lá só dá empate.

Como se vê, é muito difícil ser ou fazer oposição neste país. Os políticos geralmente só fazem política se estiverem na situação. São como lombrigas: fora da sujeira não sobrevivem por muito tempo. Muitos deles contrataram os trabalhos eficientes e confiáveis do Instituto Phoenix de Rondônia e a ele encomendaram suas pesquisas. Fazer oposição não é enganar o já enganado povo. É fiscalizar as ações dos Governos. É discutir idéias e propostas com o objetivo maior de governar para o bem-estar geral. Discutindo tolices e deixando os grandes temas nacionais e estaduais de fora só podia acontecer o inevitável: a derrota do país nas urnas. "Venceu o menos ruim" , é um absurdo que praticamente só acontece em países onde a política e os políticos valem tanto quanto uma academia de letras, uma seleção de futebol desacreditada ou um banco falido pela incompetência de "não se sabe quem".



*É Professor em Porto Velho

domingo, 31 de outubro de 2010

Dilma lá e Confúcio aqui. Dará certo?


Dilma Rousseff: uma ex-guerrilheira chega ao poder


Professor Nazareno*


Dilma Vana Rousseff, ou Vanda, ou Estela, ou Luiza ou Patrícia ou qualquer outro codinome que tinha quando participava da VAR-Palmares, COLINA ou outra agremiação de esquerda que lutou contra a infame Ditadura Militar, será a primeira mulher a assumir, sem golpes, a Presidência do Brasil, uma das maiores economias do mundo com o quinto maior mercado consumidor e seguramente a nação mais importante do Hemisfério Sul. Todos esperam que o antigo projeto do PT, Partido dos Trabalhadores, de combater a miséria, atacar a desigualdade social e dar mais dignidade aos pobres tenha continuidade. A elite governou este país com poderes absolutos por longos quinhentos e dois anos, oito meses e nove dias enquanto a esquerda só governou oito anos que agora terão continuidade, e sempre com eleições livres.

E não há o que reclamar. Todas as regras do jogo foram obedecidas e pelo que tudo indica não haverá desta vez a famosa virada de mesa. A vitória não é só da Dilma, do Presidente Lula e dos militantes do PT, a vitória é da democracia e de todo o povo brasileiro, até dos que votaram no candidato da oposição, José Serra. Apesar da euforia, não foi fácil. O país sai das urnas dividido. A mídia, capitaneada pela revista Veja, pelos grandes jornais como O Estado de São Paulo e pela Rede Globo jogaram sujo e tentaram mudar o rumo das eleições. Internautas baixaram o nível da campanha e lançaram calúnias, infâmias e difamações contra a candidata petista. De nada adiantou. Até Deus foi usado. "Nem Deus impede a minha vitória", atribuíram esta mentirosa frase a ela. Ou Ele falhou ou era mentira. Claro que só existiu a segunda hipótese.

Mas para os mais desavisados é bom que se diga que a eleição da Dilma não pode representar a panacéia milagreira que vai fazer jorrar mel e leite das ruas. Num mundo neoliberal e globalizado, a presença de um estado paternalista em vez de patrão está cada vez mais ultrapassada. As inúmeras "bolsas-misérias" dadas pelo Estado apenas para angariar votos e produzir as altas popularidades não podem continuar. Não se pode mais dar o peixe ao brasileiro pobre. Chegou a vez de ensiná-lo a pescar. Mesmo por que não se sabe até quando esse Estado vai matar a fome de uma multidão de miseráveis e famintos transformados em preguiçosos. E isso só acontecerá quando houver de fato investimentos maciços e sérios numa educação de qualidade e inclusiva, quando o saber for incentivado e a competência for valorizada.

Já em Rondônia, poucos candidatos perderam nestas eleições. Eduardo Valverde do PT e Expedito Júnior do PSDB foram derrotados fragorosamente no primeiro turno e não passaram no teste das urnas. Embora rejeitados pela vontade popular, menos de um mês depois, emergem como vitoriosos no segundo turno, abrigados que foram no guarda-chuva multicolorido e bizarro do vitorioso Confúcio Moura. E Cahulla não significou necessariamente a derrota de Cassol já que o ex-governador recebera anteriormente do povo um mandato de oito anos para ser senador pelo Estado. Quem perdeu mesmo foi o povo que comprou brigas e acreditou que haveria mudanças significativas. "Mudou tudo, mas para ficar do mesmo jeito". São coisas da política brasileira sem partidos e ideologia. Dilma lá e Confúcio aqui. E se der certo esta dobradinha?

