sábado, 20 de março de 2010

Brasil, um país sem leitores?

Falta de Leitura: De quem é a culpa?


Professor Nazareno*


        Há alguns anos, um servente de pedreiro passou no Vestibular de Direito numa faculdade do Rio de Janeiro. Até aí tudo bem não fosse o incrível detalhe de que o indivíduo era analfabeto. O Ministro da Educação de então, professor Paulo Renato, ficou escandalizado com o fato. A comunidade acadêmica ficou em polvorosa. Foi um escândalo. Notícias foram publicadas a respeito, promoveram-se vários debates sobre o assunto. O MEC a partir de então, instituiu a obrigatoriedade de uma prova de Redação para todos os concursos vestibulares (tanto das universidades públicas quanto das particulares), pois acreditavam os sábios do Ministério estar criando assim uma barreira de competência quase intransponível para quem quisesse fazer um curso superior. Ops! Vestibular em faculdade particular?

        Os alunos do Ensino Médio do país inteiro, salvo raríssimas exceções, produzem hoje um texto tão bom quanto o que produziria o nosso servente acima citado. Pouco ou nada foi feito para se equipar as nossas escolas de condições para ensinar como se produzir um bom texto. O mercado não tem bons profissionais na área. Muitos professores de Português e até mesmo de Redação não conseguem produzir uma simples lauda com coerência e clareza. A maioria das nossas escolas não tem sequer a disciplina Redação no Ensino Médio. Os mestres não lêem quase nada, pois livros custam caro. O povo não lê. A imprensa escrita, de um modo geral, apenas informa em vez de ajudar a formar. Livros são gêneros tão supérfluos e raros no Brasil quanto caviar de esturjão do mar Negro.

        E não adianta muito criar clubes de leitura ou coisas do gênero. Colocar livros como componentes da cesta básica como até já sugeriu um Ministro da Educação é tão ridículo que beira a insensatez. Num país de gente famélica como o nosso, a atividade de ler e produzir um texto passou a ser talvez a mais descartável das ações humanas. Brasileiro não lê, reclamamos. Mas brasileiro come? É preciso reformular tudo, mudar tudo. Fazer uma revolução. A atividade de ler deve sim, começar desde cedo, em casa e incentivada pelos pais. “Um país se faz com homens e livros” (que sejam lidos, é claro). As escolas deveriam cobrar diariamente dos seus alunos a produção de um texto escrito como se fosse uma espécie de ordem do dia.

        Além disso, a mídia deveria contribuir com programas de incentivo à leitura e não com essa programação imoral, alienante e sem sentido. Big Brother, Faustão, Xuxa, a Fazenda, Gugu, os programas policias e outras porcarias do gênero deveriam ser extintos da grade de programação, pois nada ensinam e só deturpam e entorpecem a já deficiente e confusa mentalidade do brasileiro. Que contribuição um programa policial dá à cultura e ao país em termos de conhecimento? Geralmente apresentados por psicopatas ou alienados, esses programas são verdadeiros shows de desrespeito aos direitos humanos, de incentivo à cultura da “justiça com as próprias mãos”, além de propagar a desigualdade social entrevistando só os bandidos pequenos, aqueles “que só falam em juízo”.

        Infelizmente não será essa greve de professores ou outra qualquer que vai resolver este delicado problema. Nem aqui nem em qualquer outro lugar do país. As eleições já se aproximam e de novo nenhum alento no horizonte. Vamos reconduzir aos cargos para nos governar os velhos de sempre: mensaleiros, sanguessugas, corruptos, mentirosos, ladrões, compradores de votos, estelionatários, bandidos e enganadores de fé alheia. Os raríssimos eleitos que têm compromissos com a educação, com a cultura do povo, se perderão no “oceano de mediocridade” em que se transformou a política nesta nação de semi-analfabetos. O Brasil só vai mudar quando a maioria do “e-leitor” se conscientizar da importância do ato de ler para promover as transformações sociais de que tanto necessitamos para o nosso progresso. Só que estamos a “anos-luz” desta realidade, desta utopia. Uma pena.


*O professor Nazareno leciona na Escola João Bento.


quarta-feira, 17 de março de 2010

Greve na educação: só o aluno perde.


“A corda sempre arrebenta do lado mais fraco!”


Professor Nazareno*



Dizer que a atual greve dos profissionais em educação do Estado de Rondônia é justa e que já deveria ter sido deflagrada há muito tempo é apenas dizer o óbvio. Não pelo fato de eu ser professor, mas por que somos uma categoria desvalorizada em todos os sentidos e quase sem perspectivas de vislumbrar melhorias financeiras em curto prazo. Pode até faltar ao nosso sindicato, o Sintero, sensibilidade política, como muitos afirmam por “apenas” fazer movimentos reivindicatórios em anos de eleições, mas o sindicato não é somente uma diretoria, é o todo. E tenha eleição ou não, o professor nunca teve um salário digno para que não se justifique uma greve, uma paralisação.

