quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Tsunami em Porto Velho?


Tsunami em Porto Velho?

Professor Nazareno*

             A notícia é bem recente. No início deste mês de novembro de 2015 em Manaus, o Doutor em Biologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia/INPA, Philip Fearnside, advertiu durante uma audiência pública que a falta de uma avaliação séria antes do início das obras das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio na calha do rio Madeira pode levar ao rompimento total dos dois projetos trazendo consequências inimagináveis para uns 30 por cento da população de Porto Velho em Rondônia. “Além dos colossais impactos ambientais causados à região, essas construções podem não aguentar as futuras enchentes devido às mudanças climáticas”, disse o estudioso. Ora, se uma tragédia dessa ocorrer, nada acontecerá a ninguém, pois os consórcios das usinas são competentes e sempre mostraram preocupações com o bem-estar da população.
            Fala-se em 50 mil mortos e em grandes prejuízos, mas é tudo bobagem. Os consórcios e autoridades têm infraestrutura suficiente para evacuar toda a população em tempo recorde. Diferente de outros países do mundo onde os governantes evacuam nas pessoas e não resolvem nada, aqui qualquer problema será resolvido de imediato sempre visando à segurança de todos os atingidos. Mas pensando bem: uma catástrofe dessa natureza poderia até ser algo bom para a capital dos rondonienses. Já pensou se as águas caudalosas do Madeira levassem o Palácio Presidente Vargas para as profundezas? Não haveria coisa melhor, já que não faria nenhuma falta. E se conseguissem destruir a Assembleia Legislativa do Estado durante uma de suas sessões ordinárias? Seria um êxtase. Pena que o lodaçal não conseguiria chegar à Câmara de Vereadores da cidade.
            Além do mais, essa capital está precisando mesmo de uma boa lavada. Em que cidade deste país se encontra tanta podridão e tanto lixo acumulados? E seria uma oportunidade única para destruir tudo o que foi feito (mal feito) desde 1914 para poder começar do zero com mais organização e responsabilidade. Mesmo sendo uma tragédia imensurável, a natureza só estaria fazendo um grande favor para muitas pessoas: depois que estas malditas usinas foram construídas, o preço da energia elétrica só aumentou em vez de diminuir conforme prometeram antes de suas construções. Nenhum benefício visível foi visto até agora para os nativos e nem para Rondônia. É natureza estuprada, assoreamento do rio em sua área navegável, secas constantes, temporais, enchente histórica, mortandade de várias espécies de peixes, banzeiros assassinos, êxodo rural...
            Fiquemos tranquilos: não haverá nenhuma hecatombe por enquanto, mas de qualquer maneira é bom “ficar esperto”, pois Rondônia é o paraíso das obras inacabadas, eleitoreiras e mal feitas. E como aqui prostituta se apaixona, traficante se vicia e político diz que é honesto é sempre bom ficar “com um olho no gato e o outro no peixe”. E nem precisa se pegar com Deus, pois Ele não construiu barragem nenhuma e nem é protetor de Porto Velho. Vamos torcer para que o Satanás tenha dó de nós e nos dê a proteção que merecemos. E qualquer coisa anormal, todo mundo seria avisado com bastante antecedência para tomar as precauções. Nossas autoridades não deixariam que algo do gênero acontecesse conosco. Já pensou a TV Rondônia noticiando a catástrofe com duas horas de atraso em relação ao restante do país? Não creio que tsunami ou qualquer outra intempérie da natureza nos atinja antes da esperada chuva de merda.




                      *É Professor em Porto Velho.


