sábado, 1 de março de 2014

A vingança do indomável Madeira



A vingança do indomável Madeira

Professor Nazareno*

            “Mais uma vez estou de volta às manchetes dos humanos. E como de costume, as notícias sobre a minha reputação são as mais trágicas e pavorosas possíveis. Achincalham-me como se eu fosse a mais terrível das criaturas. Colocam-me mais uma vez contra a parede me acusando das mais dantescas ações. Acusam-me injustamente de estar destruindo vidas, lares, plantações, construções e tantas outras coisas de vocês, pobres sofredores. O problema é que sempre fui injustiçado e incompreendido. Desde as confluências de inúmeros outros meus irmãos andinos, venho há milhões de anos, regando a vida e distribuindo riquezas por onde passo. Ainda em formação, sou muito jovem e sempre fui tranquilo e quieto por onde cotidianamente passo. Sou sinônimo de vida, prosperidade e abundância e jamais em minha existência decepcionei alguém.”
            “Não, não estou fazendo mal nenhum a ninguém, pois isto não faz nem nunca fez parte de minha pacífica índole. Esta atual enchente é apenas o reflexo do que fizeram comigo sem a minha permissão. Estou devolvendo aos humanos o que dos próprios homens recebi. Por pura ambição e ganância, vocês rasgaram e dilaceraram meu corpo com duas malditas usinas hidrelétricas nas terras de Rondon. Com pouco ou nenhum conhecimento, alteraram a minha geografia e comprometeram para sempre a minha identidade. São muito hipócritas ou tolos se achavam que eu não reagiria. A montante, por incompetência ou esperteza, seus engenheiros não construíram estradas elevadas o suficiente para se livrar de minhas águas represadas. A jusante, esconderam de todos que me assorearam e por isso minhas águas se esparramam sem controle.”
            “Vocês, malditos humanos, é que são maus. A troco de migalhas, alteraram meu curso, explodiram bombas em meu leito, estraçalharam minhas pedras e mataram meus peixes. Depois, roubaram meu ouro, meus metais, minha madeira e toda a minha riqueza. Vocês próprios enganam uns aos outros sem o menor descaramento. Cadê a transposição que lhes prometeram como cala-boca? Cadê a tão propalada isonomia? Vão é devolver o que já receberam. Cadê, enfim, a limpeza desta imunda cidade que vocês habitam? Todo dia, sem ganhar nada em troca, levo toneladas do seu pútrido lixo. Por isso, nem deixei o cimento de suas usinas secar e lhes dei o troco. Não destruí as peças de seus museus. Foi sua própria incompetência que o fez. Podia, se quisesse, levar suas urnas eletrônicas, mas deixei-as para que possam votar e com isso sofrer mais.”
            “Nada tenho contra o seu Carnaval nem suas bandas e blocos. Divirtam-se, pulem, ganhem muito dinheiro, coloquem sua alegria na avenida, droguem-se e bebam todas. Aliás, levar vantagem com a miséria e a desgraça alheias sempre foi a sua marca maior. Não ligue para seus irmãos alagados em Calama, São Carlos, Nazaré, Abunã e mesmo em Porto Velho. Eles são pobres e na sua hipócrita sociedade, o que vale um pobre? Dê-lhes um mísero quilo de alimento estragado e fique com a consciência em paz, já que é muito difícil rondoniense gostar de rondoniense. Carnaval é cultura, mano. E tem coisa mais importante e cultural do que beber pinga e pular no meio da rua? Mas, por favor, não me olhem mais com esse olhar atravessado nem me culpem pelas suas mazelas. Seus infortúnios podem estar dentro de vocês mesmos. E eu nada tenho a ver com isso. Precisava apenas de respeito e nunca recebi isto dos senhores.”