E o problema não é o Governo Cassol, apenas. Não é e nunca foi. E também não é por causa das propagandas mentirosas sobre educação veiculadas por este governo. O problema são todos os governos do Brasil: direitistas, esquerdistas, de centro, comunistas, ditadores, democratas, liberais, petistas ou de qualquer outra espécie. Na História recente ou antiga desta nação, qual foi o governo que de fato investiu na educação ou nos educadores? Nenhum. E não por falhas no planejamento, mas principalmente por que nunca houve cobranças por parte da sociedade. Os brasileiros, de um modo geral, parecem que nunca perceberam a importância desse vital setor para o progresso deles próprios e também do país como um todo.

A participação dos pais na educação dos filhos é algo comum em países como a Coréia do Sul ou o Japão e que dispensam quaisquer comentários. No Brasil são raros os pais que estão preocupados com o que seus filhos estão aprendendo (e se estão mesmo aprendendo) na escola. Em Rondônia, a realidade deve ser ainda pior. Por isso, os investimentos são cada vez mais escassos e os governos afirmam nunca haver disponibilidade de caixa para atender as reivindicações dos grevistas como disse recentemente a nossa Secretária de Educação. Uma sociedade que não tem como pagar um salário digno a seus educadores não pode sonhar com nenhum desenvolvimento.

Infelizmente altos salários para os nossos professores não significam melhorias na educação, pois a maioria dos médicos em Porto Velho, por exemplo, ganham verdadeiras fortunas em salários pagos por este mesmo Estado e a saúde sempre foi um caos. Quem impediu esta pandemia de dengue? A maioria dos nossos alunos das escolas públicas, principalmente, são analfabetos funcionais como denunciou em recente e excelente artigo o deputado Leudo Buriti (Educação brasileira: entre a necessidade e a qualidade - leia artigo embaixo). Por isso, essa greve só vai piorar a situação destes pobres coitados. Vão ficar mais desinformados ainda. Pagarão de novo pelos erros cometidos historicamente por uma sociedade alheia aos benefícios da educação e muitos pais ainda se acomodam.

No Japão, é o Imperador que presta reverência a qualquer professor e não o contrário. Óbvio que ninguém daqui gostaria de ser reverenciado pelo Cassol ou mesmo por Lula. Queríamos apenas que eles, mesmo sendo semi-analfabetos, entendessem a importância do educador e da educação para o progresso e o desenvolvimento de qualquer país e que a melhoria da sociedade passa necessariamente pela sala de aula. Ainda que seja uma sala suja, quente, muito cheia, insegura, mal iluminada e sem nenhuma motivação. Deve ser por tudo isso que faltam tantos professores nas salas de aula de Rondônia e do resto do Brasil. E que não há concurso que consiga preencher as muitas vagas ociosas nessa profissão cada vez mais esquecida e, para muitos brasileiros, quase sem nenhum valor. Só que somos todos que pagaremos por mais este erro.


*É professor em Porto Velho.


O "resumo" da greve na Educação: quem perde?


Educação brasileira: entre a necessidade e a qualidade


Leudo Buriti*


Segundo dados publicados pela UNESCO, uma grande parcela dos alunos de diferentes níveis educacionais apresenta deficiências críticas no Brasil. É evidente o avanço no âmbito da educação ao longo dos tempos em nosso país. Entretanto, ainda conforme dados do referido órgão e publicados no relatório “Educação para Todos”, o Brasil está entre os 53 países que ainda não atingiram e nem estão perto de atingir os objetivos de “Educação para Todos até 2015”. Nosso país amarga a 88ª posição no ranking de desenvolvimento educacional, atrás dos países mais pobres da América Latina, como o Paraguai, o Equador e a Bolívia. Tais dados soam absurdos numa época em que se fala tanto dos avanços e “credibilidade” do país.

Mesmo sem pretender fazer uma análise profunda sobre o tema (complexo e, ao mesmo tempo, contraditório), alguns pontos merecem ser destacados. Sem ir muito longe, a imprensa do nosso Estado têm noticiado a greve de professores da rede estadual de ensino. De um lado, professores indignados com a proposta de reajuste salarial feita pelo governo, do outro lado, agentes públicos fechados ao diálogo, e no meio disso tudo está quem mais sofre – os alunos das escolas em greve. Constantemente é negado o direito à educação. Mal começa o ano letivo e as aulas são paralisadas. Porém, não queremos uma educação de qualquer modo. Educação é assunto para ser levado a sério. Precisamos dos nossos jovens e crianças em salas de aulas dignas. O mínimo de conforto é necessário para que se crie um ambiente propício à aprendizagem. Salas confortáveis, recursos técnicos e didáticos disponíveis, acervo bibliográfico atualizado para professores e alunos, acesso a internet, merenda escolar (sim, nem todos saem de casa devidamente alimentados), tudo isso faz parte ou, pelo menos, deveria fazer parte da nossa educação ou da preocupação daqueles que a conduzem.