O momento agora em Rondônia e no Brasil é só de euforia. A democracia venceu e a eleição da Dilma e do Confúcio significou apenas isto mesmo: uma eleição. Como nas principais democracias do mundo, votar é apenas um ato rotineiro sem maiores delongas sobre o perfil de quem ganhou ou perdeu. Sua Excelência Dilma Vana Rousseff tem agora, na pior das hipóteses, quatro anos para dizer a que veio. Embora seja um tempo bem menor do que os mais de quinhentos anos de mando da elite, as regras do jogo, aceitas por todos numa democracia devem ser respeitadas. Em Rondônia e no restante do país. E se em 2014 a nação estiver frustrada de ter conduzido uma ex-guerrilheira ao poder maior do país, o caminho a ser seguido deve ser o de sempre: as urnas. Só através do voto livre de todos é que se impõem mudanças. E que Deus ilumine não só a Dilma e o Confúcio, mas todos os que foram eleitos para que coloquem este país e o nosso Estado nos seus verdadeiros trilhos. Estamos precisando mesmo.


*É professor em Porto Velho.

sábado, 23 de outubro de 2010

Brasil e França: dois mundos diferentes?


"Paris, a cidade que também não estava lá"


Professor Nazareno*


A capital da França é talvez a cidade mais visitada do mundo. Recebe aproximadamente 30 milhões de turistas por ano. É uma cidade limpa, organizada, acolhedora e acima de tudo feita sob medida para receber turistas do mundo inteiro. É muito antiga, bem anterior à Idade Média e tem uma diversificada vida noturna. Seus monumentos são conhecidos nos quatro cantos: a Torre Eiffel, o Museu do Louvre, Palácio de Versalhes, Arco do Triunfo, enquanto nós temos as Três Caixas D'água, o Mercado Cultural, o prédio da Unir e a EFMM. Seu aspecto urbano conta com muitas avenidas largas e arborizadas e é cortada pelo romântico rio Sena que lhe dá um charme encantador. No outono, a baixa temperatura lhe permite um ambiente idílico.

Mas a cidade-luz está um caos. A greve que os franceses deflagraram por causa dos ajustes na Previdência transformou a cidade num inferno onde quase nada funciona. Charmosa e encantadora, a Paris de hoje, outubro de 2010, é uma cidade de Terceiro Mundo. Um grotão qualquer. O lixo já está fazendo parte da paisagem parisiense. Não há uma esquina em que não se vejam sacolas abandonadas exalando mau cheiro. Relatos de bichos mortos apodrecendo nas ruas já viraram rotina. Há constante falta de energia e os TGV, que dão um requinte de modernidade ao transporte coletivo, funcionam precariamente e quando aparecem são disputados por multidões enfurecidas. Qualquer porto-velhense se sentiria em casa se conseguisse visitar a capital dos franceses.

Muitas obras públicas que são tocadas pela Prefeitura e pelo Governo Central estão paradas. A greve afetou também o vital setor petrolífero e várias refinarias foram tomadas por trabalhadores que entraram em confronto com a polícia. Ainda assim, a Assembléia Nacional aprovou a reforma previdenciária aumentando em dois anos o limite de aposentadoria dos franceses. O Prefeito Bertrand Delanoë, uma espécie de Roberto Sobrinho de lá, pediu calma aos parisienses. "Não se trata de uma simples briga entre políticos, mas de defender nossos próprios interesses", informou o mandatário parisiense dando a entender que a política devia se fazer com educação e polidez. Do jeito da nossa política que está ensinando educação e bons modos ao mundo.

Enquanto os turistas estão perplexos, os franceses estão indignados. "Vamos denunciar os inimigos do povo", gritavam alguns. "Esses imorais fazem alianças até com o diabo para conseguir seus interesses", gritavam outros. A política na França está virando uma coisa suja mesmo, pois até a mídia local já se vendeu de forma vergonhosa para muitos políticos canalhas. O prestigiado jornal Le Monde, por exemplo, recebeu o equivalente a 25 mil reais por mês para falar bem do Presidente Nicolas Sarkozy. A revista L'Express, uma das mais lidas da França, faz oposição ao Governo Central por que não recebeu dinheiro do poder. Até pequenos jornais e sites das cidades sem importância estão assumindo posições ridículas nesta crise simplesmente em troca de dinheiro. Coisas que não existem na nossa política e na nossa maneira de tratar o bem público.