*É Professor em Porto Velho.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Os “zeróis” da Enchente



Os “zeróis” da Enchente

Professor Nazareno*

        Ultrapassando a incrível marca de 18 metros ainda no mês de fevereiro, a cheia do rio Madeira continua inclemente em 2014. Uma espécie de “indústria da seca” às avessas, esse previsível fenômeno da natureza, talvez turbinado e impulsionado pela desastrosa construção das usinas hidrelétricas e outros fatores antropológicos desnuda de vez a hipocrisia e a “cara de pau” de nós, seres humanos. Mais uma vez acuado pela sua notória incompetência para lidar com as intempéries da natureza, o Poder Público aliado a uma sociedade hipócrita e interesseira procura no meio do caos razões para expiar sua culpa, sua tão grande culpa. No Brasil, as pessoas carentes e necessitadas, geralmente com a conivência desse mesmo Estado inútil, fazem suas moradias em áreas de risco e depois do pior, imploram ajuda aos governantes e à mesma sociedade.
O drama vivido pelos ribeirinhos e suas famílias e por todos os atingidos pelo fenômeno poderia nem estar acontecendo: se prevenir é melhor do que remediar, por que somente as pessoas pobres, geralmente com a “compreensão” de autoridades corruptas e incompetentes, fazem suas moradias em áreas de risco e depois do pior, são abandonadas e jogadas à própria sorte? O drama dos rincões secos do Nordeste e do desbarrancamento de morros no Rio de Janeiro infelizmente se repete na calha do rio Madeira na Amazônia brasileira. E no caso de o pior acontecer nada será feito, pois no Brasil, e particularmente em Rondônia, o Poder Público não está e nem nunca esteve preparado para evacuar as pessoas. Está preparado apenas para evacuar NAS pessoas. Mais miserável ainda é quem depende da ajuda dos outros para sobreviver.
Como ninguém conscientizou os ribeirinhos do perigo que corriam, dar esmolas agora não resolverá o drama de ninguém. Igual aos políticos que tanto desprezamos, estamos dando o peixe e se esquecendo de ensiná-los a pescar. Esse negócio de “Páscoa Solidária”, “S.O.S Ribeirinhos”, “Solidariedade a quem sofre”, “Estenda a mão aos alagados”, dentre outras tolices, inventadas sob medida apenas para massagear o ego de pessoas e entidades civis e religiosas, às vezes, pouco ou nada altruístas, serve também para expiar alguma forma de pecado maior cometido em nome do capitalismo selvagem que tanto corrói a nossa hipócrita sociedade. Diante de autoridades inertes, o preço da gasolina e de outros bens de consumo já subiu por aqui e certamente outras mercadorias também terão um “pequeno acréscimo”. É a outra metade do mundo vendendo lenços.
E todos, “por pura bondade”, querem participar desta corrente de solidariedade humana. Não há Facebook que aguente com tantas fotos. Admiramos quanta gente boa existe por aqui. Como estamos num ano político, desconfia-se de tanta boa vontade. Se em Porto Velho não existisse a Vila Princesa, localizada lá pelas bandas do lixão da cidade, os poucos endinheirados que formam a elite local inventariam outra vila com as mesmas características só para poder praticar o seu altruísmo mensal. Pelo visto, esta enchente não está só trazendo águas barrentas e madeiras apodrecidas. Traz também muita alienação, medo, hipocrisia e falta de solidariedade. Mas brevemente vamos evitar o sofrimento pulando na famosa Banda do Vai Quem Quer. Este ano, vamos ultrapassar os 200 mil brincantes. E os atingidos pela catástrofe? “Ora, eu já dei o quilinho de arroz para eles. Sou do bem, deixe-me pular o carnaval em paz”.