Não se trata de utopia. Trata-se de necessidade urgente. Levar em consideração tais questões deveria fazer parte de todo e qualquer governo que se preocupa com a educação de seu povo. A “educação para todos” anseia, antes de qualquer coisa, por qualidade. É muito bom saber que pesquisas revelam que o acesso ao ensino fundamental está quase universalizado no Brasil, com 94,4% da população de 7 a 14 anos incluídos nesse nível de ensino. Pergunta-se: qual a real porcentagem dos alunos brasileiros que saem do ensino médio competentes em língua portuguesa e matemática (para ficar apenas nessas duas disciplinas?). Não é raro vermos professores espantados com o não domínio de regras gramaticais básicas por parte de seus alunos. As lacunas deixadas por uma educação de má qualidade no ensino fundamental refletirão durante toda a vida estudantil. Os problemas de interpretação textual, do ensino básico à universidade, são gritantes. Aprende-se ler apenas o que está explícito, aquilo que é óbvio. O que está apenas sugerido nas entrelinhas torna-se um imenso vácuo entre leitor e produtor do texto. Nem sempre quantidade é o suficiente.

E como falar de qualidade na educação sem falar em professores mal remunerados e desestimulados profissionalmente? Paga-se muito pouco àqueles que formam os nossos futuros médicos, advogados e dentistas. É vergonhosa a realidade salarial dos profissionais em educação no Brasil. Entre todas as profissões, esta deveria ser uma das mais bem remuneradas. Negar seus direitos e garantias é contribuir para uma educação fragilizada. Infelizmente não temos outro caminho se não a greve. A luta por uma educação de qualidade e com salário digno não é somente dos profissionais em educação, ela envolve toda a sociedade. O reflexo de uma má ou boa educação incide diretamente sobre todos nós. Não dá para fechar os olhos, assim como não dá para viver apenas de números. E como diz na canção, “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte, a gente não quer só comida, a gente quer saída para qualquer parte...”.



*Leudo Buriti – é advogado pós-graduado em direito público e constitucional. (www.leudoburiti.blogspot.com)


sábado, 13 de março de 2010

As "maravilhas" do Nordeste brasileiro


“Orgulho de Ser Nordestino”


Professor Nazareno*


A criação de slogans falsos e mentirosos para enganar a população é uma prática comum no Brasil. A Ditadura Militar criou vários mantras que se popularizaram. “Brasil, ame-o ou deixe-o”, ou “Este é um país que vai prá frente!” Em Rondônia também existem muitos ditados que, de certa forma, tentam imitar o absurdo: “sou daqui e exijo respeito”, diz, por exemplo, a frase da Assembléia Legislativa. Será que ser respeitado é “devolver” o dinheiro do povo? Porém um dos ditados mais incomuns e patéticos apareceu no Nordeste do Brasil. Sem observar a dura realidade da região, alguns imbecis insistem em ressaltar o orgulho de se ter nascido naquele lugar.

O Nordeste brasileiro é uma região com área territorial menor do que o estado do Amazonas e tem uma população de quase 60 milhões de pessoas. Se esses dados geográficos fossem no mundo rico e desenvolvido, tudo bem. No Brasil é sinônimo de muitos problemas. Vejamos: os quatro estados mais pobres do país e com menor Índice de Desenvolvimento Humano são do Nordeste: Alagoas, Paraíba, Maranhão e Piauí. Os índices econômicos da região são pífios, sempre foram. O analfabetismo é alto, e a concentração de renda, o câncer do país, é a maior dentre todas as regiões. O seu maior produto de exportação sempre foi a mão de obra barata e de qualidade duvidosa.

As capitais da região se auto-intitulam como oásis do turismo mundial, mas são apenas seqüelas associadas à exploração de seres humanos. Recife pode até ser a “Veneza brasileira”, mas é a capital mais violenta do país. Natal e Fortaleza disputam ferrenhamente o título de capital do turismo sexual. Uma voltinha nos calçadões da Aldeota ou mesmo nas brancas areias da Ponta Negra é um convite que pode quase sempre terminar dentro de um motel. João Pessoa, na Paraíba, não é onde o sol nasce primeiro. Nunca foi. Dependendo da posição da terra, é o norte do Espírito Santo que recebe os primeiros raios solares. Uma mentira secular em que todos os paraibanos sempre acreditaram.

Os estados nordestinos sempre tiveram só duas cidades: a capital e o resto. Por isso a política do lugar é conhecida no mundo inteiro como a “Meca do clientelismo”. O coronelismo sempre foi uma marca registrada de lá. A “indústria da seca” é uma realidade tipicamente nordestina. Sarney, Collor, ACM dentre tantos outros são e foram exemplos de líderes regionais sabidamente copiados pelo resto do Brasil. Nem na Literatura há grandes destaques. Como indicar alguém como Jorge Amado ou mesmo José Lins do Rego para algum Nobel? Um se dizia comunista, mas apoiava ACM na Bahia, o outro jamais escreveu algo além da realidade dos engenhos de cana.

