A
Banda só anestesia Rondônia
Professor
Nazareno*
O
Carnaval é o ópio do povo não resta mais nenhuma dúvida. E Rondônia vive dias
terríveis. Quase tudo por aqui está sendo privatizado como já fizeram com a
Ceron, as Centrais Elétricas de Rondônia. Privatizaram a BR-364 e já se fala
abertamente em privatizar também o rio Madeira. O atual governo do Estado já
admitiu publicamente o fracasso da construção do “Built to Suit”,
o hospital de nome inglês que iria substituir o “açougue” João Paulo
Segundo. Continuaremos sem Pronto-Socorro! Com o inverno, a capital fica
alagada e submersa em lama quase todos os dias. Mas mesmo assim, haverá desfile
da Banda do Vai Quem Quer pelas sujas e imundas ruas de Porto Velho neste
sábado de Carnaval. Essa Banda piora, e muito, o que já é ruim. Serão toneladas
e mais toneladas de lixo, de dejetos e de bebidas baratas jogadas nas ruas além
do cheiro de urina.
Bêbados,
drogados e totalmente anestesiados, muitos dos foliões parecem querer disputar
entre eles para ver quem mais suja a cidade que lhes acolhe. Léo Moraes, o
atual prefeito, deveria mandar espalhar caçambas e lixeiras por onde a Banda
vai passar. Diminuiria a seboseira e passaria outra imagem da Banda, do
Carnaval e também da própria prefeitura. Campanhas de conscientização vindas do
Poder Público assim como da organização da Banda deveriam ter sido veiculadas
na mídia nos dias que antecederam o fatídico desfile. Com o inverno rigoroso
que estamos atravessando em Porto Velho, os poucos e frágeis bueiros e algumas
outras canalizações da cidade não podem receber tantas garrafas pet, tantas
sacolas de plástico, preservativos usados, muito menos vidros quebrados que são
descartados em qualquer lugar pelos brincantes. Falta-nos civilidade?
A cidade é de
todos nós: de quem gosta e de quem não gosta de Carnaval. E geralmente quem não
vai ao desfile está preocupado com a política e com outras questões sociais.
Como pode um indivíduo ficar anestesiado no meio da rua e não se preocupar, por
exemplo, com a privatização da principal rodovia que liga o seu Estado ao
restante do país? Como não se angustiar com a cobrança imoral e absurda de vários
pedágios nessa estrada antes mesmo das benfeitorias e dos investimentos? Os
dirigentes da Banda do Vai Quem Quer talvez não estejam tão inquietos assim com
estas questões. Já pensou juntar cem ou duzentas mil pessoas e procurar
conscientizá-las minimamente de seus direitos e difundir entre todos eles o
orgulho de sua terra natal? E sem sujar nada! Parece que só
querem mesmo é “encher a cara” de cachaça e deixar que as coisas se
arranjem sozinhas.
Lamentavelmente o
governo Lula não tem feito nada por Rondônia. Ano passado os incêndios
devastaram a Amazônia e o governo federal pouco ou nada fez para amenizar o
problema da fumaça tóxica. Este ano parece que tudo vai se repetir novamente.
Por isso, as bancadas de deputados federais e de senadores deste Estado poderiam
deixar as tolas questões ideológicas de lado e se mobilizarem para impedir a
doação deste Estado aos mais espertos. Como disse muito bem o jornalista Rubens
Coutinho em um primoroso artigo: Porto Velho, que já está sitiada, vai se
tornar uma prisão a céu aberto. Realmente: não temos porto no rio Madeira, o
caos aéreo encareceu as passagens de avião e agora se pagará pedágio caríssimo
se quiser sair do Estado por terra. Em vez de pular Carnaval, os rondonienses
deviam fazer passeatas e sair às ruas para reclamar, pois se não houver nenhuma
reação, tudo terminará mesmo é em samba. Como a Banda do Vai Quem Quer.
*Foi Professor em Porto
Velho.
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