*É Professor em Porto Velho.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Porto Velho, fevereiro de 2032



Porto Velho, fevereiro de 2032

Professor Nazareno*

             A enchente do rio Madeira não dá tréguas. Estamos ainda no mês de fevereiro e as previsões são as mais pessimistas possíveis. Cientistas da Unir, a Universidade de Rondônia, junto com pesquisadores do IPCHSRO, Instituto de Pesquisas em Cheias, Hidrologia e Sujeiras do Estado, já emitiram um alerta às autoridades e à sociedade em geral dando conta de que essa enchente de 2032 pode bater a marca dos 20 metros. As barrentas e caudalosas águas do Madeira já invadiram o camelódromo e outras áreas importantes da cidade e avançam sem dó nem piedade sobre a Avenida Rogério Weber no centro da Capital. Há fortes indícios de que em pouco tempo poderão atingir a Avenida Sete de Setembro bem como outras importantes vias levando o caos para todo o centro e causando transtornos ao trânsito e também sérios prejuízos ao comércio.
            A Bailarina da Praça, Prefeita da cidade, convocou uma reunião de emergência com os seus assessores diretos para debater o problema. A mandatária do município afirmou anteriormente que sua maior preocupação é dar total segurança para os moradores da região que estão sofrendo com a inusitada catástrofe. “A Prefeitura de Porto Velho de tudo fará para socorrer as muitas famílias dos bairros Triângulo e adjacências. Se preciso for, criaremos algo inédito nesta cidade: um novo bairro para abrigar todas as pessoas atingidas pelo fenômeno”, afirmou a Bailarina da Praça. Já a Governadora do Estado, Ana da 8, colocou todo o aparato do seu partido, o PT, bem como a infraestrutura disponível para enfrentar o caos. “Vamos mobilizar toda a sociedade civil e os órgãos do Estado para isso”, afirmou a popular Governadora.
            Roberto Sobrinho, Ministro da Integração Nacional, já confirmou que virá em breve a Porto Velho para acompanhar de perto o problema. Sobrinho deixou claro que esta sua atitude não é por ser este ano um ano de eleições. “O Governo Federal sempre esteve preocupado com os destinos de Rondônia e por isso dará todo o apoio necessário tanto à Prefeita da capital quanto à Governadora”, disse o Ministro. Ele adiantou também que em muito breve começarão as obras para finalizar os viadutos na entrada da cidade, assim como não faltarão recursos para realocar as famílias e finalmente terminar a ponte que liga Porto Velho a Humaitá. Roberto Sobrinho deixou claro que a maior preocupação do Presidente Lula é que não falte farinha d’água em Porto Velho uma vez que os moradores do projeto Joana D’Arc já estão isolados.
            Todos são unânimes em afirmar que esta enchente está nos levando ao caos. Fraldas descartáveis, absorventes femininos usados, lixo, imundícies e garrafas pet já estão boiando por toda a área alagada. “Se a cidade tivesse uma boa infraestrutura sanitária com redes de esgoto, água tratada e coletas de lixo, o problema seria menor”, enfatizou a Prefeita. “Mas estamos trabalhando para resolver o mais depressa possível estes pequenos problemas”, concluiu. A Governadora afirmou que pode até suspender as aulas em toda a rede estadual de ensino da capital para usar as escolas como abrigos temporários. “Podemos reduzir o ano letivo para 100 dias e criaremos escolas com cinco turnos diários se preciso for”, enfatizou Ana da 8. A sociedade está muito preocupada com esta enchente, pois a Banda do Vai Quem Quer pode não desfilar, já que não haverá barcos para todos os brincantes. “Sem carnaval e sem a famosa banda, Porto Velho sucumbiria para sempre”, é o que todos afirmam. O Professor Nazareno, pastor evangélico da Igreja “Ungidos por Cristo” já colocou a estrutura de sua rica congregação para ajudar os atingidos. Vereadores, Deputados Estaduais e as autoridades em geral demonstraram preocupação e boa vontade para ajudar a todos. Sairemos desta.



*É Professor em Porto Velho.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Renuncie, Dr. Mauro!


Renuncie, Dr. Mauro!