Na religião o Nordeste é um caso à parte. De Antônio Conselheiro, nos confins da Bahia, até Roldão Mangueira e seus “Borboletas Azuis” passando pelo cearense Padre Cícero ou o pernambucano São Severino dos Ramos e até Frei Damião, os nordestinos sempre “botaram fé” nos seus escolhidos. E, alheios ao tempo e à realidade, nunca deixaram de associar os fenômenos climáticos aos desígnios de Deus. Por tudo isto, não seria correto associar o slogan do título à realidade sem nenhuma reflexão mais detalhada. É possível até sentir orgulho de ser de algum lugar. Mesmo que este lugar esteja apenas associado a simples vendedores de rede espalhados pelo mundo afora. Mas aí a História teria que ser mudada.


*É professor em Porto Velho.


domingo, 7 de março de 2010

Será que o brasileiro sabe votar?


Brasileiro: mentalidade chinfrim e atrasada!


Professor Nazareno*


O Brasil é hoje uma das maiores potências econômicas do mundo. Tem um PIB invejável e é o segundo maior produtor mundial de alimentos. No entanto, com mais de 190 milhões de habitantes corre o risco de entrar para a História como uma nação de imbecis cuja maioria de sua população é composta de abestados, de idiotas, de pessoas sem a menor consciência crítica, de analfabetos políticos e funcionais, de ladrões e de uma gente sem visão de mundo e completamente alheia a sua própria realidade. Exemplo disso é o nosso eleitorado, que com mais de 130 milhões de votantes, é o responsável maior pela perpetuação desta calamidade nacional.

A piada dizendo que Deus daria toda esta exuberância natural ao recém criado país, mas colocaria uma gentinha cretina por aqui parece ser verdadeira. O Brasil sempre foi explorado por outros países mais ricos e desenvolvidos e repete esta receita dentro da Federação. Os estados mais abastados exploram os mais pobres sem dó nem piedade. Destroem o meio ambiente local em busca de energia além de usar a mão de obra, sempre disponível e barata, do explorado. Exemplo maior disso são as construções das hidrelétricas do Madeira: a energia vai toda para o sul do país. Aqui não fica nada.

Quando esta mentalidade de “vira-latas” chega à política, o desastre é anunciado. Desvios de dinheiro, compra de votos, corrupção exagerada e o pior: falta de critérios para a escolha dos governantes. Eleição no Brasil é algo patético, esquisito mesmo. Parece até Plebiscito para emancipar distrito. Ninguém sabe por que vota nem para quê. Em pleno século vinte e um ainda se discute se o candidato “ficha-suja” deve participar do pleito ou não. Por isso não existe um único indivíduo preso no país por corrupção. José Roberto Arruda está “em cana” por que obstruiu o trabalho da Justiça. Só por isso.

Este ano terá eleições e já circula pela Internet uma campanha fascista afirmando que os brasileiros “de bom senso” não podem votar na candidata do PT, Dilma Roussef, porque ela foi terrorista e o seu grupo teria participado da morte de vários militares durante a Ditadura Militar. Embora não seja eleitor do “Partido do Mensalão”, acho um exagero. Vários países do mundo já viveram e vivem a experiência de ser governados por ex-guerrilheiros. O Uruguai atual é um deles. Além disso, a candidata petista estava numa guerra lutando para expulsar do Poder os usurpadores da ordem institucional e democrática. Guerra é guerra. Devia ter matado mais militares para o bem da nação.

A mentalidade chinfrim é irmã gêmea da mentalidade golpista que ainda deve existir nos quartéis. Por isso ambas concordam com a falta de liberdade de expressão, com torturas, exílios, DOI-CODI, perseguições políticas, atos institucionais e toda a sorte de obscurantismos e cerceamento de liberdades. Seria bom que os eleitores otários do Brasil, aqueles mais de 80%, entendessem que a eleição da Dilma não trará este lixo autoritário de volta, apenas modernizará a prática do Mensalão, da corrupção e da distribuição de esmolas do Estado. A maior compra oficial de votos do mundo não pode se acabar. Coisas naturais numa sociedade ridícula, burra e alienada como a brasileira.


* O professor Nazareno Leciona em Porto Velho.


quarta-feira, 3 de março de 2010

Não vai sobrar uma única árvore em Porto Velho




Porto Velho e Rondônia: será o inferno aqui mesmo?


Professor Nazareno*


Há aproximadamente duas semanas um jornal italiano havia publicado uma reportagem, numa espécie de site, em que informava os quinze lugares do planeta onde é altamente recomendado nunca visitar. Claro que Rondônia estava na lista, pois só um maluco, aventureiro ou desavisado turista pretenderia fazer turismo nestas terras. O motivo era simples e já manjado: devastação do meio ambiente, altos níveis de desmatamento nas suas florestas e acúmulo de lixo. “Milhares de hectares da Amazônia foram cortados e queimados, para abrir caminho para a criação de gado”, informava a publicação. Este “Mapa de Infernos na Terra” chocou as minhocas telúricas.

Quando o Rondoniaovivo publicou a matéria, foi uma chiadeira geral da maioria dos internautas. “Inferno é lá que tem sempre guerra e máfia e ainda tem pedófilos vindo pra cá nas férias”, esbravejou um autêntico rondoniense. “Quem fez esta pesquisa não sabe o que está dizendo. Rondônia, apesar de todos os problemas ambientais ainda possui aproximadamente 50% de sua cobertura vegetal”, vociferou outro. E completou: “O italianos deviam olhar para o seu nariz. E mais, vir visitar Rondônia e conhecer uma floresta de verdade”. Afirmaram até que os italianos não são nada para criticarem o nosso querido estado, dentre outras bobagens e sandices sem nenhum sentido.

