quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

“Rondonha” quer ser famosa

 
 Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado 
  

“Rondonha” quer ser famosa

 

Professor Nazareno*

 

            O inóspito, atrasado, paupérrimo e distante Estado de Rondônia sempre lutou desesperadamente para ter alguma fama dentro da já cruel e ridícula realidade nacional. Nunca conseguiu sequer uma única manchete que o projetasse de forma positiva para fora de suas divisas. Daqui, as notícias sempre foram as mais desastradas e negativas possíveis. Parece ser um lugar amaldiçoado onde nada deu certo até hoje. Sem nenhuma importância no restante do país, lá sempre é confundida com Roraima, outro rincão do Norte também sem nenhum futuro. Acredita-se que jamais tenha sido governada por um legítimo filho da terra. Sua imunda e suja capital é a pior em qualidade de vida dentre as 27 capitais do país. Não tem rede de esgotos, não tem água tratada, não tem saneamento básico, lazer e nem árvores. As poucas que tinha, estão hoje sendo arrancadas pela raiz.

            Com pouquíssimo verde em seu meio urbano, a prefeitura e uma secretaria que devia cuidar do meio ambiente da cidade estão promovendo uma das maiores políticas de desmatamento de que se tem notícia. Com pouco mais de cem anos, o município de Porto Velho jamais fora administrado por um de seus filhos. Os forâneos sempre “deram as cartas” por aqui. Parece que os eleitores locais não confiam nos seus próprios conterrâneos para gerir os destinos de sua podre e insalubre capital. Se Porto Velho nunca teve uma figura de renome que lhe administrasse, o mesmo acontece com o Estado. Por isso, o “rondoniense” mais aclamado por estas bandas é um gaúcho. Jorge Teixeira de Oliveira só não nomeia a tosca unidade da Federação porque este privilégio maior fora dado a um marechal mato-grossense que de início nem queria a homenagem.

            Esse “projeto” de Estado nem futebol tem para ser famoso. Seus poucos times estão por piedade nas últimas divisões do futebol nacional. Algumas pessoas nascidas aqui, e que conseguiram alguma fama mundo afora, dão a entender que até escondem a sua origem rondoniense. Carlos Ghosn, megaempresário que fez fama na França e posteriormente no Japão e que hoje está “escondido” no Líbano, país que também lhe deu cidadania, teria nascido em Guajará-Mirim. Porém a sua fama não é das melhores. Fugiu espetacularmente de prisões japonesas e hoje se encontra como refugiado no país do Oriente Médio. Se disser que é rondoniense, o mundo inteiro vai lhe castigar. Múcio Athayde, o “homem do chapéu”, não é rondoniense, mas foi um dos deputados mais votados nestes rincões. Teria comprado votos de todos e deu uma banana para o Estado.

A aposta dos rondonienses para que “Rondonha” agora tenha fama é o senador mineiro Rodrigo Otávio Soares Pacheco. Esse cidadão, que ninguém daqui nunca o viu mais gordo, é senador bolsonarista por Minas Gerais e foi eleito presidente do Senado. Teria, talvez para a sua infelicidade, nascido em Porto Velho, mas ainda muito pequeno foi para a cidade de Passos em Minas Gerais e por lá se elegeu. Será que algum dia ele vai dizer que nasceu em Porto Velho, Roraima? Ou vai fazer igual ao diplomata Maurício Bustani? Podem até ter nascido por aqui, mas raramente pronunciam o nome de Porto Velho ou o de Rondônia. Nem em suas biografias nem em suas entrevistas. A banda Versalle, que há pouco tempo foi festejada como um sucesso do Brasil vindo de Rondônia, nunca mais lançou uma música sequer. “Rondonha” não tem fama para nada mesmo. Até a banda de Carnaval, a que suja as ruas, não desfilará este ano. E é famosa!

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

domingo, 31 de janeiro de 2021

As Forças Ocultas do mal

As Forças Ocultas do mal

 

Professor Nazareno*

                                                                                               

            Getúlio Vargas quando se suicidou em 1954 falou, ainda que de forma indireta, sobre as forças ocultas que existiam no Brasil. “Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim”. Pouco tempo depois, Jânio Quadros renuncia ao mandato de presidente acusando também a existência dessas tais forças ocultas. Disse ele: “forças terríveis levantam-se contra mim e me intrigam ou infamam”. Muita gente se fingiu e ainda se finge de desentendido. Afinal, quem são essas forças ocultas? A resposta é simples. É a elite endinheirada do país, que sempre mandou em tudo e em todos. É a Casa Grande, que sempre dominou e domina a Senzala. Aqui, governa quem ela quer e da forma que ela quer. Em 1888, quando a princesa Isabel proclamou a Lei Áurea, contrariando-a, esta lhe tirou o Império na hora.