A verdade é que a França, após essa greve, não será mais a mesma. Paris está irreconhecível e a outrora tenacidade dos franceses está sob desconfiança. Todo político tem virtudes e defeitos, mas a cegueira movida pela ambição impede de se ver isto. As próprias autoridades se aliam a qualquer bandido para atingir seus objetivos imorais. Depois loteiam o Estado deixando o povo à mercê da própria sorte. A capital dos franceses precisa se organizar para dar tranqüilidade aos seus visitantes. As autoridades devem entender que são os verdadeiros empregados do povo e para esse sofrido povo deve governar. Se o povo francês conseguir impor seus princípios, quem ganha é o mundo. Desde as guerras napoleônicas, da origem do Estado moderno e dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade sempre aprendemos muito com esses irmãos latinos. Ou serão eles que devem aprender com os rondonienses?


* Leciona em Porto Velho.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

E o professor existe...


A “in-FELICIDADE” de ser Professor!


Professor Nazareno*


O dia 15 de outubro não deveria ser dedicado a nós professores. “É muito pouco para quem tanto fez e ainda faz pelo progresso e pelo desenvolvimento do Brasil”, devem pensar alguns incautos e desinformados. Com todo este progresso e todo este desenvolvimento que estamos vendo por aí é de se pensar o que nós, os mestres, estamos fazendo realmente por este país, periferia de capitalismo. Talvez, por isso, no ano passado o MEC divulgou na mídia uma propaganda mostrando o progresso e o desenvolvimento que existem de fato em vários países do mundo: o responsável? Ora, o professor, pronunciado em vários idiomas. Não deu certo: retiraram o comercial do ar. Um só dia para tecer loas hipócritas e o restante do ano para humilhar esses profissionais.

No Brasil, a realidade é outra e completamente diferente. E o entrave maior não é o salário. Nunca foi. Também não é a indisciplina de alguns alunos ou a sujeira existente dentro das salas de aula. Nem a relutância de alguns pais em proteger seus filhos. Muito menos as constantes brigas do nosso sindicato com os governantes de plantão nem as perseguições ridículas de alguns diretores de escolas. O nosso maior problema é que temos uma sociedade que não valoriza a educação. Da porta da sala de aula para fora, talvez menos de dez por cento dos brasileiros vêem na escola alguma função que se possa associar à vida cotidiana. Daí, o fato cresce e é copiado espertamente pelos políticos. Por isso o sonho de muitos professores é fazer concurso para trabalhar em outras áreas.

Salário de professor no Brasil é menos do que muitas prostitutas ganham para lavar pratos. No entanto, baixo salário não é problema. Os médicos de Rondônia, por exemplo, ganham na maioria das vezes salários astronômicos e a saúde estadual está um caos. É preciso observar quem de fato exerce dignamente a sua função. Quem realmente tem compromisso com a educação e o futuro deste país. Um bom professor não pode ganhar a mesma coisa que um mau professor. Por isso, é comum ouvirem-se afirmações de que há professores que ganham mal pelo muito que fazem, enquanto outros ganham muito bem pelo pouco que desempenham em sala de aula. Nas escolas há algumas aulas muito boas, mas também há outras que são tão produtivas quanto o solo lunar.

Nos países cujas sociedades valorizam o estudo, a educação e o saber o que se vê é uma multiplicação de oportunidades e um franco progresso e desenvolvimento a exemplo da Coréia do Sul, Japão, Holanda, Finlândia, Estados Unidos, etc. O imperador japonês, por exemplo, presta reverência a qualquer professor que vá visitá-lo. Imagine-se uma autoridade qualquer, Lula ou Roberto Sobrinho, que é psicólogo, fazerem isto a um professor. O nosso Presidente e muitos dos nossos políticos têm, juntos, menos anos de estudos do que um camelô ou um gari. Ainda assim, o nosso país é um dos que mais investem em educação. O problema é que esta verba é sempre mal gerenciada.

