Vivendo
sem democracia
Professor
Nazareno*
A frágil
democracia brasileira mal completou 30 anos e já estão lhe agourando. Desde
1985 que vivemos sob um regime democrático, recorde absoluto neste país. Entre
64 e 85 quem mandou de fato foram as baionetas, que apoiadas pela retrógrada
elite nacional, deram sustento à censura, à intolerância, às perseguições, à
tortura e a tantos outros cerceamentos de liberdades individuais. Vivi os dois
períodos e confesso que não me dei muito bem na época dos generais-presidentes.
Ainda criança e também na fase da adolescência não entendia o porquê de tanto
anacronismo. Hoje, meio século depois, eis que um tanto assustado e incrédulo,
vejo alguns brasileiros pedirem abertamente a volta daqueles tempos bicudos.
Talvez por interesse, burrice, maldade ou então por não entenderem o perigo que
há em se querer “chocar ovo de serpente”.
Claro que a atual situação política
não está nada satisfatória. Por isso sempre há o temor de radicalizações. Há uma
fictícia, mas não remota possibilidade de termos outro golpe de Estado no
Brasil, numa irresponsável aventura militar, ou mesmo civil. E como seriam ou
como ficariam as coisas? O mundo civilizado, claro, não aceitaria outra virada
de mesa em terras tupiniquins e poderíamos ter que enfrentar alguns
contratempos externos. No país, quase não haveria problemas. Enfurecidos com o
PT ou com os setores da direita conservadora e adulados pela mídia alienante e ultrapassada,
os novos mandatários nacionais teriam total apoio dos tolos governados e seriam,
de novo, considerados verdadeiros deuses que vieram para salvar a pátria do “grande
mal” que a assolava. O mantra de qualquer dos lados seria: “às favas com
a democracia”.
Em Rondônia, seria um verdadeiro
inferno viver sem este regime, tenho certeza. Se com o “governo do povo”
viver aqui é como morar na casa do Satanás, imagine-se o contrário disto. Numa
ditadura, seríamos o fim do mundo. O povo ficaria alijado de todas as decisões
oficiais e quem mandaria de fato no Estado seriam os políticos fantoches e nos
municípios, todo e qualquer prefeito ficaria nas mãos sórdidas da elite golpista.
Além disso, nenhuma obra seria terminada, bem diferente de uma democracia.
Dinheiro até que viria de Brasília, mas as autoridades locais roubariam tudo e
nada fariam em benefício do povão. Não! Não queiramos uma ditadura de jeito
nenhum. Já pensou ter vários viadutos inacabados na entrada da cidade? Um
Espaço Alternativo que só serviria para eleger deputados federais? E uma ponte
escura? Só coisas da ditadura.
Vamos sair às ruas neste dia 16 de
agosto, mas, por favor, não peçamos um regime de exceção. Numa ditadura,
senhores, teríamos na capital apenas dois por cento de saneamento básico e
menos ainda de água tratada. A cidade seria suja, imunda, fedorenta e quase
inabitável. Invasão de terrenos na periferia seria rotina e a corrupção
voltaria com toda força. Um horror: se tivermos uma tirania, fiquem certos de
que haverá muita poeira e fumaça no verão e no inverno será só lama. A mídia
seria controlada por interesses escusos e atenderia somente aos políticos. E
pior: com ditadores no poder, o Judiciário não funcionaria de jeito nenhum. Aí
não teria como terminar nenhuma das obras inacabadas. E nós, filhos legítimos
de Rondônia ou mesmo rondonienses de coração, não queremos isto para a nossa
amada terra. Os “destemidos pioneiros” gritam com força: Rondônia e
democracia, uma aliança quase indestrutível.
*É Professor em
Porto Velho.
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