            Lula e o PT, que se dizem socialistas, progressistas, comunistas e de esquerda, e que dizem querer ajudar os pobres e desassistidos, só governaram o país entre 2003 e 2016 porque a elite deixou. Mas quando ela se aborreceu com a falta de pulso firme da Dilma e a roubalheira dos “companheiros”, foi lá e “sem nenhum motivo aparente” deu o golpe de 2016. “Lula e os petistas estão sozinhos roubando todo o dinheiro da nação e desse jeito nada sobrará para nós, os ricos”, pensaram os poderosos, com medo de perder a boquinha para o PT. Então as mesmas forças ocultas de sempre fizeram um teatro “com Supremo e tudo” e escorraçaram a petezada do poder. Lula está colocando pobres na universidade. Lula quer investir na educação. Ele está doido! Lula e o PT estão dizendo que vão acabar com a pobreza. Mas como os ricos vão sobreviver agora?

            A elite do Brasil esteve com Vargas e depois o induziu ao suicídio quando ele não lhe servia mais. Esteve com Jango para depois apeá-lo do poder. Participou ativamente do golpe de 1964 usando os tolos dos militares para isso. Esteve na Nova República com Sarney. Elegeu o Collor durante a redemocratização do país e pouco tempo depois usou os “caras pintadas” para tirá-lo do poder. Collor disse que a elite do Brasil era burra, atrasada e anacrônica. E pagou o preço por isso. Um simples Fiat Elba, em tese, foi o motivo para perder o cargo de presidente. A elite esteve com o Itamar Franco, com FHC e com “Lulinha paz e amor”. Nossa elite se parece com uma eterna dinastia. O Mensalão do PT estuprou a nossa democracia. A elite fez de conta que não viu. Tirou a Dilma Rousseff do poder “por nada” e fez vistas grossas ao Michel Temer.

            A elite do Brasil hoje não quer tirar o Bolsonaro do poder. Então ele não cai. A Covid-19 pode matar metade dos brasileiros. Ele vai continuar mentindo, falando tolices, debochando, desrespeitando, rindo dos mortos e fica até o final do mandato. Já o povo não tem participação nenhuma nas decisões políticas do país. Nunca teve e dificilmente terá. Pelo contrário, fica adulando e aplaudindo a elite. Hoje, praticamente metade da população brasileira lambe as botas do Bolsonaro e a outra metade puxa o saco do Lula e dos outros petistas. E ai de quem falar mal deles. Essas forças ocultas não têm nada de bobas. Convenceram muitos indivíduos com leitura de mundo e também outros ignorantes e analfabetos a brigarem apenas pelos interesses delas. Até em Rondônia, o MP disse que o governador local fraudou o número de leitos durante a pandemia para agradar a elite daqui. Dor: “quando saímos do espeto, caímos na brasa”.

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.


What do you want to do ?
New mail
What do you want to do ?
New mail

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

“Bozo” e Lula, os infames

“Bozo” e Lula, os infames

 

 

 

Professor Nazareno*

 

 

No Brasil atual nunca esteve tanto em voga a máxima de Aristóteles de que “todo homem é um ser político”. Ou então de que “a ciência mais importante da humanidade é a ciência política”. Com o Brasil dividido entre direita e esquerda, essa discussão, no entanto, gira em torno apenas da politicalha no seu significado mais real. De um lado, a extrema-direita reacionária e conservadora, representada pelo presidente Jair Bolsonaro, o “Bozo”, e a sua trupe de adoradores. Todos eles adeptos do atraso, do anacronismo crônico e de teorias absurdas como, por exemplo, de que a terra é plana. Do outro lado estão os “esquerdopatas”, geralmente seguidores do ex-presidente Lula, do PT e de alguns outros partidos da esquerda. Essa contenda atemporal e ultrapassada tem trazido para o Brasil dissabores e problemas insolúveis em meio à atual pandemia.

Jair Bolsonaro e Lula, um simples capitão do Exército e um sindicalista, duas escórias imprestáveis que, cada um a seu modo, criaram mais problemas do que soluções para um país já acostumado com tantas desgraças e desventuras ao longo de quase 521 anos. Países como os Estados Unidos, o Canadá, Austrália e Nova Zelândia, os três últimos com economias bem menores do que a nossa e todos sendo muito mais novos, estão hoje a anos-luz de distância do Brasil em termos de progresso, de cultura e de desenvolvimento. Lula e o PT governaram o país por 14 anos, por isso devem ter roubado menos do que a direita e a extrema-direita que governaram por 507 anos e ainda estão governando atualmente. Sem posturas ideológicas sólidas, as duas correntes políticas só roubaram, exploraram, mentiram e iludiram todos os cidadãos brasileiros.

Diante de uma pandemia feroz que já ceifou mais de 221 mil vidas com nove milhões de infectados, o Brasil patina e sofre com uma das piores sociedades do mundo em termos de educação, sistema de saúde, mobilidade urbana dentre outros indicativos sociais. Nem direita nem esquerda sequer investiram o que deviam na educação do seu povo. Temos hoje em pleno século XXI um dos piores sistemas de educação do mundo segundo a OCDE. A nossa sociedade é uma das mais desiguais e mesmo sendo o segundo maior produtor de alimentos do planeta, contamos vergonhosamente pelo menos com 18 milhões de famintos. Nossa sociedade é extremamente violenta e ignorante. A violência ceifa mais de 50 mil cidadãos todos os anos. Lula fez Copa do Mundo e Olimpíadas. E também ajudou países de esquerda. Gastou bilhões de dólares.