Professor Nazareno*

           Com pouco mais de 450 mil habitantes em sua área urbana e quase um século de existência, Porto Velho, capital de Rondônia, sempre foi uma das piores cidades do Brasil em termos de qualidade de vida. Suja, porca, imunda, cheia de lixo esparramado pelas ruas, com esgotos escorrendo a céu aberto, sem a menor infraestrutura urbana, com uma das menores taxas de IDH dentre as capitais brasileiras, sem arborização para compensar o infernal calor da região, com transporte coletivo extremamente deficitário, violenta, enlameada, pontilhada de favelas do centro à periferia, quase sem nenhum saneamento básico e pouquíssima oferta de água tratada aos seus moradores, mesmo estando em plena Amazônia, por incrível que pareça, este ridículo aglomerado urbano tem prefeito, vice-prefeito e até Câmara de Vereadores.
           À frente do Executivo municipal, quando foi eleito com exatos 142.937 votos, inclusive o meu, o médico do PSB, Mauro Nazif, de origem palestina e natural do interior do Estado do Rio de Janeiro, até agora, depois de mais de um ano, ainda não disse a que veio. É de longe a maior decepção política dos últimos tempos em Porto Velho e em Rondônia. E quem diz isso é o próprio eleitorado que votou nele. Pesquisas dizem ser o prefeito da capital o pior dentre os mandatários do Estado com pouco mais de 11 por cento de aprovação popular. Ou seja, quase 90 por cento dos porto-velhenses reprovam a sua desastrada administração. A rigor, passado todo esse tempo à frente da Prefeitura, o Dr. Mauro não fez absolutamente nada em termos de benfeitorias.
     O esperado “choque de gestão” prometido civicamente durante a campanha virou “choque digestão” e enganou a todos nós. Onde o gestor do PSB põe o dedo, é desastre na certa. Os viadutos sequer foram reiniciados, a Rua da Beira está sendo feita pelo Governo estadual, as alagações persistem e estão piores do que antes, o trânsito está mais infernal e desorganizado, o péssimo transporte coletivo continua o de sempre, o lixo e a podridão campeiam nas ruas e avenidas, a rodoviária continua suja e imunda, a “cidade das hidrelétricas” está ainda mais escura, enfim, o que já era ruim, com Nazif conseguiu piorar muito mais. Incrível, mas já há saudades da administração Roberto Sobrinho entre alguns munícipes. Não se sabe o porquê, mas o Dr. Mauro nem se  desculpa, nem mostra os motivos pelos quais não consegue administrar Porto Velho.
 No entanto, engana-se quem acha que o prefeito está parado: o IPTU teve um “pequeno reajuste” (o meu aumentou 315%) e já em 2014 pode voltar a malfadada e esquecida Zona Azul no centro da capital. E promessas para enganar trouxas não faltam. As alagações podem até ser combatidas, mas ao custo da erradicação definitiva de mais de 200 árvores. Piada infame em Porto Velho: o prefeito quer arborizar a cidade destruindo o já combalido meio ambiente. Por tudo isso, Dr. Mauro, renuncie. Vaze da área. Se automedique com ‘simancol’. Saia e leve junto o seu vice e toda a Câmara de Vereadores para que novas eleições sejam convocadas. Convença-os a renunciar com o senhor. Entre para a História, faça esse gesto, beneficie esta sofrida e abandonada cidade. Presenteie o nosso sofrido povo devolvendo-lhe a esperança já perdida.
 Volte a ser o bom médico que o senhor sempre foi. Vá cuidar da saúde de seus pacientes. Dedique-se ainda mais a sua linda família. Porto Velho ganhará muito mais com este seu gesto patriótico. Seja o Dr. Mauro das campanhas e se o seu salário mensal for de 21 mil reais, o oitavo maior dentre os prefeitos de capitais, honre os quase 300 mil que recebeu somente neste tempo de “administração”. “Sei que a sua posição não é invejável, mas foi o Senhor que escolheu estar nela. Escolheu e foi escolhido. O senhor encarna a esperança de milhares de porto-velhenses. Não permita que o anseio de tantos degenere para frustração”, disse recentemente Reginaldo Trindade, procurador da República. Seria demais entender que hoje grande parte da população desta cidade faz coro com ele? Evite a nossa angústia por mais três anos. Tenha dó de nós. Renuncie!