Professor é azarado mesmo. São poucos os que sabem escrever um bom texto ou raciocinar de forma consciente. E quando tentam fazê-lo, quando ousam mostrar o pouco, o quase nada que sabem, seus raros leitores já o vêem como um sujeito depressivo, infeliz, ranzinza ou pedante e põem logo em xeque a sua capacidade profissional ou tentam calá-lo ameaçando o seu diminuto salário. Muitas pessoas acreditam que professor é sempre um sujeito de boa educação, polido, paciente e que deveria escrever somente aquilo que os hipócritas gostariam de ler. Eu, por exemplo, tenho um Blog (http://blogdotionaza.blogspot.com) com meia dúzia de leitores: eu mesmo, minha esposa quando tem tempo, meus filhos quando eu os obrigo, e mais duas ou três pessoas.

Apesar de tudo, ser professor é ser feliz, é saber que na sociedade se exerce a função de cabeça, a função de conduzir os outros. “Quem faz aquilo de que gosta não precisa trabalhar”. Mas a educação e o professor ainda vão custar muito a alcançar valor neste país de “jecas”, nesta nação de pouca visão educacional, neste submundo dominado pelo maniqueísmo e pela astúcia de poucos, neste "brasilzinho" de muita gente analfabeta e ignorante onde os políticos se aproveitam para prometer investimentos fictícios na educação. Mas haverá um dia em que greve de professores será por melhorias no sistema de educação e não pela insana vontade de ganhar tanto quanto ganham as empregadas domésticas, os garis, os cobradores de ônibus e outras categorias tão importantes para a sociedade, mas que não precisaram estudar e nem defender nenhuma tese de mestrado ou doutorado para exercer sua função.


*É professor em Porto Velho

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Brasil, o país das maravilhas!


Dilma ou Serra no Brasil é só Felicidade


Professor Nazareno*


O eleitor brasileiro apesar do bom discernimento está com muitas dificuldades para decidir o voto neste segundo turno para Presidente da República. Pode votar na Dilma, pois ela é mulher e compreendendo a importância e a capacidade política e de articulação da mulher brasileira é uma oportunidade rara de resolver os problemas do Brasil. Mesmo porque o PT, Partido dos Trabalhadores, já demonstrou como se governa com ética e transparência. É uma agremiação política jovem, democrática, dinâmica, com ideologia moderna, tem amplo apoio popular e acima de tudo já demonstrou que realmente entende das mazelas nacionais. É o partido dos pobres e para os pobres.

José Serra do PSDB também é uma excelente opção. Junto com os caciques do DEM e de outros segmentos mais conservadores da nossa sociedade, o ex-governador de São Paulo pode dar continuidade à política neoliberal de entregar o Estado à iniciativa privada e de fazer doações à elite de tudo o que sobrar. E ainda restam a Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e diversas outras fundações e autarquias que poderiam ser presenteadas aos ricos e poderosos. Por causa de FHC, o funcionalismo público não vê a hora de mais um social democrata se instalar no Planalto e dar prosseguimento à política de valorização dos servidores como o PDV.

Esta é uma das eleições mais difíceis para decidir tendo em vista a boa vontade e a competência dos dois concorrentes diretos ao cargo e de seus respectivos partidos. O PT é um partido arrojado e já deu inúmeras contribuições ao país inovando na política nacional com o Mensalão, dinheiro na cueca, nas meias e em outros lugares menos apropriados. Protagonizou no Plenário do Congresso a dança da impunidade. E ainda assim, propõe acabar com a pobreza investindo no ser humano e na sua capacidade produtiva. Já os tucanos vão mais além. Acreditam que a iniciativa privada é a salvação da Pátria. Investem em educação de qualidade e também priorizam os mais pobres.

A vitória de qualquer um dos dois seria um excelente negócio para o Estado de Rondônia. O Brasil inteiro veria como os rondonienses se esmeram em cuidar do que é público. Dilma poderia aprender com os políticos petistas locais várias lições de como se administrar uma cidade e implantar no país inteiro as inovações. Entenderia como receber muitos milhões de reais em investimentos e nada fazer. Serra aprenderia como demitir servidores públicos em massa ou como colocar um banco estadual a serviço do povo. Como se vê, os eleitores estão entre a cruz e a espada. E para qualquer lado que for encontrarão a felicidade certa e serão felizes pelos próximos quatro anos. Que bom.