Este jornal italiano falou apenas do interior de Rondônia e se esqueceu da capital, Porto Velho, por que se tivesse conhecido a cidade de Roberto Sobrinho, Jair Ramires, da Sabenauto e do carnaval da Dengue, o escândalo teria sido ainda maior. Mais de uma centena de árvores foram cortadas pela Prefeitura Municipal para que acontecesse o ridículo e fracassado desfile de momo e desta vez para que esta revendedora de automóveis tivesse a sua fachada descoberta. Um crime brutal praticado por quem devia zelar pelos interesses dos munícipes. Falar de lixo nesta cidade é uma redundância absurda, ainda vamos sucumbir em meio a tanta podridão e carniça.

Se Rondônia e a sua “arborizada e bela capital” não fossem um inferno, a Sabenauto sofreria um tremendo boicote dos seus clientes e pagaria pelo crime ambiental que cometeu. Já com Sobrinho e o seu desastrado secretário talvez não aconteça nada, pois dizem que antigamente a Avenida Sete de Setembro era muito arborizada com muitas mangueiras e um conhecido ex-prefeito mandou arrancar cada uma delas. Os rondonienses estão acostumados a verem seu patrimônio natural ser devastado sem dar um pio. Veja-se o exemplo das hidrelétricas no Madeira. Em vez de protestar quando desaparece uma linda cachoeira, o povo daqui faz é festa de despedida.

Muitos rondonienses não gostam de floresta. A própria Brigada de Infantaria e Selva fica localizada bem no centro da cidade em meio a uma selva, mas de concreto. Seria bom arrancar agora a castanheira lá do estádio já que quase ninguém nota mesmo a sua presença. Porém se eu fosse o Secretário da Sema, Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Aguinaldo Ferreira, pediria demissão por conta deste descaso. A não ser que ele concorde com mais este crime ambiental praticado pelo prefeito e sua gente. Mas isto não vai dar em nada, como sempre. Nem a pomposa Promotoria Ambiental do Ministério Público Estadual vai resolver coisa alguma. O próprio Jair Ramires já resumiu tudo durante uma entrevista: “Por que a Prefeitura vai notificar a Prefeitura”?


*O professor Nazareno leciona em Porto Velho.


sábado, 27 de fevereiro de 2010

Alguém votaria em mim para alguma coisa?


Eu, para Governador ou mesmo Prefeito!


Professor Nazareno*


Nunca fui filiado a nenhum partido, nunca concorri a nenhum cargo político em nenhuma eleição. Entretanto, no distante ano de 1986, concorri ao cargo de Vice-Diretor da Escola Orlando Freire na periferia de Porto Velho. Sem prestígio nem carisma, fiquei em terceiro lugar. Perdi feio na primeira eleição de que participei. Já fui simpatizante do PT, o Partido dos Trabalhadores. Mas isto foi há muito tempo e naquela época não existia Mensalão, Zé Dirceu, Dilma Roussef, dinheiro na meia ou na cueca. Roberto Sobrinho, por exemplo, dava aulas e era apenas um sujeito cheio de idéias revolucionárias. Os petistas eram bons, pois aspiravam aos cargos bancados pelo Erário.

Jamais concordei com a máxima de que todo ser humano deve se envergonhar do governo que tem. Era jovem e ainda tinha esperanças. Acreditava que a política e os políticos podiam resolver tudo. Engano. A maioria dos políticos de hoje são crápulas, patifes, ladrões e enganadores da pouca fé que ainda resta em nós, incautos e humildes eleitores. Resolver os complexos problemas deste país por meio das urnas é um sonho tão distante e inatingível que apenas os mais tolos podem aceitar. Por isso, entendo que nunca me candidataria a nada. Nem a Inspetor de Quarteirão. Minha falecida mãe sempre me dizia: “Quem mente, rouba”, e já que quase todo político mente...

Por isso jamais seria candidato a Prefeito ou Governador. Nem mesmo a Vereador, Deputado Estadual, Federal ou a qualquer cargo eletivo. Não administraria bem, embora não saber administrar tenha sido uma virtude no “brasil”, já que a maioria do nosso eleitorado é estúpido, iletrado, babaca, alienado e ignorante. E deve ser fácil mesmo administrar os otários. É por conta disso que Ivo Cassol e Roberto Sobrinho fazem a festa nestas terras karipunas. Antes mesmo de 1914, as ruas de Porto Velho já exalavam o cheiro característico da carniça e os tapurus abundavam, mas Sobrinho prometeu ser a panacéia milagreira que faria jorrar mel e leite do chão. E acreditaram.

