Mulheres
do Brasil, uni-vos!
Professor
Nazareno*
Antônia
Inocência é minha mulher, com que estou casado há
mais de quarenta anos. Sempre fomos um casal bem sucedido. Eu mando nela
e ela sempre me obedeceu sem dar um pio. É que ela sabe onde é o lugar
dela: na cozinha, claro! Toda mulher tem um lugar dentro da relação: atrás do
marido, pois o homem sempre foi a “cabeça” de todo casamento. Além do
mais, é ele, o macho, que dá o sustento da casa, inclusive para bancar o luxo e
a comida da mulher e dos filhos. Homem nenhum bate na mulher, ele só bate no
atrevimento dela. Feminicídio não existe. É tudo invenção dos “esquerdopatas”
e também das mulheres feias, tribufus, rejeitadas e que não depilam as próprias
axilas. Toda mulher tem que esperar o marido em casa depois que ele chega
cansado do trabalho. A mulher tem que agradar ao seu marido de todas as
maneiras que ele lhe determinar.
A dona de casa que
ousar trabalhar fora deve saber que ganhará um salário bem menor do que o do
homem, fazendo a mesma coisa que ele, pois ela engravida e passa pelo menos de
quatro a seis meses “sem dar um prego numa barra de sabão”. É a
licença-maternidade. Já pensou se ela engravidasse todo ano? Levaria o Brasil à
falência rapidamente. Aliás, essa lei deveria ser retirada da CLT e da
Constituição o quanto antes. No dia em que eu for eleito, lutarei para isso.
Deus fez primeiro o homem e só depois é que lhe sacrificou uma costela para
fazer a mulher. Está escrito na própria Bíblia. Por isso que os homens são
superiores. A mulher devia ser impedida de votar. Política é uma coisa muito
importante e só os homens é que deveriam participar desse processo. O homem tem
que bater na mulher para ver se ela se esperta mais. Só uma surra de vez
em quando.
Em muitos países
muçulmanos, por exemplo, o homem pode ter até quatro esposas ao mesmo tempo. É
a lei chamada de Sharia e o próprio Alcorão, o
livro sagrado deles, que permitem isso. Já as mulheres só podem ter um único
marido. Essa lei tinha que ser aplicada no Brasil urgentemente. Lá a mulher que
trair o marido é condenada à morte por apedrejamento. Nada mais justo, pois à
mulher compete cuidar e zelar do marido, da casa e dos filhos. Por isso, não
pode dar mau exemplo. “Todo homem tem que ser agressivo. E até letal”.
Ou seja, agindo assim ele impõe ordem e respeito no casamento. E se as mulheres
fossem mais inteligentes, não questionavam nada disso. “Crime de
feminicídio não deveria existir perante a lei em nosso país” assim
como o direito à licença-maternidade, já que “todo homem tem o direito
de mandar a mulher ir para a cozinha”.
Por mais absurdo e
monstruoso, quase tudo o que está escrito no texto acima já foi defendido por uma
jovem mulher de apenas 23 anos, Eduarda Campopiano, do PL, eleita
recentemente deputada estadual por São Paulo e que teve exatos 1.956.238 votos.
Pior: boa parte dos seus eleitores são mulheres. Eu torço aqui
para que ela, a Eduarda, encontre em seu caminho um homem totalmente diferente
do que ela preconiza em seus discursos. Isso para o próprio bem dela. E só a
título de informação: em 2025
tivemos no Brasil 1.571 casos de feminicídio, 4.189 escaparam por
algum capricho do destino. Já em 2026,
o país registrou 848 vítimas de feminicídio entre janeiro e
julho, de acordo com os dados oficiais do Ministério da Justiça
e Segurança Pública.
Mas respeitemos a democracia. Ele existe para confrontar os extremos. E Eduarda
Campopiano foi eleita democraticamente e seguindo todas regras do jogo.
Francisca, sem você eu nada seria!
*Foi Professor em
Porto Velho.