sábado, 7 de novembro de 2015

Porto Velho ficará sem símbolo



Porto Velho ficará sem símbolo

Professor Nazareno*

             
              A cidade de Porto Velho, diferente de muitas outras cidades do Brasil e do mundo, nunca teve um símbolo bonito e importante que a representasse. Outro dia eu disse em um texto que as Três Caixas d’Água não serviam para representar uma capital de Estado. A chiadeira foi geral e quase fui escorraçado da cidade por ter constatado o óbvio. Se tivéssemos um prefeito ou uma autoridade que gostasse mesmo deste lugar, aquele trambolho desajeitado, feio e estúpido já teria sido implodido há muito tempo. E nem precisou de muito esforço para que a homenagem àqueles “três paus de jumentos emparelhados” fosse chamuscada: a nova sede da Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia jogou a pá de cal para sepultar a visão do horroroso e sinistro monumento. Coisa que nem um hotel cinco estrelas conseguira na “áurea época das vacas gordas”.
            Para quem entra na cidade, vindo da zona sul pela Avenida Rogério Weber ou adjacências, a visão não deixa nenhuma dúvida: uma das três caixas, a da direita, está totalmente encoberta pela nova sede da casa legislativa de Rondônia. Ou seja, o IPHAN/RO, que antes embargou a construção de um hotel cinco estrelas de renome internacional por causa do lúgubre monumento, desta vez “passou batido” com a inusitada situação e por isso perdeu a oportunidade ímpar de entrar para a História daqui, do Brasil e talvez até do mundo: impedir a construção de uma Assembleia Legislativa por motivos estéticos e patrimoniais. Além do mais, teria colocado “um monte de ferro velho imprestável” numa cadeia de importância maior do que uma ALE. Que falta faria ao povo a nova sede de um poder como o Legislativo de Rondônia?
            São raras as pessoas que gostam da “capital dos destemidos pioneiros”. Muitos dos que aqui nasceram têm vergonha de sua certidão de nascimento. Só alguns que para cá vieram e estão enchendo “as burras” de dinheiro, que ainda têm coragem de dizer que são “filhos de coração” desta terra já há muito amaldiçoada por todos os demônios do inferno. Satanás é o protetor de Porto Velho, a capital de Rondônia. Nem Deus nem nenhum outro santo ou entidade celestial quer representar lugar tão bagunçado e fedorento. Até os amazonenses, que gastaram mais de um bilhão de reais para fazer uma ponte, não querem negócio com Rondônia e nem sua imunda e suja capital. A maioria deles não quer se ligar ao restante do Brasil passando por este Estado via BR-319. Muitos manauaras nem participaram das manifestações pedindo a reabertura da estrada.
            As eternas carcaças dos viadutos do PT, a ponte escura, o Espaço Alternativo inacabado, o “teatro dos cupins”, o cemitério de locomotivas, as imundas e fétidas valas abertas no meio das ruas, a sujeira e a carniça bem que poderiam simbolizar a “cidade das hidrelétricas” em vez de monstruosas e inúteis caixas d’água enferrujadas agora escondidas por outra feia e também imprestável construção. Até as comemorações do Natal em Porto Velho são de arrepiar o Demônio. Quem não se lembra daqueles pneus velhos e pintados que mais se pareciam “cocô de monstro” espalhado no meio das ruas? Será muito difícil quebrar esta maldição que paira sobre a “capital das sentinelas avançadas”. E parece que nada resolve o caos, já que ninguém quis “abraçar Porto Velho”. Nós, os “500 mil matutos num canto só”, precisamos de bons líderes que nos deem a dignidade que nunca tivemos. Será que em 2016 vamos prorrogar essa agonia?

  


*É Professor em Porto Velho.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O Brasil rumo à Idade Média



O Brasil rumo à Idade Média


Professor Nazareno*


Infelizmente sou brasileiro todos sabem, mas não devia ser. Embora tenha a tristeza e o infortúnio de ter nascido em terras tupiniquins, odeio a maioria das coisas deste país chinfrim e atrasado. Tirando a farinha de mandioca, o clima (somente quando chove) e às vezes alguns amigos e parentes, o que sobra não pode ser jogado no lixo em respeito ao monturo e à carniça. O Brasil realmente não é um país sério como teria dito o ex-presidente da França Charles de Gaulle. Não há uma única coisa em que esta nação tenha se destacado internacionalmente. Nunca ganhamos um Prêmio Nobel, um Oscar ou qualquer outra honraria que nos faça sentir orgulho de ter nascido aqui. Até no futebol somos a vergonha mundial e hoje, depois dos 10 X 1, corremos um sério risco de não participar, por incompetência, da próxima Copa do Mundo em 2018 na Rússia.
O nosso sistema de educação, por exemplo, é um dos piores do mundo. Com um turno único, não é nenhuma novidade que amarguemos os piores resultados quando nos comparam com outras nações mais civilizadas. O brasileiro comum, diferente de outros povos do mundo, não valoriza o saber, a ciência, a informação e a leitura de mundo. São mais de 200 milhões de habitantes e a esmagadora maioria vivendo na escuridão da ignorância e da estupidez. Muitos deles mal sabem ler e escrever o próprio nome e sobrevivem às duras penas de migalhas e esmolas que os outros produzem. Falar de Shakespeare, Fernando Pessoa, Michelangelo, Da Vince, Nietzsche, Sartre, Michel Focault, Simone de Beauvoir ou mesmo de Machado de Assis é “jogar pérolas aos porcos”. Quase ninguém vai saber de quem se trata e que contribuição deu à cultura.
No último Enem, o Exame Nacional do Ensino Médio, uma questão falando sobre Simone de Beauvoir quase fez o mundo despencar sobre o país. Uma única questão, num universo de 180, despertou a ira de setores conservadores da política nacional. “O governo está fazendo doutrinação com a prova”, bradaram infantilmente alguns políticos ignorantes. Setores do BBB, Bancada da Bala, Bancada da Bíblia, que juntamente com a Bancada do Boi compõem a maioria do Congresso Nacional, foram os mais inconformados. Não há desgosto maior do que viver num país e ser contemporâneo de Marco Feliciano, Silas Malafaia, Lula, Aécio, Bolsonaro, Eduardo Cunha e tantas outras figuras sinistras. E o pior é que todos eles são eleitos “entra ano e sai ano” por eleitores fanáticos. Tremo só em pensar na volta do “barbudo” em 2018.
Não é possível que os brasileiros sejam tão passivos e acomodados. Será que todos sofremos do Mal de Alzheimer? A nossa água e a comida diária só podem estar contaminadas com Diazepam, Valium, Rivotril ou Lexotan. Corrupção de milhões, acordos espúrios, limitação da ideia de família, retirada dos direitos da mulher, porte de armas para deputados e senadores, diminuição da maioridade penal, projeto que anistia dinheiro ilegal no exterior, impostos altos sem contrapartida social, obras públicas inacabadas, semana de terça a quinta no Congresso, roubalheira sem fim… E ninguém toma nenhuma providência. Ninguém reage. Isso é um país de verdade? Que alegria há em residir e pagar altos impostos numa nação desta qualidade? Para nossa vergonha, o Ministério Público da Suíça disse que se fosse lá, o Eduardo Cunha já estaria preso. José Maria Marin está. E será extraditado para os EUA. Meu Deus! Quero morar na Bolívia.