Não só acreditaram como deram ao sujeito dois mandatos consecutivos. Premiaram também o Cassol e o Lula com esta mesma benesse. E eles juram, para desespero do país inteiro, que vão fazer os seus sucessores. Parece até com aquela fábula da multiplicação da idiotice coletiva, do espírito de galinha: sofre e sangra, mas bota todo dia um enorme ovo e depois sai cantando. Se eu fosse Prefeito ou Governador alertaria o povo sobre isso o chamando de bobo. Seria impopular. Se fosse emancipar qualquer vilarejo sob minha jurisdição, dizia o porquê. Seria chamado de imbecil e incompetente. Em vez de assistencialismo idiota, tentaria criar mais empregos.

Como Deputado Estadual eu jamais devolveria o dinheiro do povo. Faria projetos que beneficiassem a todos e assim não seria chamado de mentiroso e incompetente, já que “quando a esmola é grande todo santo desconfia”. Por tudo isso, eu não seria um bom político e nem sequer teria coragem de pedir votos para mim neste oceano de mediocridade. Talvez eu quisesse administrar a cheirosa e sonora Viena, capital da Áustria, a progressista Seul na Coréia do Sul ou mesmo Paris, a organizada cidade luz. Mas aí a história seria outra. Se eu fosse candidato a qualquer cargo eletivo neste país, neste estado ou nesta cidade, eu imploraria aos meus eleitores: por favor, não votem em mim!


*Leciona na Escola João Bento da Costa em Porto Velho


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

" O Plebiscito de Extrema e os eleitores-zumbis"



Ponta do Abunã: a unanimidade da incompetência


Professor Nazareno*


Existe uma crença generalizada e não comprovada de que no Brasil mais de 80% do eleitorado vota, mas não sabe votar. Os 20% restantes são, dessa forma, reféns da maioria burra, estúpida, semi-alfabetizada, ignorante e alienada. Particularmente sempre achei que esses números estão errados: na nossa realidade devem existir muito mais eleitores que não sabem o real valor do voto dentro de uma sociedade democrática. Acreditando-se nestes números fictícios, seriam mais de 104 milhões de “cabeças-ocas” a decidirem os destinos da nação. Como vivemos numa democracia, os 26 milhões de eleitores restantes aceitam as regras do jogo democrático a que estamos submetidos.

Porto Velho tem um pouco mais do que 253 mil eleitores. E todos sem exceção devem no próximo domingo, dia 28 de fevereiro, comparecer às urnas para votar. Como se já não bastasse o tédio e o incômodo de uma eleição a cada dois anos, todos os eleitores porto-velhenses somos obrigados a participar de duas eleições num ano só. E o pior é que a sensação que se tem é a da realização de apenas uma eleição e meia. Em outubro, uma eleição de verdade quando vamos eleger o Presidente da República, alguns Senadores, Deputados Federais, Deputados Estaduais e Governadores dos estados. Domingo, uma eleição que parece de mentirinha para “alforriar” uma vila que Porto Velho e seu prefeito Roberto Sobrinho não souberam administrar e por isso querem se livrar daquela gente.

A eleição para a emancipação da Vila de Extrema e de toda a Ponta do Abunã, se não é um engodo, uma farsa é uma piada de mau gosto, uma brincadeira com o eleitor daqui. De fato, não houve campanha até agora para a realização do tal Plebiscito. Uma eleição sem nenhuma informação para o eleitor. O TRE de Rondônia se limitou a dizer apenas o óbvio, o que todo mundo já sabia: todo eleitor inscrito em Porto Velho é obrigado a votar. Sobre o Plebiscito, nenhum pio. Qual a novidade nestas informações? O principal parece que ninguém quer dizer: por que se deve votar no SIM? Por que se deve votar no NÃO? Quem ganha o quê com a vitória de uma dessas propostas? Por que não houve debate na mídia? Por que não fomos informados de nada? Por que nos escondem tantas informações? Por quê?

Pelo que se vê e comenta, a campanha pelo ‘SIM’ é a que tomou mais corpo. Hoje conta com apoio de praticamente todos os partidos e de lideranças políticas, como o governador Ivo Cassol, o prefeito Roberto Sobrinho, o senador Valdir Raupp, o deputado estadual Valter Araújo (PTB), e até mesmo dos pré-candidatos ao Governo, Confúcio Moura (PMDB) e Expedito Junior (PSDB), que já declararam apoio à criação do novo município, além de deputados federais, estaduais e vereadores. Ou seja, “se toda unanimidade é burra” como afirmou Nelson Rodrigues, têm-se razões de sobra para desconfiar deste apoio unânime e das intenções dessa gente. Governador e Prefeito defendendo os mesmos interesses? Estranho. Será que há algo por trás disso tudo e nós eleitores nada sabemos?

O povo da Ponta do Abunã merece todo o respeito e consideração das autoridades de Porto Velho e de Rondônia. Merece ser atendido nas suas justas reivindicações, mas essa secessão é um absurdo, uma estupidez, uma excrescência. Quem diz que ama Rondônia deveria votar pelo NÃO. Alguém acha justo perder futuramente para o Acre toda aquela rica região só porque não tivemos competência para administrá-la? Sem nenhuma informação, sem saber o porquê de votar em qualquer uma das propostas, sem debater nada, os mais de 253 mil eleitores de Porto Velho podemos nos transformar em “eleitores-otários” e concordar “às escuras” com a classe política local, a mesma que “devolve o dinheiro do povo”. Vamos agora, para alegria dos políticos, depois dessa, pertencer aos 80% do eleitorado, aqueles mais burros.



