segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Mulheres do Brasil, uni-vos!

Mulheres do Brasil, uni-vos!

 

Professor Nazareno*

           

Antônia Inocência é minha mulher, com que estou casado há mais de quarenta anos. Sempre fomos um casal bem sucedido. Eu mando nela e ela sempre me obedeceu sem dar um pio. É que ela sabe onde é o lugar dela: na cozinha, claro! Toda mulher tem um lugar dentro da relação: atrás do marido, pois o homem sempre foi a “cabeça” de todo casamento. Além do mais, é ele, o macho, que dá o sustento da casa, inclusive para bancar o luxo e a comida da mulher e dos filhos. Homem nenhum bate na mulher, ele só bate no atrevimento dela. Feminicídio não existe. É tudo invenção dos “esquerdopatas” e também das mulheres feias, tribufus, rejeitadas e que não depilam as próprias axilas. Toda mulher tem que esperar o marido em casa depois que ele chega cansado do trabalho. A mulher tem que agradar ao seu marido de todas as maneiras que ele lhe determinar.

A dona de casa que ousar trabalhar fora deve saber que ganhará um salário bem menor do que o do homem, fazendo a mesma coisa que ele, pois ela engravida e passa pelo menos de quatro a seis meses “sem dar um prego numa barra de sabão”. É a licença-maternidade. Já pensou se ela engravidasse todo ano? Levaria o Brasil à falência rapidamente. Aliás, essa lei deveria ser retirada da CLT e da Constituição o quanto antes. No dia em que eu for eleito, lutarei para isso. Deus fez primeiro o homem e só depois é que lhe sacrificou uma costela para fazer a mulher. Está escrito na própria Bíblia. Por isso que os homens são superiores. A mulher devia ser impedida de votar. Política é uma coisa muito importante e só os homens é que deveriam participar desse processo. O homem tem que bater na mulher para ver se ela se esperta mais. Só uma surra de vez em quando.

Em muitos países muçulmanos, por exemplo, o homem pode ter até quatro esposas ao mesmo tempo. É a lei chamada de Sharia e o próprio Alcorão, o livro sagrado deles, que permitem isso. Já as mulheres só podem ter um único marido. Essa lei tinha que ser aplicada no Brasil urgentemente. Lá a mulher que trair o marido é condenada à morte por apedrejamento. Nada mais justo, pois à mulher compete cuidar e zelar do marido, da casa e dos filhos. Por isso, não pode dar mau exemplo. “Todo homem tem que ser agressivo. E até letal”. Ou seja, agindo assim ele impõe ordem e respeito no casamento. E se as mulheres fossem mais inteligentes, não questionavam nada disso. “Crime de feminicídio não deveria existir perante a lei em nosso país” assim como o direito à licença-maternidade, já que “todo homem tem o direito de mandar a mulher ir para a cozinha”.

Por mais absurdo e monstruoso, quase tudo o que está escrito no texto acima já foi defendido por uma jovem mulher de apenas 23 anos, Eduarda Campopiano, do PL, eleita recentemente deputada estadual por São Paulo e que teve exatos 1.956.238 votos. Pior: boa parte dos seus eleitores são mulheres. Eu torço aqui para que ela, a Eduarda, encontre em seu caminho um homem totalmente diferente do que ela preconiza em seus discursos. Isso para o próprio bem dela. E só a título de informação: em 2025 tivemos no Brasil 1.571 casos de feminicídio, 4.189 escaparam por algum capricho do destino. Já em 2026, o país registrou 848 vítimas de feminicídio entre janeiro e julho, de acordo com os dados oficiais do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Mas respeitemos a democracia. Ele existe para confrontar os extremos. E Eduarda Campopiano foi eleita democraticamente e seguindo todas regras do jogo. Francisca, sem você eu nada seria!

 

 

 

*Foi Professor em Porto Velho.

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