sábado, 11 de abril de 2026

O melhor de todos os candidatos

O melhor de todos os candidatos

 

Professor Nazareno*

 

            Este ano de 2026 tem eleições gerais no Brasil. A corrida aos cargos ainda nem começou direito e muitos brasileiros praticamente já decidiram em quais candidatos votar em outubro próximo. A nível federal, a maioria dos eleitores, seguindo a sua consciência política de sempre, deve escolher o candidato que se mostrar mais cruel, mais desumano, mais insensato, mais corrupto, mais impiedoso, mais desalmado e mais picareta possível. Dificilmente se elegerá qualquer candidato que seja humano, racional, inteligente, amigo, probo, perspicaz, honesto e compromissado com a civilidade e com o espírito público. A Câmara Federal e os dois terços do Senado terão eleitos, muito provavelmente, as pessoas que apresentarem a mesma índole de sempre: descompromisso total com a dura realidade de desigualdade social do país e vistas grossas com a fome, a miséria e injustiças sociais.

            Em mais de 520 anos de História foi sempre assim, por que alimentar esperanças de que em 2026 as coisas, como num passe de mágica, vão mudar drasticamente? A maioria dos eleitores brasileiros parece que sofre da Síndrome de Estocolmo. Basta observar a postura do atual Congresso Nacional, que foi eleito por esse mesmo tipo de eleitor: o nosso Legislativo é ultradireitista ao extremo e defende, geralmente, aquelas pautas que só desgraçam ainda mais a vida dos pobres, dos miseráveis e desassistidos. No âmbito do Executivo a ladainha sempre foi a mesma só com pequenas alterações. Um candidato entreguista, pouco patriota, mentiroso, golpista, negacionista, vingativo e aliado à extrema-direita reacionária e à elite cruel do país deve disputar, num provável segundo turno, o cargo maior da nação com um candidato que diz representar a pobreza.

            Pode até representar a pobreza, mas não deixa jamais de usar as políticas públicas sociais para arregimentar cada vez mais votos e apoio desses mesmos pobres, deixando, dessa forma, todos eles dependentes quase para sempre do Estado. E o pior: diante dessa polarização criada por esses mesmos políticos, a chance de aparecer uma terceira via é quase impossível. Um candidato ideal seria aquele que mostrasse amor incondicional pelo país que ele vai governar. Um cidadão compromissado em distribuir de forma mais equitativa todos os imensos recursos do país com cada habitante que aqui vive. Alguém que tivesse a responsabilidade de atacar e acabar com tantos problemas sociais que temos. Alguém que respeitasse os direitos humanos, o meio ambiente, enfim, um candidato que tentasse acabar com tantas injustiças que vemos no dia a dia da sociedade. E é possível?

            Claro que é. Nada de entregar nossas riquezas para nações estrangeiras. Lutar sempre pela nossa soberania, lutar pelo progresso social do país atacando os principais gargalhos que nos aprisionam no mundo incivilizado, pobre e dependente apesar do nosso enorme patrimônio. Nada de governar oito anos consecutivos e não construir sequer um bom hospital de pronto-socorro para uma capital de Estado. Governar tanto tempo e não dotar a sua cidade, por exemplo, de água tratada e de boa rede de saneamento básico, de arborização, segurança, boas escolas e de mobilidade urbana é de uma irresponsabilidade e incompetência ímpares. Dinheiro para tudo isso existe aos montes. E pior: quase ninguém cobra isso de seus candidatos. E assim continua, ano após ano, votando sempre neles. E é obvio que estes candidatos existem, mas o próprio sistema os poda e o que há de pior na política sempre é eleito. O pobre é como lombriga: se sair da merda morre!

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.


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