*O professor Nazareno leciona na Escola João Bento da Costa em Porto Velho.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Carnaval é cultura ou apenas sacanagem?


Carnaval Karipuna ou da Dengue!


Professor Nazareno*


O carnaval é um espetáculo patético, horrendo, deprimente e sem sentido. Nas principais cidades do país é encarado como a síntese cultural de um povo, o brasileiro. Em Porto Velho, o carnaval é a excrescência do nada. Mulheres nuas, drogas, brigas, empurrões e álcool, muito álcool caracterizam esta festa imoral, que corrompe mais ainda os já falidos valores morais da família, é um lugar onde homem se veste de mulher, mulher se veste de homem e a maioria, para o bem comum, se droga escancaradamente no meio da rua e bem na frente de todos, e diga-se também, com a conivência das mais altas autoridades. É a cultura do vale-tudo, do absurdo coletivo, da perversão e do homossexualismo enrustido e latente. Só pobre gosta de carnaval. Pobre de dinheiro ou de espírito. Dá para entender por que no Brasil esta festa é tão popular.

Pode até parecer exagero, mas quem observa as fotos do desfile da “Banda do Manelão” ou de qualquer outro bloco, troça, escola de samba ou sabe-se lá o quê por este país afora não se sentirá surpreso ao ver um amigo, conhecido ou mesmo um familiar, embriagado ou drogado, feliz da vida, pulando e cantando como se a vida, o mundo, se resumissem apenas àquele momento. Os dias de carnaval, pelo menos no Brasil, têm servido para anestesiar a dura realidade com a qual somos obrigados a conviver diariamente. A partir da quarta-feira de cinzas, os noticiários serão inundados com cenas de violência e aberração e muitos ainda vão ter coragem de reclamar.

O carnaval de Porto Velho apesar de ser copiado, brega e estúpido consegue misturar num só ambiente as mazelas de uma cidade que agoniza por falta de bons administradores. E por isso, tudo parece normal. De fato, como não deixar de observar passistas desengonçadas e feias tentando sambar ao mesmo tempo em que mostram suas pernas sapecadas de manchas de feridas das picadas dos insetos? E as ridículas alegorias, fantasias, carros enfeitados e mal feitos que se dissolvem aos primeiros pingos da chuva? Unidos do TNT (tecido feito de papelão) seria um bloco naturalmente aplaudido pela escassa e corajosa platéia que ainda tem coragem de ir aos desfiles na devastada Avenida Imigrantes. Sem identidade cultural, a cidade se espreme entre o boi e a folia. Depois vem o martírio da Expovel e dos desgastados arraiais juninos. E haja festa!

Apesar de aumentar consideravelmente a violência, o consumo de drogas, além de interditar as principais ruas e avenidas da cidade, ninguém tem tempo para se lembrar do trânsito infernal, dos buracos nas ruas e do mau cheiro característico desta cidade. E nem poderia mesmo, pois os políticos estão também festejando os dias de Momo juntinho ali da platéia. Nada mais democrático: exploradores e explorados brincando e ainda tendo as benesses de ter a polícia por perto para dar segurança a todos. Este ano dizem que o dinheiro público foi poupado e não sambou na avenida. Sábia decisão, os governantes já estão sabendo administrar o que é de todos. Rondônia está se desenvolvendo.

Carnaval é uma festa tão democrática e absurda que a grande maioria dos problemas diários da população miserável é esquecida naqueles momentos de euforia. E entrosados ali, pulando no meio da gentalha estão os governantes, como se esta ação grotesca fosse parte do seu 'honroso trabalho'. Político não devia participar de carnaval, pois na nossa política é carnaval todo ano, o ano inteiro. Arquibancadas de tábuas velhas, ornamentadas por xixi humano e caindo aos pedaços fazem um espetáculo à parte. Mas vergonhoso mesmo é ficar alegre com uma epidemia de dengue que assola a população. Em homenagem a este descaso, o mosquito Aedes Aegypti devia ser a mascote principal deste carnaval dos horrores.


* O Professor Nazareno leciona na Escola João Bento da Costa em Porto Velho.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Quem quer entrar na Universidade?


O SISU ‘haddadiano’


Valdemar Neto*


O novo Sistema de Seleção Unificada (SISU) prometia ser uma dádiva para os estudantes. Mas ao longo do tempo, e das etapas ou chamadas, essa dádiva se transformou em um presente grego. Isso porque as falhas nesse sistema se tornaram constantes.

Muito discutida, ás vezes elogiada e ás vezes criticada, a mutabilidade da escolha do curso tendo como base a pontuação obtida no ENEM 2009 se revelou ineficaz. Pois os alunos acabam se inscrevendo em cursos onde a sua respectiva nota se "encaixa"; quase uma escolha forçada. O resultado disso foi que das mais de 47 mil vagas oferecidas sobram ainda, na segunda chamada, mais da metade desse valor. Um recorde de desistência.