Dinheiro que está fazendo muita falta hoje nos hospitais espalhados pelo país. Dizer que Lula, o ladrão, e o seu partido nada fizeram de errado é dar um atestado de ignorância e de estupidez política. Cidadãos morrem asfixiados por falta de oxigênio. Hospitais lotados, pessoas sem assistência médica. Essa desgraceira toda apesar de termos um dos mais caros sistemas tributários do mundo. Aqui se paga imposto como na Alemanha ou na Noruega. Jair Bolsonaro é outro “jegue” que desdenha da pandemia, nega a ciência, tripudia dos mortos, promove aglomerações, sabota vacinas, envergonha o país. Mas assim como o sindicalista ignorante ainda tem apoio de muitos brasileiros. Nós os cidadãos desassistidos, sofremos com a Covid-19, perdemos nossos amigos, choramos sem assistência nenhuma. Ser brasileiro sempre foi sinônimo de ser idiota, sofredor. Lula e Bolsonaro: duas doenças bem piores do que a Covid-19. Dois infames!

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

What do you want to do ?
New mail

domingo, 24 de janeiro de 2021

Brasil: potência de merda

Brasil: potência de merda

 

Professor Nazareno*

 

            Por incrível que pareça, o Brasil já foi a sexta maior economia do mundo. E não faz tanto tempo assim. Um dos maiores produtores de commodities da atualidade, o país já se inseriu no seleto grupo de potências econômicas com um dos maiores PIB’s do planeta. Hoje, lamentavelmente, ocupa a 12ª posição e sem nenhum prestígio internacional. A pandemia do Coronavírus e os seguidos equívocos de sua política externa aliados à devastação do seu meio ambiente tornaram o nosso país um pária internacional. O Brasil hoje não é nem sombra do que fora em tempos recentes. O negacionismo da ciência, a explosão absurda de casos de Covid-19 e o desastre na aquisição de insumos e vacinas para deter a doença jogaram o nosso país num abismo difícil de ser vencido. Hoje, há menos de meio por cento de nossa população vacinada.

            Países como Israel, EUA e toda a União Europeia já vacinaram grandes contingentes de sua população. O Brasil, antes um dos maiores produtores de vacinas do mundo, depende hoje dos insumos da Índia e da China. Países atacados ferozmente pela nossa atual política externa. Um tiro no pé em um país que conta já com a expressiva soma de mais de 215 mil mortes e quase nove milhões de doentes. Enquanto o mundo corria atrás de vacinas e outros imunizantes, no Brasil as autoridades prescreviam Cloroquina e outros remédios sem eficácia científica comprovada para deter o avanço da Covid-19. Até a vizinha Argentina tem acordo com a AstraZeneca para produzir insumos para mais de 200 milhões de vacinas em pouco tempo. E nenhuma será exportada para o Brasil. México e outros países latino-americanos serão contemplados.

            Negar a ciência tem o seu preço. E já estamos pagando muito caro por ele. Não vamos vacinar nem metade de nossa população e a pandemia dificilmente será vencida por aqui. Os mortos pela doença podem até triplicar entre nós. Porém, enquanto colocam bobagens na cabeça dos pobres, muitos dos ricos furam a fila da vacina. Em pelo menos 12 Estados houve casos de pessoas que se vacinaram sem ter chegada a sua vez. Não sabemos se somos desgraçados, amaldiçoados ou só brasileiros mesmo. Na Espanha, por exemplo, o chefe maior das Forças Armadas furou a fila da vacina, mas teve que pedir demissão do cargo. É primeiro mundo. E já se pensa em impeachment. Vão tirar um ruim para colocar um menos ruim e tudo continuar como era antes. De aspirante à potência de verdade, viramos uma potência de merda, sem nenhum futuro.

Mas houve um tempo em que não havia desentendimentos. Todos roubavam juntos e o silêncio da mídia era bem pago. A corrupção e a roubalheira eram de fato quem mandavam. Era uma lástima. Porém, nestes tempos não havia tanto deboche, achincalhe, pouco caso com a vida alheia, desprezo e negacionismo como hoje. A terra era redonda, não havia tantas “rachadinhas” nem ameaças constantes de golpe. Havia muito respeito internacional, respeito às instituições, respeito à democracia. Não se via tanta homofobia, racismo, misoginia. Houve um tempo que o Brasil foi a 6ª maior economia do mundo. No tempo em que éramos roubados, o ódio dormia sossegado. As vacinas eram confiáveis e todos eram vacinados. O fato é que os dois tempos são ruins para os brasileiros. O ideal seria que juntássemos somente as partes boas de cada tempo. É como acontece nos países civilizados do mundo. Senão é trocar seis por meia dúzia.

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

What do you want to do ?
New mail
What do you want to do ?
New mail
What do you want to do ?
New mail