Serra ou Dilma no Brasil, Cahulla ou Confúcio em Rondônia. Grandes nomes para grandes políticos. Estadistas comprovados a serviço dos mais humildes. Desta vez, com a vitória de qualquer um deles, "o mel e o leite jorrarão das ruas", com certeza. Viveremos a partir de agora sem cargos comissionados, sem censura, sem corrupção, sem politicalha. De Incitatus, o cavalo do Senado romano, até hoje, nunca se viu tanta vontade de se colocar a coisa pública a serviço dos pobres, dos mais sofridos. E o povo com a sua sábia decisão escolherá o melhor rumo. Talvez por isso, o STF entendeu e nos outorgou sabiamente esta prerrogativa. Ser brasileiro e ainda por cima rondoniense é um orgulho para qualquer ser humano. Todos nos invejam, pois somos bons até na política. Com estes nomes maravilhosos até Deus perderia uma eleição no Brasil.


*O Professor Nazareno leciona em Porto Velho.

sábado, 9 de outubro de 2010

Política não é a casa da mãe Joana!


Candidatos limpos, eleitores sujos


Professor Nazareno*


O segundo turno das eleições começou em ritmo quente, e baixo, em todo o Brasil. Os futuros governadores dos Estados onde haverá novas eleições e o futuro mandatário da Nação iniciam uma nova rodada de propostas, debates e discursos rumo à vitória nas urnas. É a democracia brasileira que tão bem faz a todos, fortalece as instituições e mostra ao mundo a nossa maturidade na arte de fazer política. O Brasil cresceu, mudou, caminha inexoravelmente para atingir padrões de civilidade. Mas o otimismo esbarra aí, nos candidatos. O perfil de grande parte do nosso eleitorado faz medo e contraria toda esta luta conquistada a muito custo e há pouco tempo. Baixaria nas campanhas parece fazer parte da nossa cultura e está em todas as classes sociais.

Acredita-se que temos um percentual de pouco menos de vinte por cento de eleitores conscientes enquanto os outros 80 são sabidamente alienados e comenta-se que não sabem escolher corretamente seus candidatos. Tivemos quase nove milhões de votos em candidatos ficha-suja. Praticamente em todo Estado do país foram eleitas pessoas que devem alguma coisa à Justiça. Os absurdos, no entanto, parece que estão acontecendo também no lado do eleitorado com mais escolaridade: circulam pela rede mundial várias correntes atacando este ou aquele candidato. Eleitores bem alfabetizados, que lêem jornal e revistas, têm internet e se prestando a fazer esse serviço sujo, nojento. Coisa de gente subdesenvolvida. E às vezes a mídia também colabora.

Todos temos muitas razões para votar na Dilma e no PT. Assim como se percebe coerência em quem declara seu voto ao Serra. Há razões de sobra a qualquer eleitor deste país para votar ou não votar em qualquer dos dois candidatos. Ambos foram credenciados pelas urnas. Têm virtudes e defeitos. Admiro a Dilma e o Serra pelo passado de luta deles contra a Ditadura Militar quando eram militantes de esquerda. Às vezes vejo o PSDB com ressalvas. Quando os tucanos e FHC estavam no poder vi o que fizeram com o funcionalismo público empurrando-o para o PDV. E as absurdas privatizações com o desmanche do Estado? Já os petistas tiveram o Mensalão, e ainda têm o Palocci e o Zé Dirceu. Política não é submundo é desenvolvimento e progresso.

Não tenho nada contra nenhum dos dois candidatos. Só acho que ficar tentando "detonar" a imagem deste ou daquele político é jogo baixo, é jogo sujo e o Brasil não devia aceitar nem comportar mais esse jeito estúpido de se fazer política. É coisa de gentinha. De eleitor brasileiro mesmo: pobre e alienado. A não ser que se ganhe algo com isto. Ainda assim é imoral e indecente. Eleições se fazem com debate de propostas como nos países de Primeiro Mundo. Os próprios candidatos já deixaram clara esta idéia. É brega e de muito mau gosto fazer estas correntes contra Dilma, pró Serra ou vice-versa que circulam na internet. Aceitar ou rejeitar propostas com bons argumentos é o que os brasileiros deveriam fazer. Entendendo isto, o país mudará, e para melhor.