Outro fator que explica tanta desistência é o fato de que muito dos selecionados moram longe das universidades “desejadas” e, na maioria dos casos, não têm como se encaminhar até essas instituições de ensino. Mas por que, então, tais alunos se inscreveram nessas instituições sabendo que não podiam chegar até lá para efetuar a matrícula? A resposta é simples: para aumentar a coleção de aprovações.

Num mundo cada vez mais mesquinho dizer que foi aprovado em dezenas de universidades aumenta o ego e faz crescer o tom de “superioridade” desses alunos - algo bem narcisista, não? De maneira geral, a existência desse fato evidencia as falhas do SISU e além do mais coloca em xeque o caráter (des) humano para com o próximo.

Outro problema do SISU é que aqueles que se inscreveram na primeira etapa e desistiram das vagas para a qual foram selecionados poderão se inscrever novamente. É fácil prever que o que aconteceu na primeira etapa se repetirá de novo na segunda. Com isso, inúmeras vagas ficarão ociosas á espera da etapa suplementar; faraônico e repleto de falhas, essa é a realidade do SISU ‘haddadiano’.


*Ex-aluno do Colégio João Bento da Costa em Porto Velho.


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A Ponta do Abunã é de Rondônia! Alguém acredita?


A Secessão no Fim do Mundo


Professor Nazareno*


O Plebiscito marcado para o final deste mês de fevereiro e que tem como objetivo principal emancipar a Vila de Extrema, fronteira com a Bolívia e divisa com o Acre, é grosso modo uma aberração nos meios políticos não só de Rondônia, mas também do Brasil e abre caminho para outras localidades seguirem os mesmos passos. As particularidades desta votação, a que todo eleitor de Porto Velho está obrigado a comparecer, expõem ao resto do país e talvez até ao exterior a nossa maneira absurda e bizarra de fazer política e de tratar a coisa pública.

Único lugar do mundo onde os políticos devolvem dinheiro, com mais esta esquisitice o nosso Estado passa de vez a fazer parte do anedotário político nacional. Enquanto na maioria dos estados brasileiros “as meias e cuecas” são recheadas de reais e dólares, Rondônia e os rondonienses ensinam outros meios bem menos dolorosos de se iniciar nesta arte. É sabido por todos que os moradores das localidades situadas na Ponta do Abunã há muito tempo foram abandonados pelo poder público, mas desmembrar e diminuir o território para se livrar do “abacaxi” só se vê por aqui mesmo.

Minas Gerais, por exemplo, não abre mão do Triângulo Mineiro assim como país nenhum do mundo quer ceder um milímetro sequer do seu território. Muitas e incontáveis guerras já houve mundo afora por causa de disputas territoriais. Aqui, a bisonha classe política até já se manifestou favorável à debandada da vilazinha perdida naqueles cafundós. Se Roberto Sobrinho fosse presidente de um país sério e agisse dessa forma entreguista, seria sumariamente fuzilado por crime de lesa-pátria, mas o “psicólogo do bigodinho” jamais vai ser Presidente de coisa alguma. Ainda bem.

Sobrinho, ao incentivar a secessão de Extrema admite publicamente a sua falta de competência para administrar a totalidade de um território para o qual foi escolhido para governar e ainda joga, com esta sua atitude mesquinha, nas costas do eleitorado a responsabilidade da escolha. Além do mais, aumenta as despesas absurdas esquecendo-se de que no Brasil, além do Presidente e do Vice-Presidente da República, existem 27 Governadores, 27 Vice-Governadores, 81 Senadores, 513 Deputados Federais, 1059 Deputados Estaduais, 5.561 Prefeitos, 5.561 Vice-Prefeitos e 60.320 vereadores.

Será que ele é cego para não perceber que são muitos os parasitas sendo sustentados com o suado dinheiro dos impostos? A não ser que a sua lógica seja a mesma dos seus pares: quanto mais políticos, mais dinheiro será devolvido aos cofres públicos. A necessidade da criação do município é tamanha que já contamos com a participação de 21 partidos políticos nessa campanha, sem contar que a Assembléia Legislativa e a Prefeitura de Porto Velho estão nos apoiando, além de movimentos religiosos que estão engajados”, observou Aparecido Bispo, um líder local e, claro, pró-emancipação.

A Vila de Extrema já pertenceu ao Acre, mas foi transferida para Rondônia. A população, porém, não concorda, já que a localidade fica mais próxima de Rio Branco, 180 quilômetros, do que de Porto Velho, 350 quilômetros. Por conta da distância menor, o maior contato dos moradores é com o Acre, onde os moradores usam os serviços, como o de saúde. A crescente produção agrícola e o rebanho de 400 mil cabeças de gado representam, na visão dos defensores da criação do novo município, que a região tem tudo para ser separada de Porto Velho. A vitória do SIM é a vitória da incompetência da administração municipal. Atendendo corretamente aquela gente sofrida e solucionando os seus problemas mais imediatos não perderíamos nenhum naco do nosso território. Que pena!


*Leciona na Escola João Bento da Costa.