Rondônia:
bolsonarismo em alta
Professor
Nazareno*
O
Estado de Rondônia tem na política algo de mais surreal no Brasil. É, dentre
todos as unidades da federação, a mais bolsonarista, reacionária e amante da
extrema-direita. Seus eleitores superam, e muito, em termos proporcionais, os
eleitores de estados ricos e tradicionais como Santa Catarina, Minas Gerais e
São Paulo. Só que “a nova estrela no azul da União” é um dos
estados mais pobres e miseráveis que há. Aqui, sequer tem uma grande população.
Temos algo só em torno de 0,82% da população nacional e um PIB até menor do que
isso: apenas 0,7%. Todos os números são, portanto, menores do que um por cento.
Resumindo: Rondônia diante da já tosca realidade nacional é uma espécie de “segunda
pessoa do quase nada”. Mas a maioria dos eleitores daqui insistem
em votar na extrema-direita e a bajular candidatos com o sobrenome Bolsonaro.
Mesmo
com o bolsonarismo sitiado não só no estado, mas em todo o país,
os eleitores não deixam de tecer loas aos representantes daquilo que há
de mais reacionário, conservador e direitista na política. O bolsonarismo, de
um modo geral, só trouxe mais desgraças para este jovem estado. Veja o exemplo do
atual governador. Foi eleito e reeleito com sobras pelo seu fiel eleitorado.
Passou oito anos no Palácio Getúlio Vargas e neste período o atraso, o
subdesenvolvimento e as desgraças foram a tônica. Neste meio tempo, só faltou
dar uma chuva de merda nas “Terras de Rondon”. O governo Marcos
Rocha é tão pífio que o atual mandatário sequer vai se candidatar a algum cargo
político nas próximas eleições. Em Rondônia nada dá certo. Para se tirar um
simples documento de identidade, por exemplo, é quase impossível. Ninguém
consegue agendar. Tudo é caos.
A
capital do estado continua ainda sem porto rampeado. E a construção do seu novo
hospital de pronto-socorro deu em nada. O “Built to Suit”
prometido por Marcos Rocha ficou só nisso mesmo: promessa. Rondônia nunca teve
pedágio em suas raras e precárias rodovias. Mas o Free Flow
apareceu de repente na perigosa, esburacada e mortífera BR-364 para desespero
dos eleitores direitistas que moram às margens dessa estrada. Aqui se paga uma
das mais caras taxas de energia elétrica do Brasil, apesar de termos pelo menos
três hidrelétricas somente para gerar energia boa e barata para fora do estado.
Ainda assim, o bolsonarismo está em alta em Rondônia, apesar de só ter
trazido mais desgraças e muito mais misérias para o seu povo. O combustível
daqui é um dos mais caros de todo o país. Rondônia foi o único estado a
não aderir ao pacto do diesel.
Não
existe um só estado no país que tenha as passagens aéreas tão caras como aqui.
Caríssimas e muito raras! E ninguém faz nada para tentar resolver o problema. O
ICMS do combustível de aviação deve ter também o preço muito alto, pois muitos
passageiros locais preferem ir de ônibus para Rio Branco ou Cuiabá para pegar
voos mais baratos. O bolsonarismo vai fazer Rondônia voltar a ser
território de novo. Ainda assim o eleitor não “abre os olhos”
para a triste realidade que o cerca. Flávio Bolsonaro está enrolado até o
pescoço com o banqueiro Daniel Vorcaro, mas muitos rondonienses nada veem de
anormal nisso. Dão-lhe apoio integral e votam maciçamente nos candidatos que
insistem em usar o sobrenome Bolsonaro. Aliás, por aqui muitos candidatos
brigam para usar esse sobrenome que, no resto do país, já está em franco
declínio com o seu líder julgado e preso. Falam que o próximo governador daqui será
o ex-pit bull do Bolsonaro.
*Foi Professor em Porto
Velho.
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