Deixar essas tolices de lado é salutar. É bom elevar o nível da campanha, pois o país precisa de seriedade. Não vamos transformar a oitava economia do planeta num grotão qualquer, num Cuité do Noca. Chega de baixarias. Nós somos formadores de opinião e como tais devíamos tomar vergonha na cara, pois há maneiras bem mais inteligentes de se fazer uma campanha política sem caluniar ninguém. Agindo assim estamos nos aproximando do que devíamos nos afastar: a patifaria política. Enquanto os europeus criaram a figura do "ombudsman" nós criamos o jogo rasteiro e infame para atingir os nossos objetivos. Como um Maquiavel tropical, coloca-se no mesmo balaio temas díspares como o aborto, a religião, o homossexualismo, a eutanásia, a ética e esquecemos do principal: uma política séria para poder ter um Brasil melhor para todos.


É professor em Porto Velho.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Política deveria ser coisa séria!


Planalto não "se aperreia" com Rondônia


Professor Nazareno*


Com um eleitorado pouco maior do que meio por cento do nacional, uma população inferior a um por cento da brasileira e um PIB com números também inexpressivos e quase nulos se comparados à realidade do país, o Estado de Rondônia, por causa do resultado das últimas eleições, bem que poderia ter deflagrado uma reunião nas bases petistas em Brasília. Com investimentos do PAC superiores a um bilhão e trezentos milhões de reais, construção das duas hidrelétricas, várias pontes, viadutos e obras de infra-estrutura na capital e algumas cidades do interior do Estado, o PT e sua candidata Dilma são surrados de forma avassaladora nas terras de Rondon.

Dono de um desempenho pífio nas urnas, o Partido dos Trabalhadores local tem muito pouco a oferecer às hostes nacionais. E pior é que a maioria dos eleitores rondonienses está "se achando" diante desta situação política ainda indefinida. "Não se pode xingar a mãe do crocodilo antes de atravessar o rio", ensina um velho provérbio africano. E é exatamente isto que muitos incautos daqui estão fazendo. Já há indícios de que uma das pontes sobre o Madeira já teve a sua construção devidamente cancelada. Os viadutos estão sendo construídos "a passos de tartaruga" e já correram boatos de que teriam servido de jazigo para o PT rondoniense. Cadê os 100 por cento de saneamento?

Um estalar de dedos das autoridades palacianas em Brasília e a transposição dos servidores públicos do Estado vai para o espaço. Neste momento delicado com indefinição política a nível nacional é preciso agir com muita cautela para não "dar com os burros n'água". Rondônia é um Estado pobre que ainda depende de muitas decisões tomadas no Distrito Federal. Dos 35 homens públicos daqui que ajudaremos a eleger nestas eleições poucos são filhos desta terra. Teriam interesse em realmente trabalhar pelo bem dos que aqui nasceram e dos que aqui pagam seus impostos? Não somos o Acre de Marina Silva. Nosso cacife ainda está na bizarrice e nos maus exemplos.

O interesse do Brasil pelo Estado de Rondônia é pouco ou nenhum. Apenas a energia que produziremos aqui com o desgaste do nosso meio ambiente é o que de fato está interessando para o restante do país. Fora isso, somos apenas uma gota de água no oceano nacional. De repente, alguma autoridade em Brasília pode questionar o porquê de tanto investimento num Estado que não deu qualquer retorno eleitoral. Ganhe Dilma ou Serra, o paranaense João Cahulla ou o tocantinense Confúcio Moura, Rondônia precisa resolver seus muitos e quase insolúveis problemas. O desafio é grande, todos sabemos disto. Não é hora, portanto, para disputas estéreis que apenas satisfazem egos.

Muitos setores da sociedade já tomaram partido. Muitos eleitores já decidiram quem apoiar e por isso, brasileiramente, todos apostam suas escassas fichas como se tudo fosse apenas um jogo onde há um ganhador e um perdedor. Governador e Presidente comandarão os nossos destinos pelos próximos quatro anos, é fato. Por isso precisamos cobrar deles as melhores propostas e não se vê até agora nada que possa mudar a cruel realidade em que vivemos. Nenhum dos candidatos disse como mudaria a sociedade investindo em educação pública de qualidade, por exemplo. O futuro governador deste Estado não sabe nem diz o que fazer para tornar Rondônia um nome importante para o Brasil. O futuro presidente do Brasil não sabe ou não quer dizer o que fazer para dar a Rondônia o destaque que ela merece. Estamos numa encruzilhada?



*Leciona em Porto Velho.