*É Professor em Porto Velho.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Outro desabafo à Soniamar



Outro desabafo à Soniamar

Professor Nazareno*

Querida professora, Soniamar. A pouquíssimos dias da prova do Enem/2015 estou, de novo, muito desesperado com o rendimento da maioria dos nossos alunos dos terceiros anos. Muitos não sabem fazer uma simples redação e apresentam dificuldades de se expressar por escrito em língua pátria. Temo que vão pontuar muito pouco nesta modalidade de prova cobrada no Exame Nacional do Ensino Médio. Após corrigir as últimas redações do simulado em nossa escola, cheguei à triste conclusão de que uma tragédia de proporções gigantescas muito pior do que o PT está na iminência de acontecer com as notas da maioria deles. O pior é que toda vez que me lembro da nossa responsabilidade sobre os mesmos, bate-me uma forte depressão e até vontade de não deixar que eles representem a nossa escola neste Enem para evitar a possível tragédia.
 Neste ano de 2015, na Escola João Bento da Costa, corrigi, contadas a dedo, 6.719 redações feitas por eles. Isso mesmo, amiga: quase sete mil textos. E uma das únicas coisas que consegui lhes ensinar foi a forma de escrever o numeral terceira (3ª) de “terceira série” em vez de terceiro (3º). Mesmo assim, alguns ainda erram. Espero que eles não escrevam “Segundo Guerra Mundial”. Mas e mais, nem insisto. “Mas” é o mesmo que porém e “mais” é o contrário de menos. “É”, com acento, o verbo ser, e “E”, sem acento, a conjunção, não ensino mais a nenhum deles. “Á” craseado, com o acento para frente é o que mais eles fazem. Parece que nunca viram o “À” com o acento da crase para trás. Aliás, “trás” e “traz” é outra confusão para eles. Escrever “há muito tempo atrás” e “lhe dar” em vez de “lidar” ou “concerteza” e “dês do”, já virou rotina.
Disse-lhes para não deixar a linha 01 em branco. Adianta? Fazer um título pequeno e sempre retirado da conclusão. Iniciar o terceiro parágrafo com “Além disso,/ Além do mais,” e a conclusão (último parágrafo) com uma das expressões: “Ainda assim,/ Dessa forma,/ Diante do exposto, ou Portanto,”. Fazer pelo menos quatro parágrafos sendo que no primeiro, a APRESENTAÇÃO do assunto e a TESE, nos dois ou três parágrafos do meio ARGUMENTE e explique a tese criada. Na CONCLUSÃO dar boas sugestões. Fazer 05, 06 ou 07 linhas por parágrafo e nunca menos do que 25 linhas no total. “PRIMEIRO faça a redação e só passe a limpo na meia hora final”. “Seja o último da sala a entregar a prova. Façam questão disso”. Dos 634 alunos do JBC, menos de 30 (4%) podem fazer um excelente texto. Ainda assim, torço por todos.
Com raríssimas exceções, dos textos que corrigi em 2015 pouco se aproveita. Geralmente não há tese, não há argumentos, não há citações, não há sugestões, não há absolutamente nada. Erros gramaticais primários é uma rotina maldita. Parece até que não foram alfabetizados nestes 12 anos. Noutros textos, simplesmente não há como decifrar a letra de tão ruim e ilegível que é. Se não evitarmos mais esta tragédia na nossa educação, que futuro haverá? O que me conforta é que no início do ano pedi para que buscassem leitura de mundo, informações e conhecimentos. Mas muitos fogem da leitura como o diabo foge da cruz. Medo de virar ateus? Esta fragilidade não é só culpa deles, mas são eles que “vão pagar o pato” para o resto da vida se não adotarem a boa leitura como rotina daqui em diante. Enfim, estou preocupado e não há mais como ajudá-los. Não desejarei boa sorte, mas uma excelente prova. E não me decepcionem!


*É Professor em Porto Velho.