*É Professor em Porto Velho.



quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Natal sem progresso em Porto Velho



Natal sem progresso em Porto Velho

Professor Nazareno*

    Infelizmente quem aqui nasceu ou por qualquer outra razão veio para fincar raízes e espera algum dia ver esta capital como um lugar cheio de progresso, qualidade de vida e desenvolvimento humano é bom ir logo “tirando o cavalinho da chuva”, pois Porto Velho não combina com futuro promissor nem com prosperidade. Com quase um século de existência, parece que é um lugar amaldiçoado. Por aqui nada dá certo nem ninguém se preocupa. Além de suja e imunda, a capital dos rondonienses foi criada para ser a vergonha do Brasil, o lodaçal. Sem água potável e com menos de três por cento de saneamento básico, não se sabe até hoje por que foi escolhida para ser capital de um Estado. Longe de tudo e de todos, poderia ser substituída por Ji-paraná, Cacoal ou a limpa e asseada Vilhena bem no sul do Estado e muito mais próxima da civilização.
            A cidade de Porto Velho não tem planejamento urbano nenhum, é um lugar feio, desajeitado, desarrumado, sem nenhuma arborização e que lembra muito bem uma currutela de garimpo ou mesmo um cemitério abandonado. Muito pior do que uma favela, nesta época do ano em vez de limpeza só tem lama e água empoçada. Não tem edifícios altos, mas tem vários viadutos, todos inacabados, enfeando ainda mais o assombroso ambiente urbano. Tem uma ponte de quase um quilômetro de extensão também inacabada, conta com poucas ruas asfaltadas e por incrível que pareça tem emissoras de rádio, de televisão e até internet para os habitantes saberem que existem cidades civilizadas e desenvolvidas no Brasil e no mundo. Maior do que muitos países e com uma minúscula população, ainda assim não sobrevive de forma independente.
            Em Porto Velho parece até que não existe Poder Público que se preocupe com a sofrida população da cidade. E todo ano é o mesmo lenga-lenga: não há decoração de ruas, praças e avenidas durante o Natal, não há embelezamento em nenhuma parte, não há confraternização, enfim, não existe nenhuma preparação para as festas de fim de ano. Incrível, mas a cidade tem Prefeito e Vereadores, que “cuidam” do orçamento municipal. Tolice falar sobre suas absurdas atuações. Mas quem os elegeu fomos nós, os eleitores daqui mesmo. Para o ano de 2014, por exemplo, esse orçamento superará um bilhão de reais. Claro que muito pouco ou nada será usado em benefício da população. E ninguém reclama de algo a não ser um ou outro comentário nas redes sociais. Inédito: ser roubado pelas autoridades daqui é sinônimo de felicidade coletiva.
            O melhor lugar da cidade é o aeroporto. Se a rodoviária fosse mais asseada e higiênica competiria com o modesto campo de pouso da cidade, também chamado pelos ufanistas e bobos de “Aeroporto Internacional”. Nas férias de final de ano quem pode “monta no porco” e viaja. Este ano, 90 mil pessoas, em média, saíram do lixo e da imundície. Eu mesmo estou em Caxias do Sul na paradisíaca Serra Gaúcha. Juro que não vi até o momento um único animal morto pelas ruas ou sujeira esparramada pelo chão. Também não vi nenhum alagamento. A decoração de Natal daqui é encantadora. Caxias tem água encanada e saneamento básico, luxos inexistentes na nossa capital. Até os noticiários da TV em Rondônia são exibidos com horas de atraso em relação ao Brasil. Nem o Natal se comemora direito: 800 mil reais foram gastos com uma decoração feia, brega, ridícula, chinfrim, cafona, matuta, velha e ultrapassada. Presente “ching ling” para nós, tolos. O famoso Natal de “gala”. Ninguém sai às enlameadas, violentas e escuras ruas para comemorar algo. E no Ano Novo se lhe desejarem um feliz 1890 não se assuste. A infraestrutura da cidade, de tão atrasada e rústica, ainda não chegou a essa data. Porto Velho é um belo lugar, mas do século XIX. Ou de bem antes.


 *É Professor em Porto Velho.